Arquivo da categoria: Lançamentos

Novos Cruze e Civic com preços acima de R$ 100 mil. Vale pela evolução técnica ou falta bom senso das marcas?

novo cruze mais de R$ 100 mil

A nova geração do Cruze tem preços acima de R$ 100 mil nas versões LTZ 2.

Em julho, a Chevrolet coloca à venda a nova geração do Chevrolet Cruze. O modelo anterior sofria pesadas críticas em relação ao desempenho inferior aos concorrentes e alto consumo de combustível do motor Ecotec 1.8 16V de 144 cv e 18,9 kgf.m de torque. O bloco foi substituído pelo moderno 1.4 16V turbo de 153 cv e bons 24,5 kgf.m de binário, entregando um 0 a 100 em cerca de 8 segundos e consumo rodoviário de até 18 km/l com gasolina.

As questões de performance foram sanadas, mas…

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Tesla Motors: em breve, ele será o carro dos seus sonhos

tesla model S o futuro do automóvel

Os amantes do mundo automotivo certamente já conhecem a Tesla Motors, montadora californiana fundada em 2003 por Martin Eberhard e Marc Tarpenning. Posteriormente recebeu financiamento do bilionário Elon Musk em 2004. Seu primeiro carro foi o Roadster, o primeiro esportivo totalmente elétrico do mundo. Seu lançamento foi em 2006. Sua grande inovação residia em fazer de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos e ainda andar 57 quilômetros com um litro de combustível equivalente*, com autonomia de 350 quilômetros. Porém, o preço é salgado: US$ 101.500 (R$ 337.893).

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Volkswagen up! TSI. Os motores turbo chegaram aos populares.

speed up!

VW speed up!, o primeiro veículo 1.0 turbo lançado no Brasil.

Há cerca de um ano, a Volkswagen lançou o up!, um subcompacto muito conhecido na Europa e de conceito inovador no Brasil. Porém, ele não vem obtendo sucesso por aqui, devido ao seu formato de caixinha e design excessivamente funcional, pensado apenas na utilidade. Definitivamente, não caiu no gosto do brasileiro, mesmo obtendo nota máxima nos testes de segurança e se situando entre os modelos mais econômicos, sem pecar no desempenho.

Agora a Volkswagen fez uma inovação mecânica que pode dar uma nova chance para seu carro de entrada no Brasil: o motor TSI (turbo com injeção direta).

Os motores turbinados têm o estigma de serem associados a alta performance em detrimento da durabilidade, alto consumo, carros de corrida, rachas, entre outras coisas. Apesar de os fãs de desempenho ainda utilizarem essa aplicação, as montadoras refinaram esta tecnologia para entregar algo muito desejado pelo mercado:

ALTO DESEMPENHO ASSOCIADO A BAIXO CONSUMO, COM GRANDE DURABILIDADE.

Em suma, a engenharia de motores moderna resolveu os problemas de consumo e durabilidade com o aprimoramento da tecnologia dos turbocompressores e demais componentes móveis, trazendo grande avanço técnico para os propulsores e benefícios para os consumidores.

Vamos aos números do up!. Este veículo é vendido nas versões turbo e aspirada. Os dados abaixo comparam as marcas do aspirado/turbo:

  • Aceleração de 0 a 100 km/h (em segundos): 14,4  contra 9,5
  • Retomada de 40 a 80 km/h em 3a marcha (em segundos): 8,6/6,4
  • Retomada de 80 a 120 km/h em 4a marcha (em segundos): 24,2/9,8
  • Velocidade máxima (km/h): 165 ante 184
  • Potência (cv, no álcool): 82 contra 106
  • Torque (kgf.m, no álcool): 10,4 contra 16,8
  • Consumo urbano (km/l, álcool/gasolina): 9,1/13,2 contra 10,2/14,2
  • Consumo rodoviário (km/l, álcool/gasolina): 9,9/14,3 contra  14,0/18,7

A diferença é brutal. O VW up! 1.0 TSI anda como um veículo com motor 2.0 aspirado e ainda consegue ser o carro mais econômico do Brasil, excetuando os híbridos. Ele custa a partir de R$ 43.990,00, um valor alto para um carro de entrada, mas que pode ser ajustado conforme a aceitação do mercado.

Muitos consumidores torcem o nariz para o up! por diversos motivos, mas do ponto de vista meramente técnico, ele se mostra o mais avançado de seu segmento. Certamente deve ser olhado com atenção pelos consumidores e pelos concorrentes, pois o setor automotivo vive uma grave crise, e essa é a hora de buscar transformações benéficas para o consumidor e para a indústria.

E para aqueles que não gostam do up!, uma boa notícia: os motores turbo já estão em desenvolvimento por outros fabricantes, e em breve serão o padrão no mercado. Que venha a concorrência!

Vale a pena comprar um carro no seu lançamento?

Jeep Renegade, lançado em abril de 2015.

Jeep Renegade, lançado em abril de 2015.

Alguns consumidores gostam da sensação de dirigir um carro recém-lançado, que ele comprou antes de todo mundo. Eles são conhecidos como “novidadeiros”. Costumam trocar de modelo com frequência, sempre por outro que acaba de chegar ao mercado. Mas isso é uma boa ideia?

Na esmagadora maioria das vezes, não. Os principais motivos não são financeiros para os “novidadeiros”, pois eles aceitam gastar mais para satisfazer seu gosto.

E para aqueles que gostaram do veículo, mas não fazem questão de ter o lançamento, será que é uma boa? Para o consumidor comum, a regra de ouro é:

VISANDO A POSSUIR UM VEÍCULO MAIS CONFIÁVEL E APRIMORADO, RECOMENDO COMPRAR MODELOS QUE ESTÃO HÁ PELO MENOS UM ANO NO MERCADO.

Vou expor abaixo as implicações de comprar um veículo recém-chegado ao mercado:

  1. Problemas de montagem – Como os trabalhadores da fábrica precisam de tempo para aprender a motar o veículo, ocorrem falhas na montagem e manufatura nos primeiros meses de produção, levando o modela a apresentar falhas com mais frequência. Na prática, isso significa comprar aquele carro com o painel cheio de rebarbas, portas desalinhadas, carroceria cheia de ruídos e algumas falhas mecânicas. Por isso, não recomendo comprar veículos que tenham menos de um ano no mercado.
  2. Atualização de componentes – Quando um veículo é lançado, a engenharia dos componentes costuma apresentar falhas, que só serão detectadas em campo, nas mãos dos clientes. Elas serão encaminhadas á montadora e fornecedores, que cuidarão de saná-los com a atualização das partes. Portanto, quem compra o veículo depois de doze meses, já o recebe com as melhorias, com uma qualidade final superior. A paciência está do lado de quem sabe esperar.
  3. Possíveis problemas de manutenção – Assim como os fabricantes precisam aprender a fabricar o veículo, os concessionários devem aprender a repará-lo e fazer as revisões. Para isso, a montadora oferece treinamento. Porém, devido à capacidade operacional limitada de prover a todos ao mesmo tempo, alguns revendedores vendem e reparam os veículos sem o devido cuidado, causando problemas de atendimento e insatisfação dos clientes.
  4. Possível  falta de peças – Como a montadora precisa fazer estoque inicial para iniciar a comercialização, a maioria dos componentes fabricados são destinados à manufatura. Assim, não sobram peças para a reposição, que só será feito após alguns meses. Se um veículo recém-lançado sofrer um acidente ou precisar de um componente complexo, provavelmente não estará disponível, e o cliente ficará com o automóvel parado por muitos dias, gerando descontentamento. Este problema acontece com mais frequência em veículos com baixo volume de vendas ou importados que dependem de cotas de importação.
  5. Maior preço de compra – Justamente por conta destes consumidores que desejam ter o veículo antes de todo mundo, as montadoras aplicam sobrepreço no primeiro ano de mercado, fazendo ajustes conforme a aceitação do modelo. Em caso de grande sucesso de público ou melhorias significativas, pode até ficar mais caro, mas quem tiver paciência pode pagar menos. O inverso também é verdadeiro: quem compra um veículo prestes a sair de linha encontra bons descontos. Se não fizer questão de ter um modelo defasado, pode ser um bom negócio.
  6. Sem promoções – Para adequar a comercialização de um carro à demanda, as montadoras fazem promoções frequentemente, mas elas raramente abarcam lançamentos, isto é, quem quiser um terá que pagar mais.
  7. Desvalorização – A maior parte da desvalorização ocorre nos três primeiros anos de uso, e depende do preço de compra do veículo, conforme detalhado nos itens anteriores. Quem compra um lançamento tende a ter uma perda maior, visto que pagou pelo menos 10% a mais pela veículo, e seu valor no mercado de usados é fixo.

Podem existir outros aspectos de comprar ou não um lançamento. No caso dos novidadeiros, nada disso é impeditivo, visto que eles possuem anseios e desejos distintos. Para o consumidor comum, o melhor é esperar um pouco para pegar um veículo mais confiável a um preço mais acessível.

O que esperar dessa nova onda de SUVs compactos?

Em um passado mais ou menos recente, ouvir a sigla SUV, era sinônimo de luxo, de carro caro, que trazia status, que poucos podiam ter. Mas em 2003 a Ford acabou com essa ideia lançando seu SUV compacto, o EcoSport. E assim foi criada a categoria de SUV compacto.

Ford EcoSport 2003

Ford EcoSport 2003

Rapidamente o carro fez um estrondoso sucesso, com seu porte robusto e digamos assim, com um preço até que “acessível” para um SUV e tendo meses de fila de espera para comprar esse carismático jipinho. De lá pra cá, o EcoSport vem nadando de braçada em relação às vendas, roubando clientes de outras marcas e que procuravam carros de categorias diferentes, como minivans, peruas (ou station wagons) e sedans médios. A única que acordou para vida e encarou o EcoSport de frente foi a Renault, lançando o Duster. Deu certo no início, mas depois da renovação que o Ford sofreu em 2012 (modelo atual), o Duster caiu nas vendas.

Ford EcoSport 2012 e Renault Duster 2012

Ford EcoSport 2012 e Renault Duster 2012

Parece que várias marcas viram chance nesse setor e decidiram investir. Já no mês que vem, a Honda lança seu novo SUV compacto, o HR-V e a Jeep, o Renegade, o qual já está sendo transmitido um comercial na televisão. Em Maio, a Peugeot lança o 2008. Desses três novos lançamentos, o Jeep é a que vem com mais “sangue nos olhos” para encarar o EcoSport, tendo até construído uma fábrica aqui no país. Todos vêm com propostas bem interessantes, oferecendo mais refinamento do que o bom e velho EcoSport. Mas será que os três vão conseguir desbancar o Ford facilmente?

Jeep Renegade

Jeep Renegade

O que joga à favor dos três novatos aqui, é o cheiro de novidade, projetos modernos e maior refinamento do que o concorrente. Mas o trunfo do EcoSport aqui é a tradição e a confiança que o consumidor tem no carro, que são fatores importantíssimos na hora da compra.

Honda HR-V

Honda HR-V

Analisando um por um, podemos citar alguns fatores que não facilitam a vida dos novatos: o que pesa para o Jeep Renegade é a falta de tradição da marca no Brasil, apesar de ter sido celebre com o Willys Jeep aqui no país, não podemos levar isso em conta, pois de lá pra cá se passaram mais de 50 anos. E também a falta de um número maior de rede autorizada no país. Para o Peugeot 2008, falta a confiança do consumidor na marca francesa, pois sua imagem no Brasil é manchada por inúmeros clientes insatisfeitos com os serviços da rede autorizada e pela fragilidade dos carros da Peugeot. Já para o Honda HR-V, poucos fatores pesam contra. Por mais que o número de autorizadas seja pequeno, ainda sim é maior do que o da Jeep e tem um pós-venda bem melhor do que o da Peugeot e da própria Ford, tendo sido eleita o pós-venda Honda o melhor do país pela revista Quatro Rodas e tem os clientes mais satisfeitos. E o preço do Honda é um pouco elevado comparado ao EcoSport. Enquanto o Eco tem o preço na casa dos 70 mil reais, o HR-V que compete com a versão mais vendida do EcoSport, está na casa dos 75 mil (preço estimado pelas revistas especializadas).

Peugeot 2008

Peugeot 2008

Apesar dessas deficiências, que no Renegade pode ser considerada momentânea, se as marcas vierem com uma campanha de lançamento agressiva e se os carros se mostrarem bons para a necessidade do brasileiro, a trinca tem real chance de tirar a coroa do EcoSport. O Ford vai ter uma árdua batalha pela frente.