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Vale a pena comprar um carro no seu lançamento?

lançamento jeep renegade
Jeep Renegade, lançado em abril de 2015.
Jeep Renegade, lançado em abril de 2015.

Alguns consumidores gostam da sensação de dirigir um carro recém-lançado, que ele comprou antes de todo mundo. Eles são conhecidos como “novidadeiros”. Costumam trocar de modelo com frequência, sempre por outro que acaba de chegar ao mercado. Mas isso é uma boa ideia?

Na esmagadora maioria das vezes, não. Os principais motivos não são financeiros para os “novidadeiros”, pois eles aceitam gastar mais para satisfazer seu gosto.

E para aqueles que gostaram do veículo, mas não fazem questão de ter o lançamento, será que é uma boa? Para o consumidor comum, a regra de ouro é:

VISANDO A POSSUIR UM VEÍCULO MAIS CONFIÁVEL E APRIMORADO, RECOMENDO COMPRAR MODELOS QUE ESTÃO HÁ PELO MENOS UM ANO NO MERCADO.

Vou expor abaixo as implicações de comprar um veículo recém-chegado ao mercado:

  1. Problemas de montagem – Como os trabalhadores da fábrica precisam de tempo para aprender a motar o veículo, ocorrem falhas na montagem e manufatura nos primeiros meses de produção, levando o modela a apresentar falhas com mais frequência. Na prática, isso significa comprar aquele carro com o painel cheio de rebarbas, portas desalinhadas, carroceria cheia de ruídos e algumas falhas mecânicas. Por isso, não recomendo comprar veículos que tenham menos de um ano no mercado.
  2. Atualização de componentes – Quando um veículo é lançado, a engenharia dos componentes costuma apresentar falhas, que só serão detectadas em campo, nas mãos dos clientes. Elas serão encaminhadas á montadora e fornecedores, que cuidarão de saná-los com a atualização das partes. Portanto, quem compra o veículo depois de doze meses, já o recebe com as melhorias, com uma qualidade final superior. A paciência está do lado de quem sabe esperar.
  3. Possíveis problemas de manutenção – Assim como os fabricantes precisam aprender a fabricar o veículo, os concessionários devem aprender a repará-lo e fazer as revisões. Para isso, a montadora oferece treinamento. Porém, devido à capacidade operacional limitada de prover a todos ao mesmo tempo, alguns revendedores vendem e reparam os veículos sem o devido cuidado, causando problemas de atendimento e insatisfação dos clientes.
  4. Possível  falta de peças – Como a montadora precisa fazer estoque inicial para iniciar a comercialização, a maioria dos componentes fabricados são destinados à manufatura. Assim, não sobram peças para a reposição, que só será feito após alguns meses. Se um veículo recém-lançado sofrer um acidente ou precisar de um componente complexo, provavelmente não estará disponível, e o cliente ficará com o automóvel parado por muitos dias, gerando descontentamento. Este problema acontece com mais frequência em veículos com baixo volume de vendas ou importados que dependem de cotas de importação.
  5. Maior preço de compra – Justamente por conta destes consumidores que desejam ter o veículo antes de todo mundo, as montadoras aplicam sobrepreço no primeiro ano de mercado, fazendo ajustes conforme a aceitação do modelo. Em caso de grande sucesso de público ou melhorias significativas, pode até ficar mais caro, mas quem tiver paciência pode pagar menos. O inverso também é verdadeiro: quem compra um veículo prestes a sair de linha encontra bons descontos. Se não fizer questão de ter um modelo defasado, pode ser um bom negócio.
  6. Sem promoções – Para adequar a comercialização de um carro à demanda, as montadoras fazem promoções frequentemente, mas elas raramente abarcam lançamentos, isto é, quem quiser um terá que pagar mais.
  7. Desvalorização – A maior parte da desvalorização ocorre nos três primeiros anos de uso, e depende do preço de compra do veículo, conforme detalhado nos itens anteriores. Quem compra um lançamento tende a ter uma perda maior, visto que pagou pelo menos 10% a mais pela veículo, e seu valor no mercado de usados é fixo.

Podem existir outros aspectos de comprar ou não um lançamento. No caso dos novidadeiros, nada disso é impeditivo, visto que eles possuem anseios e desejos distintos. Para o consumidor comum, o melhor é esperar um pouco para pegar um veículo mais confiável a um preço mais acessível.

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