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Vendas de veículos caem 20% este ano. O que está acontecendo? O que esperar?

pátio de montadora

patio

Mesmo quem não acompanha de perto o mercado automotivo sabe que este ano a venda de veículos novos e usados desabou 20% em relação ao mesmo período de 2014, que por sua vez teve queda de 10% ante 2013, ano no qual se estabeleceu recorde de vendas. Isso totaliza um redução drástica de 33% no período. Quais as causas dessa derrocada?

Podemos citar dezenas delas, mas todas estão relacionadas com as condições econômicas adversas enfrentadas nos últimos anos, a fatores macroeconômicos, à estrutura do mercado de automóveis e ao Custo Brasil. Vamos detalhar cada um, por ordem de importância:

  1. Alta dos juros, queda na renda – Mais de 90% dos veículos são vendidos por meio de financiamento, os quais cobram altos juros, este limite fica vinculado à oferta de crédito dos bancos e à taxa de juros, visto que o crédito é concedido conforme a renda do consumidor. A alta dos juros impacta no valor da parcela, exigindo maiores rendimentos para aprovar a compra. Como esta tem se reduzido ou estacionado, há menos concessões de crédito, portanto, menos vendas.
  2. Restrição aos financiamentos – De 2007 até 2013, era comum os bancos concederem financiamentos de 60, 84 e até 99 meses sem entrada, o que significava que o consumidor precisava apenas ter renda maior que um terço do valor da parcela para comprar um carro, mesmo sem um centavo no bolso. Entretanto, esta política mostrou-se desastrosa em 2012, quando a inadimplência na modalidade financiamento de veículo explodiu. Daí então, os bancos têm financiado em no máximo 48 vezes com 30% de entrada, no mínimo. Isto restringiu fortemente a contratação de novos financiamentos, e as vendas caíram.
  3. Aumento de impostos – A fim de estimular o setor automotivo durante a crise de 2008, o governo federal reduziu ou isentou o pagamento de diversos tributos, como o IPI e  PIS/COFINS. Isto sustentou o mercado durante algum tempo, mas a crise nas contas públicas inviabilizou a manutenção dos incentivos e os tributos voltaram a ser repassados, causando aumento de preços e, consequentemente, queda nas vendas.
  4. Inflação – Para um consumidor médio, cerca de 20% do seu custo com o veículo é de combustíveis e lubrificantes. Com a alta de 17% em seus preços, o consumidor tem sua renda comprimida para novas compras. Muitas famílias têm visto seu poder de compra ser corroído com as condições econômicas atuais. Somando-se o aumento de tarifas públicas, alimentação, saúde, educação, entre tantos, cada vez menos pessoas têm condições de adquirir ou trocar o veículo.
  5. Lucro das montadoras e concessionárias – Um conhecido dirigente de montadora disse, certa feita, que os veículos devem custar tão caro quanto os consumidores aguentem pagar. Mas com a queda na renda, este limiar está despencando, e as vendas também. A margem de lucro gorda dos fabricantes e revendedores é bem conhecida dos brasileiros, cerca de quatro vezes superior ao dos mercados desenvolvidos, como EUA e Europa. Os consumidores despertaram e o reflexo nas vendas de carros novos despencou, e os usados sofreram menos. Caso haja interesse em retomar o ritmo de vendas, eles vão ter que cortar da própria carne, ou a crise continuará.
  6. Custo Brasil – Todos sabem que produzir qualquer coisa no Brasil é mais caro, em comparação com outros países, devido a diversos fatores. Burocracia governamental, legislação engessada e falha, dificuldade em fazer transações com o exterior, altos encargos trabalhistas, baixa qualificação da mão-de-obra, baixa produtividade, pouco incentivo à inovação e aprimoramento tecnológico. Enfim, o ambiente empresarial no Brasil não favorece a fabricação de veículos modernos e baratos.
  7. Infraestrutura deficiente – Mais uma nuance do Custo Brasil, que tem a ver com o transporte de matéria-prima e produtos acabados, pela falta de ferrovias e hidrovias, somado à má condição do piso na maior parte do Brasil. Este aspecto aumenta os custos e diminui a competitividade das exportações Um exemplo: na comercialização de um veículo com a China, a despesa para transportá-lo de caminhão até o porto é maior que percorrer mais de 20.000 quilômetros de navio até o destino. Outro fator diz respeito à má condição das ruas e avenidas, sendo necessário reforçar a suspensão dos carros, o que os torna mais caros e piora sua performance e inviabiliza que certos tipos rodem por aqui, como os esportivos.
  8. Altos valores de IPVA e seguro – 

Exposto todo esse quadro, há uma luz no fim do túnel? No curto prazo, não. É necessária toda uma mudança cultural e estrutural em nossa indústria, governo e na mente dos consumidores, para que possamos circular em veículos de qualidade superior, em ruas bem asfaltadas e mais seguras. Tenho observado alguma reação por parte dos consumidores, que têm buscado compras mais conscientes nos últimos tempos, por conta das restrições de renda. As crises econômica e política têm paralisado o governo em praticamente tudo, e o aumento de impostos só agrava o quadro. A burocracia e má infraestrutura persistirão por tempo indeterminado. As montadoras têm sido as que mais contribuem negativamente, pois reagem à queda nas vendas com aumentos de preço, de forma completamente ilógica, dando um tiro no pé.

Resumindo. O quadro é muito grave e vai durar por alguns anos. Não há perspectiva de melhora e não é hora de comprar carro. É necessária uma grande reestruturação do setor e ninguém se mexe. O caos não é só automotivo, é geral. As coisas vão piorar muito antes de começar a melhorar.

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