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7 coisas que você não deve fazer com seu carro zero quilômetro

7 coisas para não fazer com seu carro zero

A maioria dos motoristas, apaixonados por carros ou não, concorda que um dos maiores prazeres automotivos existentes está em tirar um caro zero quilômetro da concessionária.

O preço estratosférico de aquisição de um veículo novo justifica todos os cuidados possíveis para preservar sua integridade mecânica e obter a performance prometida pela fábrica. Como todo “recém-nascido”, os primeiros momentos da vida de um veículo determinam a “saúde” que ele terá nos seus primeiros anos.

Para modelos novos, os primeiros mil a dois mil quilômetros, a depender da marca e modelo do veículo, são conhecidos como período de amaciamento. Os cuidados do proprietário durante este curto intervalo de ajuste dos componentes de motor, suspensão e carroceria determinarão se o exemplar atingirá os parâmetros especificados pelo fabricante.

A lista abaixo traz sete coisas que o proprietário deve fazer para zelar pela saúde de seu automóvel, motocicleta ou utilitário novinho em folha:

Antes das sete dicas, duas dúvidas frequentes precisam ser esclarecidas:

O QUE É AMACIAMENTO?

Uma máquina recém saída da linha de montagem, mas ainda sem uso, foi construída segundo os padrões de qualidade definidos pelo fabricante em seu projeto. No que concerne às peças mecânicas, estes parâmetros se chamam tolerâncias dimensionais, as quais se tratam das folgas e ajustes entre um componente e outro, medidos em décimos, centésimos, ou até micrômetros (milésimos de milímetros).

No caso específico de motores de combustão interna, cujo funcionamento consiste no atrito entre componentes metálicos, existe a necessidade de um período no qual estejam submetidos ao calor, pressão e carga gerados pela combustão.

Assim como a carga térmica e mecânica gerada pelos ciclos de combustão se mostram essenciais para o ajuste pela dilatação e recrudescimento dos materiais, o ajuste dimensional entre todas as peças por meio do atrito de umas com as outras também compõe outra componente importante para o amaciamento do motor.

O período de amaciamento consiste na quilometragem necessária para que os componentes internos do motor se ajustem e atinjam seu funcionamento pleno. Na maioria dos casos, ela varia entre quinhentos a 5 mil quilômetros, variando conforme o fabricante, aplicação e modelo.

AMACIAR O MOTOR AINDA É NECESSÁRIO?

Sim. Há cerca de vinte anos, os controles de qualidade dos motores apresentavam grande variância dimensional (diferença de folgas entre unidades distintas do mesmo motor) e maior probabilidade de falhas durante seu amaciamento. Os materiais empregados apresentavam menor resistência térmica e mecânica.

Por este motivo, seguir uma tabela de amaciamento bastante rígida era uma obrigação do proprietário, sob pena de prejudicar severamente o funcionamento do motor ou até gerar uma falha catastrófica – no popular, fundir o motor. Ela trazia a rotação máxima permitida para cada quilometragem até o final do período de amaciamento.

A redução gradual das tolerâncias em folgas e melhorias dos ajustes dos componentes levaram alguns fabricantes a dizer que o período de amaciamento não era mais obrigatório, posto que a qualidade dos motores não trazia grandes prejuízos sob a maior parte dos excessos no acelerador praticados pelos motoristas.

Apesar de a inobservância aos cuidados no amaciamento não causarem seu colapso, suas características e durabilidade podem ser comprometidas. Mesmo com a menor rigidez dos ciclos de amaciamento dos propulsores modernos, ele ainda deve ser respeitado, no intuito de obter tudo o que ele pode oferecer.

Agora que o processo de amaciamento já foi descrito e sua necessidade explicitada, vamos às sete coisas que não se deve fazer com o seu carro novinho em folha:

1 – NÃO PISAR NO ACELERADOR ATÉ O FUNDO

Em engenharia de motores, a força para baixo que a combustão gera na cabeça do pistão chama-se carga. Ela deve crescer gradualmente nos motores novos, conforme este vai se moldando ao processo de amaciamento.

O excesso de carga na cabeça do pistão antes do total amaciamento pode causar pontos quentes nos componentes internos do propulsor, desgaste irregular de partes móveis e folgas fora da tolerância de fábrica, deficiência pontual na lubrificação, dentre outros defeitos.

O fator que mais gera carga no motor consiste em pisar no acelerador até o fundo. Ao fazê-lo, o motorista sinaliza que está pedindo torque e potência totais, levando o conjunto ao máximo esforço na cabeça do pistão, o qual só deve ser exigido após o final do período de amaciamento.

Por isso, recomenda-se acelerar apenas a meia carga – ou meio pedal – durante os primeiros mil a dois mil quilômetros.

2 – NÃO SUBIR O GIRO ATÉ A FAIXA VERMELHA

Durante toda a fase de amaciamento, limitar a rotação a 3.000 a 4.500 rpm consiste na orientação básica feita pelos fabricantes, contida no manual do proprietário da maioria dos veículos modernos. Os modelos mais antigos eram entregues a seus primeiros donos com tabelas com rígidos limites máximos de rotação, gradualmente maiores a cada 500 quilômetros.

Assim, manter o motor girando baixo durante os primeiros momentos nos quais o veículo ganha as ruas consiste em boa prática para obter seu melhor rendimento.

3 – NÃO UTILIZAR O PILOTO AUTOMÁTICO

O motor em amaciamento precisa de variações em seus regimes de funcionamento para obter o melhor ajuste entre suas partes móveis. Isso posto, o sobe-e-desce natural de rotação da unidade motriz se mostra importante para que o processo atinja seus objetivos.

O controle de cruzeiro ou cruise control – também conhecido por piloto automático – tem como principal função manter a velocidade do veículo constante em rodovias. Para fazê-lo, ele se utiliza do controle automático da aceleração do motor. Caso o veículo seja equipado com transmissão automática ou CVT, o problema se agrava, devido às suas características de busca pela pouca variação no regime de giros.

A consequência da busca da manutenção da velocidade resulta na rotação constante, algo indesejável para um motor em amaciamento. Caso o condutor precise rodar longos trechos em rodovias, recomenda-se não usar o piloto automático nos primeiros quilômetros.

4 – NÃO REALIZAR PERCURSOS MUITO CURTOS

O motor deve chegar à fase quente em todas as vezes em seu período de funcionamento e isso deveria ocorrer em todos os deslocamentos. Um dos hábitos mais prejudiciais a qualquer motor, de qualquer tipo e idade, consiste em rodar por trechos curtos antes de o conjunto atingir sua temperatura de trabalho, entre 85°C e 95°C, a depender de marca e modelo.

No caso do propulsor em processo de amaciamento, este hábito se mostra ainda mais danoso, pois a lubrificação na fase fria apresenta deficiências e pode gerar danos ao motor. O hábito de acelerar o veículo logo após a partida prejudica qualquer motor, devido à falta de lubrificação neste período de poucos minutos, no qual o atrito entre as peças móveis se acentua.

Na fase de amaciamento, recomenda-se que o veículo funcione o máximo de tempo possível na fase quente. Caso haja necessidade de fazer um trajeto menor que dois quilômetros, manter o propulsor funcionando por cerca de dois minutos em marcha lenta antes de começar a dirigir facilita o pré-aquecimento, assim como manter a rotação baixa em movimento até a obtenção da temperatura ideal.

5 – NÃO UTILIZE O VEÍCULO PARA REBOQUE DE CARGAS

O grande peso adicional exige maiores solicitações do conjunto mecânico, gerando altas cargas no funcionamento do motor. Utilizar o veículo novo para reboque de cargas exige muita aceleração do conjunto motriz, em proporções muito maiores que a meia carga recomendada, em um momento no qual toda sua potência e torque ainda não afloraram.

Veículos a diesel possuem maior momento torsor, apesar do período de amaciamento mais longo. Para utilitários e veículos comerciais em geral, cuja função reside em transportar carga, recomenda-se começar pelo uso de 30% da capacidade total nos primeiros 500 quilômetros e 50% nos primeiros 1500 quilômetros. Tal recomendação varia conforme o fabricante e tipo de veículo.

Para automóveis e motocicletas de passeio, a regra de ouro consiste em não rebocar nada antes do final da fase de amaciamento.

6 – NÃO FAZER CURVAS DE MODO BRUSCO

Um veículo recém fabricado ainda não atingiu o ajuste perfeito entre os componentes de sua plataforma e carroceria. Movimentos como arrancadas, freadas, curvas e trânsito por terrenos irregulares induzem os componentes da carroceria a sofrerem as deformações necessárias ao assentamento de sua estrutura, proporcionando o comportamento dinâmico esperado, com a ajuda de pneus e suspensão.

Pneus também precisam de amaciamento. Você já deve ter observado que o pneu sem uso tem a borracha lisa, sem aquela rugosidade do componente com milhares de quilômetros rodados. Apesar de parecerem bonitos, sua aderência se mostra muito aquém do esperado.

Assim, o condutor deve evitar buscar os limites de aderência com o veículo calçado com pneus novos, pois sua borracha recebe uma fina camada de resina para facilitar seu transporte e manuseio. Esta precisa ser retirada pelo atrito com o solo, o qual levará o pneu a obter sua rugosidade normal e plena aderência.

O mesmo cuidado vale para a troca de molas, amortecedores e componentes de suspensão, os quais também demandam um período de ajuste até a obtenção de seu funcionamento ótimo pelos ciclos de amortecimento.

7 – FREIE DE MODO SUAVE

Da mesma forma que o motor, pneus, suspensão e carroceria, os freios também passam pelo período de amaciamento. Pastilhas e discos de freio recebem camadas de resina e óleo para facilitar sua limpeza e manuseio antes da montagem no veículo.

Analogamente, o sistema de freios também precisa de um breve período de uso até atingir seu pleno potencial de frenagem, durante o qual o motorista deve evitar freadas fortes e evitar danos aos materiais, como empenamento de discos e vitrificação de pastilhas devido ao sobreaquecimento.

CURIOSIDADE

Modelos superesportivos necessitam de até 5 mil quilômetros de período de amaciamento. O grande número de quebras de motor por “pilotos” os quais levam seus bólidos recém saídos da concessionária para as pistas – sem tomar este cuidado – levou marcas como a Honda a gastar tempo, mão-de-obra e dinheiro amaciando os motores de seus superesportivos NSX em dinamômetro, antes de montá-los no veículo. Este modelo é um dos poucos a pular o processo e capaz de ir direto da loja para a pista.

POUCAS SEMANAS DE VIGILÂNCIA, MUITOS ANOS DE TRANQUILIDADE

Um automóvel recém saído da loja exige que todos os seus sistemas e componentes se submetam ao processo de amaciamento. A recomendação vale para cada item substituído por um novo em separado: motores retificados, discos, pastilhas e lonas de freio recém substituídos e pneus sem uso também exigem seu assentamento antes do uso a plena carga.

Respeitar estes períodos assegura a melhor performance e durabilidade de todos os itens, assim como do veículo com um todo.

Em caso de emergência, não há problema de descumprir – vez ou outra – estas práticas a fim de preservar sua segurança e integridade. Ademais, tais situações não devem ocorrer muitas vezes durante este período de poucas semanas, justificando a observância destas recomendações tão simples.

Carros novos custam caríssimo no Brasil. Assim, desejamos que permaneçam no melhor estado possível, tanto para uso pessoal quanto para obter o melhor valor na revenda. Evitando estas sete coisas durante este curto período de amaciamento, despesas desnecessárias com combustível e manutenção são evitadas e o proprietário desfrutará de muitos anos felizes com seu veículo.

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