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O que o Salão do Automóvel 2018 sinaliza sobre o futuro?

Toda exposição de automóveis tem como missão central mostrar ao público o que existe de mais avançado em tecnologia e design, assim como traçar tendências e apresentar as inovações que ganharão as ruas em breve.

O mais tradicional evento automotivo do Brasil é o Salão do Automóvel, realizado desde 1960, data coincidente com o nascimento da indústria nacional.

Para o público entusiasta, ele se tornou a Meca dos carros de rua, para o público amplo vislumbrar as tecnologias e o design que ganhará a sua garagem em breve – e as personalizações a ser desejadas para o seu projeto.

Nesta edição de 2018, a página Educação Automotiva faz a cobertura do evento e detalha os pontos mais importantes que a indústria sinaliza, de uma perspectiva vislumbrada por poucos.

Nos próximos parágrafos, seguem as linhas mestras dos próximos artigos relacionados ao Salão do Automóvel 2018. O que é que só nós vimos?

1 – OS MOTORES ASPIRADOS ESTÃO EM EXTINÇÃO

nissan leaf carregando

Em breve, seu carro será abastecido da mesma maneira que o seu celular

hype do momento põe holofotes sobre os motores híbridos e elétricos, mas os mais atentos não se esqueceram de mencionar as opções turbinadas, as quais estavam em alta nas últimas duas ou três edições e hoje se encontram consolidadas.

É importante observar os modelos em produção, oferecidos nas concessionárias e conhecidos pelo público. Nos eventos de 2010 a 2016, podia-se observar a predominância de veículos equipados com unidades aspiradas entre os modelos de série, enquanto os turbinados eram a grande novidade a ser explorada.

Hoje populares, pode-se observar a predominância dos turbo nas versões de produção, ao passo que os modelos sem a alimentação forçada desaparecem de maneira generalizada.

Os motores V8, tão populares em modelos de luxo, estão sendo trocados por  unidades de seis cilindros turbo; os antigos V6 foram preteridos por substitutos de quatro cilindros e sobrealimentação, os quais entregam melhor desempenho e e eficiência energética.

Nos modelos mais acessíveis, unidades de 2 litros dão lugar a outras de 1.400 a 1.600 centímetros cúbicos de deslocamento, e os donos de modelos 1.6 já sonham com modelos equipados com motores de 1 litro sobrealimentados, de mesma potência, melhor desempenho e ótima economia.

Em tempos de gasolina cara, aliar o prazer ao volante com bom rendimento do combustível se mostra ótimo negócio. Em conjunto com as novas tecnologias de infotenimento, as tendências das últimas mostras já ganharam as ruas de maneira sólida.

Se os híbridos e elétricos seguirão este caminho, saberemos apenas nas próximas exposições, daqui a dois e quatro anos. Mesmo com os incentivos tributários e o buzz feito pelos fabricantes, esta categoria de motorização ainda se encontra pouco acessível ao grande público, cujo modelo mais “em conta” – o Toyota Prius – não sai da loja por menos de R$ 125 mil.

Aguardemos.

2 – O CÂMBIO MANUAL ESTÁ SUMINDO

alavanca de câmbio do Polo

O novo VW Polo, compacto premium da marca, oferece apenas câmbio automático em suas versões topo de linha, com motor 1.0 turbo (200 TSI). Até o Gol, modelo de entrada, oferece a opção da caixa que dispensa o pedal de embreagem, por pouco mais de R$ 50 mil.

Com quatro décadas de atraso, finalmente o Brasil segue a tendência do mercado americano de popularizar o câmbio automático. Na terra do Tio Sam, caixas manuais com embreagem e alavanca equipam apenas esportivos de alta performance. Para os motoristas de lá, é coisa de piloto de competição e do filme Velozes e Furiosos.

Historicamente, o consumidor brasileiro sempre foi muito apegado às questões financeiras. Alto preço de compra, medo dos preços salgados das manutenções e dificuldade de revenda limitavam as vendas de modelos com este tipo de transmissão até o início da década passada, conhecida pela ascensão da dupla nipônica Civic/Corolla,  grandes responsáveis pela popularização dessas caixas.

Somente agora, nos últimos cinco anos, o câmbio automático caiu nas graças do consumidor e os modelos mais vendidos ganharam opções sem pedal de embreagem. Já é muito raro encontrar um modelo sem oferta de câmbio automático em sua linha. Até o VW Gol e Renault Sandero os oferecem a preços relativamente acessíveis.

Na mostra que ocorre no SP Expo, de 8 a 18 de novembro de 2018, os poucos modelos manuais expostos são esportivos como Honda Civic Si ou chineses novatos em nosso mercado, em suas versões da baixo custo. Entre as marcas consolidadas, encontrar um exemplar com câmbio manual “tradicional” fica cada vez mais raro, especialmente na faixa acima dos R$ 60 mil.

3 – AS ALAVANCAS DE CÂMBIO E FREIO DE MÃO ESTÃO SUMINDO

seletor de marchas dispensa alavanca de câmbio

Esta rodinha é o seletor de marchas do câmbio automático, Do lado esquerdo do painel, o botão do freio de mão eletrônico.

As caixas de transmissão mais antigas dependiam de acionamento mecânico para engatar e desengatar, assim como a alavanca de freio de estacionamento somente esticava e soltava o cabo que travava o freio traseiro.

Suas versões mais recentes não possuem mais a conexão mecânica, substituída por motores elétricos e/ou seletores eletrônicos para fazer o seu papel. Desta forma, as alavancas de freio de mão e troca de marchas no console central estão dando lugar a botões para acionar o freio de estacionamento de modo assistido, por seletores giratórios nas mudanças de marcha, borboletas no volante, hastes na coluna de direção ou pequenos manetes que mais parecem joysticks.

As montadoras perceberam que os condutores modernos preferem preencher o console central com porta-copos e docks para carregar a bateria do smartphone e usá-lo oara comandar a central multimídia, aprimorando a experiência de conectividade a bordo. Eliminar as velhas alavancas se mostrou uma ideia muito bem aceita por todos.

4 – FARÓIS E LANTERNAS DE LED EQUIPARÃO TODOS OS VEÍCULOS EM POUCO TEMPO

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No final dos anos 70, a maioria esmagadora dos veículos era equipada com faróis redondos. A grande inovação em design destas peças à época consistiu em formatos quadrados e retangulares.

Vinte anos depois, as lâmpadas de xenônio, lâmpadas com “canhões” em seus fachos e as peças com refletores melhoraram muito seu aspecto visual, ampliando a criatividade dos designers.

Neste final de década, faróis e lanternas de LED permitem aos estilistas a possibilidade quase infinita de criar formatos. Finalmente, aqueles modelos com aspecto futurista típicos dos filmes dos anos 80 surgem em nossas ruas. Sem a tecnologia de LED, seria tecnicamente inviável conceber formatos tão recortados como os vistos nesta mostra.

A quantidade de iluminação – interna e externa – dos modelos que ganharão nossas ruas crescerá de modo exponencial. Poucos anos atrás, a iluminação de um modelo convencional se limitava aos faróis, lanternas, luzes-espia, equipamentos de áudio e luzes de leitura.

Os modelos mais vanguardistas possuem dezenas de filetes de LED na parte externa, em todas lanternas e faróis, luzes de iluminação na parte inferior dos retrovisores, luzes de iluminação diurna (DRL´s), setas que acendem de um lado a outro (vídeo abaixo) e luzes de freio com variação de brilho conforme a força ao pressionar o pedal.

A iluminação interna ganhou filetes RGB (red, green and blue), os quais oferecem dezenas de opções de cores e as luzes de leitura aparecem em grande quantidade, assim como as telas TFT, assunto do próximo parágrafo.

Os mais conservadores dirão que os carros estão virando “árvores de natal” ou “baladas sobre rodas”.

5 – OS PAINÉIS COM PONTEIROS ESTÃO DESAPARECENDO

painel mercedes eqc

Nas exposições dos anos 1980, o ápice da tecnologia consistia em modelos com computador de bordo e painéis digitais. Os mais velhos certamente recordarão dos primeiros Chevrolet Monza, Kadett e Omega com tais tecnologias, caríssimas e muito sofisticadas para seu tempo.

Na indústria moderna, a eletrônica se expandiu em escala exponencial. Computadores de bordo e telas TFT – que mostram desenhos e números em alta resolução nos painéis – já equipam até mesmo os modelos de entrada, como o Fiat Argo.

Instrumentos que medem pressão dos pneus, velocidade média, máxima, a condição de alguns componentes e até se você está guiando de modo “ecológico” já aparecem em modelos mais sofisticados. Em carros híbridos e elétricos, elas são onipresentes. Os desenhos de árvores, “folhinhas” e outras referências ambientais aparecem em todos os modelos.

Velocímetros, marcadores de combustível, relógios e conta-giros analógicos, com ponteiros, podem ser considerados instrumentos em extinção ou vintage. Versões em telas TFT, nas quais o condutor configura os instrumentos de modo personalizados se tornarão o padrão em poucos anos.

6 – AS OPÇÕES DE RODAS E PNEUS SE MULTIPLICAM

Pretas, brancas, coloridas, diamantadas, de raios finos, totalmente fechadas, com aros cromados ou coloridos, pneus de perfil baixo (ou alto), esportivas, clássicas ou totalmente fechadas tomaram conta do Salão do Automóvel de 2018. Os modelos mais raros são os prateados, de desenho convencional, como as que equipam nossos atuais veículos.

Restritas a superesportivos e lojas de acessórios, as rodas coloridas e cheias de detalhes surgirão com força nas próximas gerações. Versões com conjuntos pretos, diamantados ou com aros coloridos já aparecem em algumas versões esportivas com pneus de perfil baixo – e alto nas com pegada off-road.

Até rodas com detalhes em couro estão presentes no Salão do Automóvel 2018.

A tendência para os próximos anos sinaliza a diminuição dos modelos convencionais, pintados na cor prata.

7 – PINTURA “BITON”

carro de duas cores rolls royce

As pinturas de duas cores – apelidadas de biton pelos designers – ganharam fama em modelos dos anos 50 e 60, como a famosa VW Kombi “saia e blusa”, os enormes “rabo-de-peixe” de origem norte-americana e modelos de luxo como Simca Chambord e Aero Willys. Após longo hiato, voltaram à moda.

Modelos como Nissan Kicks, Renault Captur e Hyundai Creta já oferecem opções de pintura de duas cores. As opiniões se dividem: enquanto alguns sonham com um modelo mais personalizado, outros acham a pintura de duas cores muito chamativa ou “cheguei”.

Como o processo de pintura biton demanda muito mais trabalho, seu custo é elevado. O adicional de preço em relação ao modelo de cor única supera os R$ 5 mil em todos os casos. Para os motoristas que desejam um modelo mais destacado, vale o “investimento”.

8 – RETROVISORES E ADESIVOS COLORIDOS VOLTARAM A APARECER

Muito populares nos anos 70, os adesivos com inscrições “Sport”, “GT”, “ECO”, “Hybrid”, dentre tantas, ressurgiram no final da década passada e se popularizam rapidamente.

Muitos fabricantes oferecem versões esportivas de seus modelos, os quais são equipados com o mesmo conjunto mecânico do modelo regular, os quais são chamados pejorativamente de “esportivos de adesivo”. Ou seja, as diferenças se resumem aos adesivos que os deixam com aparência mais instigante, e param por aí.

A grande questão reside na efetiva melhoria mecânica oferecida por alguns modelos, como o Renault Sandero RS ou o VW Golf GTI, obrigando o comprador a avaliar cada modelo de modo isolado, com o intuito de distinguir os esportivos legítimos dos outros  meramente “de adesivo”.

Outros apetrechos estéticos ganharam força desde o último Salão, como os retrovisores vermelhos, cromados e/ou com seta integrada. Grades e frisos de cores chamativas como azul e verde caracterizam algumas versões, em conjunto com adesivos que remetem às cores de modelos de competição.

As versões esportivas, aventureiras e de proposta “sustentável” recebem muitos desses adesivos e adereços com três ou mais cores, além da predominante na carroceira. Os project cars utilizam em grande escala e as séries especiais modelos de rua ganham roupagens cada vez mais coloridas.

9 – OS SUV´S JÁ SÃO MAIORIA NA EXPOSIÇÃO

Desde o lançamento do Jeep Wagoneer em 1963, os SUV´s conquistam o mercado. Até o final da década de 1990, a expansão era tímida. Desde então, este tipo de veículo ganhou corações e mentes a passos largos.

Os utilitários esportivos já são a maioria das vendas em alguns países e ganharam tanta proeminência a ponto de a Ford encerrar a venda de todos os automóveis em seu país natal, os Estados Unidos, até 2020 – excetuando o Mustang.

A onda SUV se iniciou no Brasil no final dos anos 90, com a chegada dos utilitários  e picapes importados. O modelo mais popular foi a Chevrolet Blazer, derivada da caminhonete S10. Mesmo com muitos fãs, as vendas eram baixas devido ao preço elevado e tamanho exagerado, inadequado para circular em centros urbanos.

O boom da categoria ocorreu com o lançamento do EcoSport em 2003, modelo idealizado pela montadora do parágrafo acima e líder mundial de vendas de utilitários e picapes. Um SUV compacto, mais adequado à realidade brasileira, fez com que ele reinasse sozinho durante uma década.

Desde 2015, passou a sofrer pesada concorrência a ponto de fazer o segmento de SUV´s –  que se tornou o concorrido e lucrativo do Brasil – tirando o foco de compactos e modelos de entrada.

O sucesso dos “jipinhos” dizimou três segmentos – o de peruas, minivans e hatches médios – e reduziu as vendas dos tradicionais sedãs médios. No segmento de luxo, já representa mais da metade das vendas.

As montadoras chinesas captaram o movimento e abandonaram o segmento de entrada, embarcando na onda de SUV´s, de todos os tamanhos. Por sua vez, esses novos fabricantes são o tema do último tópico desta série.

10 – A QUALIDADE DOS CARROS CHINESES MELHORA RAPIDAMENTE

Quem presenciou a chegada do primeiro automóvel made in China em 2007, a famigerada minivan Effa M100, acreditou que os fabricantes dessa nacionalidade jamais poderiam fazer frente às marcas consolidadas há décadas no Brasil. Após esta desastrosa tentativa, outros se sucederam.

Em 2011, outra tentativa mais estruturada foi empreendida pela JAC Motors, com seu compacto J3, conhecido pela barulhenta campanha publicitária com o apresentador Faustão. Outras marcas como Chery e Lifan também fizeram sua entrada de modo mais discreto.

Nesta segunda geração de veículos chineses, houve aprimoramento técnico considerável e as vendas decolaram. A crise econômica que se sucedeu a partir de 2015 derrubou as vendas de veículos no Brasil em quase 50%, e os recém-chegados sofreram bastante.

Obrigados a rever sua operação e seus produtos, mudaram seu foco de atuação do segmento de entrada para a cerejado bolo, os SUV´s. A nova leva de modelos chineses chegou ao Brasil com grandes melhoria de qualidade e preços atraentes.

Os valores competitivos e qualidade mais próxima do padrão das marcas estabelecidas a cada lançamento, os modelos abaixo têm obtido boas vendas e prometem mexer com o mercado nos próximos anos.

suv chines 2018

Este artigo do Educação Automotiva já explicou o porquê os modelos chineses devem ser levados a sério e evoluem rápido. Geração após geração, eles se aproximam dos padrões do mercado e poderão ser opção competitiva para boa parte do público em pouco tempo.

Não se esqueça do exemplo recente da Hyundai, que saiu de vendas inexpressivas em 2005 para o posto de quarto maior fabricante do Brasil em uma década.

TENDÊNCIAS

O Salão do Automóvel é e sempre foi o laboratório das montadoras instaladas no Brasil para avaliar a aceitação do público sobre as tendências da indústria. Os concept cars, modelos comercializados em outros países e superesportivos atraem centenas de milhares de pessoas para vislumbrar o futuro e relembrar o passado.

Os mais céticos duvidaram de muitas inovações de modo saudável. Muitos frequentam as exposições há décadas e relembram o que deu certo e o que “não colou”, fazendo um bom exercício de futurologia.

E você, acha que quais desses itens vão colar e quais vão sumir? Deixe seu comentário e siga Educação Automotiva no Instagram para ver as imagens de nosso acervo do Salão do Automóvel 2018!

 

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