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As dificuldades de andar de carro esportivo. Será que é mesmo tão legal?

carro baixo

O sonho de muitos, especialmente os mais jovens, é ser dono de um carro esportivo como Ferrari, Porsche ou Lamborghini. Eles são os mais bonitos e potentes disponíveis no mercado. Superam facilmente os 300 km/h. Chamam a atenção de todos que os veem, inclusive as pessoas que não gostam de automóveis. Mas será que ser proprietário de uma dessas máquinas é só alegria?

Como tudo que é bom na vida, rodar de esportivos tem suas (muitas) agruras. Eles se dividem em dificuldades ao dirigir e custos. Nos próximos parágrafos, eles serão descritos com detalhes.

Ao contrário do que parece, dirigir um superesportivo é muito difícil, especialmente os mais antigos. Sua altura em relação ao solo varia entre 4 e 10 centímetros, o que significa que ações triviais como passar em uma lombada, valeta ou entrar/sair de uma garagem se tornam uma operação cirúrgica que necessita da ajuda de outra pessoa para orientar a manobra. Em uma desses veículos, passar em uma lombada é tão difícil quanto fazer uma baliza. Um erro pode resultar em uma saia ou para-choque danificado, um escapamento furado, roda amassada ou pneu cortado. O prejuízo costuma ficar em dezenas de reais.

Na rua, as menores irregularidades devem ser observadas, pois qualquer ondulação faz o assoalho raspar. Como a suspensão costuma ser muito rígida, cair em um buraco faz a coluna doer. Raramente é possível andar em linha reta, pois deve-se desviar cirurgicamente dos buracos. Andar rápido demais e não enxergar uma lombada ou valeta pode fazer o passeio terminar na oficina. Por outro lado, andar em estradas planas como um tapete se mostra uma experiência incrível. Mas andar em uma cidade cheia de buracos é tortura chinesa.

Controlar a aceleração e frenagem consiste em um desafio, pois ambos são muito potentes. Ao arrancar em um semáforo, deve-se esperar o veículo da frente tomar distância, pois apertar o acelerador com um pouco mais de força pode terminar em colisão. Uma apertada mais enérgica faz a velocidade crescer de maneira assombrosa, fazendo o veículo alcançar 200 km/h em poucos segundos. Essa é sua razão de existir, mas exige cuidados ao andar nas ruas estradas. O mesmo vale para a frenagem: um leve toque faz o veículo “ancorar”, parando quase imediatamente. Sensibilidade especial é requerida para guiá-los.

Nos veículos mais antigos, com câmbio manual e embreagem, esta costuma ser muito pesada, exigindo grande esforço do “piloto”. Muitos também não possuem direção assistida (hidráulica ou elétrica), o que torna o ato de guiar muito cansativo, digno de um piloto profissional. Os apaixonados por automóveis adoram isso, mas será que o motorista comum iria gostar?

Outro aspecto é a visibilidade. Como o veículo é muito rente ao chão, tem teto baixo e janelas pequenas, a sensação é claustrofóbica. Pode-se enxergar muito pouco ou nada pelos retrovisores, pois eles são minúsculos, em nome da aerodinâmica. Para fazer manobras, o auxílio de outra pessoa é necessário. Entrar e sair do veículo exige uma técnica especial, pois o habitáculo é muito justo, fim de “vestir” o condutor. Em suma, os fabricantes simulam as dificuldades de um piloto de Fórmula 1 ao guiar o seu bólido.

Finalmente chegamos na questão dos custos, que vão muito além do preço de compra. É possível encontrar Porsches e Ferraris usados por menos de R$ 100 mil. Os veículos perdem valor, mas as peças não. Um simples amortecedor pode custar o equivalente a um popular zero quilômetro. O reparo de uma colisão mais forte pode custar o preço de um apartamento de dois quartos. Seguro? Custa de 20% a 60% do valor do veículo a cada 12 meses, fora as exigências de trocar os pneus a cada 10 mil quilômetros. Ninguém faz, pois sai mais barato arcar com o prejuízo do próprio bolso. O IPVA é caro o suficiente para comprar um importado de luxo para o governo todo ano.

Manter um superesportivo é tão dispendioso que mesmo os muito ricos correm deles, e muitos preferem comprá-los no exterior e andar por lá, onde o piso não tem buracos e os custos são mais razoáveis.

No afã de fazer seu veículo comum ficar parecido com um dessas supermáquinas, muitos fazem modificações como rebaixar suspensão e turbinar o motor, replicando as mesmas dificuldades para rodar e os altos gastos de manutenção, mas sem os benefícios estéticos e de performance que os legítimos entregam. Quem não tem cão, caça com gato.

Claro que os aficionados por esportivos passam por todo esse suplício e ainda ficam felizes, mas será que a maioria dos motoristas se submeteria? Ou preferiria veículos mais confortáveis e luxuosos, como Bentley, Rolls-Royce, Jaguar e Mercedes, mais amigáveis no dia-a-dia? Dos que podem comprá-los, a maioria possui os dois tipos, rodando de sedã ou SUV durante a semana e de esportivo nas horas vagas, pois os considera “brinquedos de meninos grandes”. Esportivos são apaixonantes, mas não são para qualquer um.

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5 Comments »

  1. Não adianta ter dinheiro esse país. Tem que sair fora mesmo. Que adianta ter um super carro se não pode andar com ele direito? Eu sou apaixonado por carros. Se tivesse muito dinheiro nem teria vontade de comprar um carro desse nível. Eu já passo raiva com meu palio de tantos buracos que tem e lombadas. Imagina um carro esportivo que é baixo. Eu iria preferir sair do país.

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