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Por que as Ferrari são vermelhas?

por que as ferrari são vermelhas

porque a maioria das ferrari é vermelha

Alguns carros estão fortemente associados a uma cor específica. O primeiro exemplo que vem à mente de todos, entusiastas ou não, são as Ferrari. Ao se pronunciar o nome da marca criada pelo commendatore Enzo, os míticos esportivos italianos são pintados de rosso corsa, o inconfundível vermelho dos carros de competição mais famosos do mundo. Segundo o fabricante, 60% de toda a sua produção – de rua e de pista – tem a carroceria neste tom único.

Há outros casos emblemáticos, tais como os Jaguar e Mini Cooper com o icônico british racing green – BRG para os íntimos – o tradicional verde-escuro popularizado pelas Lotus de Fórmula 1 nos anos 60 e 70, e o branco com duas listras azuis ou azul com listras brancas dos esportivos norte-americanos como Shelby GT 500 e Dodge Viper, respectivamente.

Todas essas cores peculiares e fortemente associadas a algumas marcas e modelos remetem a uma origem comum, a qual data do início dos anos 1950. Abaixo, far-se-á a explicação em poucas palavras e muitas imagens. Confira.

A ERA ROMÂNTICA DO AUTOMOBILISMO

era romântica do automobilismo

Com o passar dos anos, o automobilismo se tornou um esporte altamente profissionalizado, movimentando um indústria multibilionária de anúncios de grandes empresas e bilheteria. Este fenômeno impôs a profissionalização das competições,

Desde o início dos anos 1970, as categorias passaram a receber fluxos multimilionários de patrocinadores, os quais cresceram em velocidade impressionante com a popularização do esporte a motor em todo o planeta.

Nos primórdios das competições automobilísticas, não havia grande interesse do público em geral  e as provas ocorriam de maneira bastante improvisada e amadorística, quase rudimentar. Os monopostos não sofriam grandes modificações em relação aos modelos stock (“de rua”) e a tecnologia se encontrava em estágio incipiente.

Com pouca atenção dos anunciantes e público reduzido, pouco dinheiro disponível e pilotos quase amadores e apaixonados, especialmente no automobilismo europeu, as equipes e pilotos encontraram uma forma de se diferenciar – o uso de um código de cores para cada nacionalidade da equipe.

AS CORES NACIONAIS

Na era romântica, o automobilismo era um esporte fechado em uma pequena comunidade entusiasta e apaixonada por carros. Com pouca atenção, audiência e dinheiro, a paixão por sua equipe e sua nação falava mais alto que os patrocinadores.

A competição girava mais em torno de equipes e nacionalidades, a exemplo da Copa do Mundo de futebol e das Olimpíadas. Cada país tinha seus modelos de competição pintados de uma cor, a fim de estimular o orgulho nacional.

INGLATERRA – BRITISH RACING GREEN

Verde escuro, mais conhecido como British Racing Green (BRG) e muito popular em modelos britânicos da Jaguar, Mini e Lang Rover como referência ao passado glorioso das escuderias britânicas nas pistas com seus bólidos verdes, como as Lotus de Jim Clark (figura abaixo).

lotus f1 1967 jim clark

Os patrocinadores criaram muitas pinturas bonitas e memoráveis para carros de competição ingleses, mas o British Racing Green é patrimônio permanente da cultura automotiva mundial.

ALEMANHA – AS FLECHAS DE PRATA

A priori, a cor nacional germânica deveria ser branca. Porém, uma competição em 1934 fixou o limite máximo de peso em 750 quilos, excetuando pneus e combustível. Assim, o engenheiro da equipe Mercedes-Benz, Alfred Neubauer, buscava uma solução para reduzir o peso de seu exemplar se enquadrar no regulamento.

Para atingir o objetivo e disputar a prova, ele teve uma ideia: raspar toda a pintura branca do carro. E assim o fez, até a carroceria ficar com todo o metal aparente. No caso, alumínio, prateado.

Venceu a corrida e esta solução fez tanto sucesso que o prata se tornou a cor nacional alemã. Os modelos de corrida da Mercedes-Benz – e os esportivos de rua – ganharam a carinhosa alcunha de flecha de prata (silver arrow, em inglês), a qual sobrevive até hoje.

Algumas fontes contestam esta versão, afirmando que em 1932 as equipes alemãs Mercedes-Benz e Auto Union já utilizavam a cor prata, comum a todas as equipes germânicas, cujos monopostos eram construídos com o mesmo material de fuselagem de aviões sem pintura, a fim de aliviar o peso.

De qualquer maneira, o uso do prata como cor nacional alemã deriva da ausência de pintura como forma de aliviar peso, e a atual equipe Mercedes-Benz ainda a utiliza.

mercedes flecha de prata

FRANÇA – BLEU DE FRANCE

A França revelou grandes pilotos como Alain Prost e Jean Alesi, assim como os vitoriosos motores Renault, tanto pela equipe oficial quanto pela Williams, Benetton e Red Bull. Uma nação com uma história marcante no automobilismo têm sua cor nacional, naturalmente – o azul turquesa, conhecido como Bleu de France.

O tom apareceu desde o princípio das competições, logo nos anos 1930, e se destacou na equipe Ligier, na efêmera Prost Racing e na vencedora Renault, bicampeã com o espanhol Fernando Alonso.

cores de carros de corrida bleu de france

Esta Bugatti da imagem acima já utilizava o azul como cor nacional da França, assim como a Renault Sport, divisão de modelos esportivos da marca do losango, a trouxe de novo à tona em suas versões esportivas de Clio e Mègane. O tom caiu no gosto popular e fabricantes de todas as nacionalidades o disponibilizam em sua palheta, mais notadamente a divisão M da BMW.

ESTADOS UNIDOS – IMPERIAL BLUE

Sempre que pensamos no Dodge Viper, expressão máxima dos carros esportivos norte-americanos, a primeira padronagem de cores que vem à mente da maioria é o tradicional azul-marinho com faixas brancas, também conhecida como Imperial Blue.

Assim como os entusiastas lembram de modelos da Jaguar em verde escuro por se tratar da cor nacional dos carros de competição britânicos, esportivos americanos como Dodge Viper, Ford Mustang e Chevrolet Corvette aparecem frequentemente no tom azul-marinho com faixas brancas pela mesma razão: o Imperial Blue é uma das duas padronagens oficiais das equipes ianques.

cores de corrida eua imperial blue

A outra variante das cores dos modelos de competição norte-americanos consistia na inversão dos tons: branco com faixas azuis, também conhecida como Cuningham Racing Stripes (ou Listras de Competição de Cuningham, em inglês). Ambos os padrões são utilizados até hoje nos modelos esportivos da terra do Tio Sam, como variantes um do outro.

cuningham racing stripes cores de carros de corrida

Formas alternativas de descrever os dois padrões consistem em chamar o Imperial Blue de White Undercoat  (Base (da pintura) Branca, em inglês) e o Cuningham Racing Stripes de Blue Undercoat (Base (da pintura) Azul, em inglês).

JAPÃO – O SOL NASCENTE

cores de carro de corrida japão sol nascente

Apesar de não ter conseguido produzir equipes e pilotos vitoriosos na Fórmula 1, o Japão construiu uma excelente reputação nas pistas em muitas outras categorias e na fabricação e desenvolvimento de motores, em especial a Honda, para a Fórmula 1 e Indy. No motociclismo, muitos campeões vieram da terra do sol nascente.

Para um país com tanta tradição no automobilismo – e tanto orgulho de sua pátria – usar as cores da bandeira e o sol nascente parecem algo natural. Assim, a pintura branca com o sol nascente estampado ao centro consiste na cor nacional de corrida do Japão.

BRASIL – CANARINHO OU PALE YELLOW

coopersucar canarinho cores de carros de corrida

Sim, o Brasil também tem sua cor nacional! Não surpreende que o amarelo canarinho representou o Brasil nas pistas, na época da Coopersucar e Fittipaldi Racing, por meio dos irmãos Wilson e Emerson Fittipaldi, a exemplo da camisa da seleção de futebol.

Apesar da falta de exemplos de sucesso na construção de carros e motores, o Brasil ocupa posição de destaque no automobilismo mundial devido ao grande número de pilotos vitoriosos em quase todas as categorias, e é a pátria-mãe de lendas do esporte como Ayrton Senna e Emerson Fittipaldi. O amarelo canarinho, azul e verde estampam os capacetes da maioria destes corredores.

ITÁLIA – ROSSO CORSA

cores carros de corrida italia rosso corsa

rosso corsa (ou vermelho de corrida, em tradução do italiano) é a cor nacional dos modelos de competição italianos. Todas as marcas famosas o utilizaram e o utilizam com frequência até os dias de hoje em seus veículos de rua e pista.

Apesar de fortemente associada à Scuderia Ferrari, marca de carros esportivos mais famosa do planeta, os demais fabricantes italianos como Maserati, Alfa Romeo e Lancia, sempre pintam seus exemplares de vermelho do início do automobilismo até os dias de hoje, vinculando o tom vibrante à pátria italiana.

POR QUE AS FERRARI SÃO VERMELHAS?

por que as ferrari são vermelhas

Em primeiro lugar, porque a Ferrari nasceu como equipe de competição e o capo Enzo Ferrari sempre deu prioridade às pistas. Algumas categorias exigiam a construção de um número mínimo de exemplares stock para participar das provas, obrigando il commendatore a construir algumas unidades, à revelia.

Porém, os modelos viraram sucesso de venda e eram disputados a tapa. Viraram paixão mundial e objeto de culto ao serem comercializados por valores cada vez mais altos, como modelos de “Fórmula 1 de rua”.

Como os clientes desejavam ter um bólido de corrida para andar na rua, uniu-se o útil ao agradável: pintar os modelos stock racing de rosso corsa, tom escolhido por mas da metade dos clientes e ícone dos esportivos italianos.

A cor vermelha continua a ser fortemente associada à Ferrari nas pistas de corrida, mesmo sendo utilizada pelas conterrâneas Alfa Romeo (foto acima), Fiat, Maserati, Lancia e outras mais em automóveis de competição em todas as épocas. Como os demais fabricantes produzem todo o tipo de modelos e a Ferrari apenas esportivos, a tradição italiana nas pistas ficou vinculada à marca de Maranello.

TRADIÇÃO NACIONAL DAS PISTAS PARA AS RUAS

Com tantas décadas, vitórias, lendas e tradições construídas, cada nacionalidade criou sua mítica nas pistas, as quais são utilizadas pelos fabricantes como marketing. Os consumidores mais entusiastas desejam levar para a garagem um pedacinho destas histórias, as quais estão embutidas no design e cores dos modelos que vemos nas ruas todos os dias.

O comprador de um modelo britânico, como Jaguar e Mini Cooper, frequentemente opta pelo british racing green como forma de reverenciar os sucessos da Lotus de Colin Chapman, assim como os donos de Ford Mustang e Dodge Viper desejam o Imperial Blue para invocar a brutalidade dos esportivos americanos. Esportivos da Mercedes-Benz como o SLS ou o CLK-GTR saíram predominantemente na cor prata, homenageando as flechas de prata dos anos 1930.

Seguindo a mesma logica, todo (ou quase todo) comprador de Ferrari deseja ter um carro de corrida italiano para andar na rua – ou onde puder desenvolver todo seu potencial. Daí a opção pelo rosso corsa, a cor nacional dos bólidos italianos. Por isso as Ferrari são vermelhas.

 

 

 

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