Como ajustar corretamente o banco do motorista

aprenda a regular o banco do motorista corretamente

Grande parte dos motoristas considera o ato de dirigir como algo extremamente desgastante e penoso. Atribuem a causas externas, como o trânsito, a má conservação das vias e o comportamento de outros motoristas, tamanho sofrimento ao conduzir veículos.

Por outro lado, não percebem que algumas causas de tamanho estresse advêm de atitudes pessoais. Tampouco compreendem porquê outros motoristas chegam descansados após longas viagens e se colocam a curtir imediatamente, situação na qual eles terminariam em farrapos e necessitariam de várias horas para se recuperar. Qual o segredo?

Dentre tantos, pode-se afirmar que o fator mais importante consiste na regulagem correta do banco do motorista. Veja como fazê-lo nos tópicos abaixo, os quais detalharão cada uma em separado.

A figura abaixo mostra as principais regulagens do assento:

regulagens do banco do motorista educação automotiva

1 – Altura – Nos dias, a maioria dos automóveis são equipados com bancos do motorista com regulagem de altura. Este ajuste tem grande importância, pois aumenta a sensação de fadiga se feito de forma incorretas.

 

Os parâmetros de referência para a regulagem de altura são a altura dos olhos em relação à altura do painel, a qual deve permitir que a cabeça permaneça em posição reta. O condutor não deve dirigir com o banco muito baixo, afundado, o que deixa seu pescoço “olhando para cima” para enxergar por cima do painel. Esta prática causa pressão no pescoço e ombros e fadiga visual. Outra consequência consiste na falta de apoio para as coxas e o quadril, resultando em dor lombar.

No campo oposto, estão os motoristas que regulam o assento em posição muito elevada, estilo “boleia de caminhão”, sob o pretexto de “enxergar melhor o trânsito”. Estes também ficarão com o pescoço inclinado, “olhando para baixo”, levando à fadiga de pescoço e ombros, da mesma forma do condutor o qual faz um ajuste muito baixo. No caso das coxas, ocorre o oposto, com o mesmo resultado: a posição muito elevada causa pressão excessiva na parte inferior do corpo ao movimentar os pedais, causando dores de coluna e má circulação.

Em suma: a correta regulagem de altura deve deixar a cabeça do motorista em linha reta ao visualizar a via, evitando dores no pescoço e ombros; e as coxas corretamente apoiadas, sem pressão excessiva ou falta de suporte do assento. O parâmetro depende do biótipo do motorista e este deve deixá-lo livre de tensão muscular nos pontos citados, especialmente ao pressionar o pedal de embreagem e acelerador até o fundo.

2 – Distância – Atua em conjunto com a regulagem de altura. Em modelos mais antigos, os quais não possuem a primeira, se mostram ainda mais essenciais para o conforto do condutor ao dirigir, pois interferem no esforço ao pressionar os pedais.

Da mesma maneira da regulagem de altura, a distância deve respeitar o biótipo do motorista, sem ficar próximo ou afastado demais.

O assento posicionado muito próximo aos pedais, no estilo “mordendo o volante”, pode trazer (falsa) sensação de segurança, mas causa grande tensão nos membros inferiores por deixar as pernas muito dobradas e sem apoio da parte inferior do assento, resultando em grande fadiga.

No caso de distância excessiva dos pedais, as pernas ficarão muito esticadas. O resultado consiste na necessidade de maior força para pressionar os pedais de embreagem e acelerador e pressão excessiva da parte inferior das coxas na parte inferior do assento. Este ajuste fará o condutor se cansar em poucos minutos e causará grande tensão nas pernas e coluna.

Para fazer a correta regulagem de distância do assento, pressione os pedais de embreagem e acelerador até o fundo de forma a não fazer força ao esticar as pernas (muito distante) ou deixa-las muito flexionadas (muito próximo); e a manter apoio correto na parte inferior das coxas, sem pressão excessiva (muito distante) ou falta de apoio (muito próximo).

Para obter o ajuste correto, o condutor deve pressionar os pedais com ambas as pernas sem tensão muscular excessiva ou dificuldade de movimentos.

3 – Inclinação do encosto – Este ajuste se mostra fundamental para o conforto ao dirigir, pois influencia o conforto visual, a facilidade ao virar o volante e o apoio das costas no encosto, os quais aumentam ou diminuem significativamente a tensão muscular.

Para regular o encosto, o parâmetro mais importante consiste no ângulo entre braço e antebraço, o qual deve ser em torno de 120°. Ou seja, os braços não devem ficar muito esticados (inclinação excessiva) nem muito dobrados (encosto muito vertical).

Outro ponto muito importante é o apoio das costas no encosto do banco, a qual não deve ficar sem apoio (inclinação excessiva) ou muito comprimida contra o banco (muito vertical).

Posicionar o encosto de forma muito vertical, “mordendo o volante”, causa tensão na coluna e dor nas costas. Em conjunto com um ajuste de distância muito próximo e altura excessivamente elevada, com posição muito próxima ao volante, dificulta manobras de emergência e de estacionamento em lugares apertados, pois os braços muito dobrados tolhem os movimentos rápidos de esterçamento, prejudicam os reflexos e aumentam a tensão nos braços e coluna. A grande pressão da coluna contra o encosto também causa fadiga.

No outro extremo, inclinar demais o encosto, no estilo “piloto de corrida”, traz o mesmo resultado de tensão, fadiga e movimentos prejudicados. Os braços muito esticados, os famosos “braço duro”, atrapalham manobras de emergência e exigem grande esforço de braços e coluna, prejudicados pela falta de apoio das costas no encosto do banco, fazendo o condutor se cansar em poucos minutos.

4 – Altura e profundidade do volante – Infelizmente, poucos veículos possuem os dois ajustes, os quais auxiliam o correto posicionamento do assento. Boa parte possui regulagem apenas de altura, a qual auxilia bastante.

A regulagem de altura do volante permite que o motorista visualize melhor a via por cima do painel ao abaixá-lo, mantendo o pescoço e a coluna em posição reta. Deve apenas manter a distância de um palmo entre a base do volante e as coxas, a fim e não prejudicar o movimento das pernas ao acionar a embreagem, acelerar e frear.

Para os modelos com ajuste de profundidade, encontrar o melhor ângulo entre braço e antebraço fica mais fácil. Nos modelos sem esta opção, o condutor faz um ajuste de altura, distância e encosto confortáveis, mas pode ficar com os cotovelos muito esticados. Ao puxar o volante mais próximo, encontra a posição ideal de dirigir e o conforto fica favorecido.

Veículos sem ajustes de volante se mostram mais cansativos de dirigir, especialmente se também não estarem equipados com bancos com regulagem de altura. Este item aparentemente supérfluo ajuda muito a melhorar a ergonomia ao volante. Se puder, compre e o valorize.

5 – Altura do encosto de cabeça – Um ajuste muito importante, mas negligenciado pela maioria. Em caso de acidentes, principalmente impactos na traseira, o encosto de cabeça pode salvar vidas e deve ser feito pelo motorista e todos os passageiros.

O apoio de cabeça deve ficar na altura da parte de trás da cabeça, acima da nuca. Ao colocar a cabeça em linha reta em relação ao para-brisa, ela deve encostar levemente no encosto, sem ficar pressionada contra ele.

Olhando pela parte de trás do veículo, o correto ajuste mostra a parte de baixo do pescoço por baixo e poucos centímetros do topo da cabeça. O ajuste incorreto muito baixo esconde pescoço e ombros e mostra a parte de trás da cabeça, ao passo que outro, muito alto, exibe toda a nuca. Estes ajustes se mostram perigosos, pois expões os ocupantes a lesões no pescoço em impactos traseiros.

Reiterando: o encosto de cabeça deve ser ajustado por todos os ocupantes do veículo.

6 – Altura do cinto de segurança – Este ajuste é obrigatório em todos os veículos fabricados a partir de 2014 e contribui para o conforto e a segurança, especialmente das pessoas de menor estatura.

Lamentavelmente, boa parte dos condutores desconhece sua existência e dirige com a fita do cinto de segurança machucando seu pescoço (pessoas muito baixas) ou seu antebraço (pessoas mais altas). O ajuste correto deve posicionar a fita do cinto de segurança na altura da clavícula, a qual fica entre o pescoço e o braço.

Em veículos com essa opção de ajuste, os passageiros também devem fazê-lo.

Extra 1: ajuste de ângulo de coxa – Alguns veículos mais sofisticados, geralmente de marcas premium, permitem ajustar o ângulo de coxa da base do assento. Sempre lembrando do princípio do apoio das coxas, as quais devem exercer leve pressão contra a base do assento, evitando tensão excessiva com o excesso de inclinação ou a falta de apoio, ao posicionar a base do banco de forma muito horizontal, como uma cadeira.

A primeira causa tensão nas pernas e a última fará o motorista escorregar do assento em freadas.

Extra 2: ajuste de apoio lombar – outro ajuste pouco comum e restrito a modelos mais caros. Se resume a reduzir a tensão lombar e melhorar o apoio da coluna, adaptando a curvatura do encosto ao biótipo do motorista. O princípio norteador continua sendo a pressão e o apoio na coluna, reduzindo tensões musculares e aprimorando o suporte.


Outras práticas contribuem para melhorar o conforto ao dirigir e melhorar o bem-estar do condutor:

1 – Estar atento às posições corretas de segurar o volante – A simetria se mostra o princípio norteador ao segurar o volante. Sempre deve ser feito com as duas mãos, na posição “nove e quinze”, evitando levantar ou abaixar os braços em excesso e por muito tempo, pois estas práticas causam tensão muscular nos membros superiores.

Deve-se evitar segurar o volante com uma só mão. Esterçá-lo com apenas uma delas causa grande tensão na coluna e tal prática deve ser evitada a todo custo, mesmo em modelos com direção assistida e muito leve – em longo prazo, conduzir e esterçar o volante com uma só mão pode causar problemas ortopédicos.

Conduzir com ambas as mãos no volante e em posição “nove e quinze” reduz a fadiga e riscos de problemas ósseos e musculares, além de se mostrar mais seguro.

2 – Variar as posições de pernas e braços conforme for possível – no caso de o motorista permanecer muito tempo em congestionamentos ou em longas viagens, esticar braços e pernas por curtos períodos ajuda a reduzir a tensão muscular. Sempre observando as regras de segurança.

Dobrar a perna esquerda por um curto período algumas vezes ajuda a reduzir a tensão muscular, caso o acionamento da embreagem não seja necessário. Em engarrafamentos, no qual o veículo permanece parado, pode-se fazer o mesmo com a direita.

Caso seu automóvel esteja equipado com piloto automático e as condições de velocidade e tráfego da via o permitam, pode-se dobrar a perna direita com muito cuidado e atenção com a estrada, em caso de grande fadiga. Esta prática não é recomendada e deve ser usada apenas em casos de muito cansaço e com toda a atenção, retornando a perna direita aos pedais o mais rápido possível.

O mesmo vale para as mãos ao volante. Para reduzir a tensão nos braços, o motorista pode variar a posição “nove e quinze”, no meio da peça, para “dez para as duas”, segurando a parte superior, e “vinte para as quatro”, na parte inferior, por curtos períodos, sempre com as duas mãos na direção. No trânsito parado, soltar o volante por alguns momentos também contribui para reduzir a fadiga.

Em suma: a variação periódica das posturas de braços e pernas se mostra fundamental para o bem-estar ao conduzir, contanto que as condições de tráfego e do veículo o permitam.

3 – Se sentar com a coluna reta – em modelos sem regulagens de altura do volante e assento, motoristas de menor estatura apresentam alguma dificuldade de enxergar por cima do topo do volante. A saída que encontram reside em enxergar a via um pouco para o lado, deixando a coluna inclinada para um dos lados. Enfim, o motorista “senta torto” no banco, causando fadiga e problemas ortopédicos.

Outros motoristas podem sentar “tortos” no assento por diversos motivos, o que deve ser evitado a todo custo, pois compromete a segurança e aumenta o cansaço ao dirigir.

4 – Fazer paradas a cada duas horas, nó máximo – Independentemente de o percurso ser realizado na cidade ou rodovia, nãos e recomenda conduzir o veículo por mais de duas horas ininterruptas, pois a fadiga visual, a redução da quantidade de oxigênio no interior do veículo e a pouca variação de postura causam sono e cansaço visual, reduzindo os reflexos e aumentando a sensação de fadiga.

Se a pessoa estiver cansada por conta de outras atividades e/ou apresentar problemas de saúde, as paradas deves ser feitas em intervalos menores.

5 – Fique atento ao dirigir nos horários de lusco-fusco (nascer e pôr-do-sol) – Ao contrário do que prega o senso comum, dirigir à noite não se mostra a condição mais perigosa. o horário com maior índice de acidentes são os da 5:30  às 7:00 e das 17:30 às 19:00.

Percebeu a coincidência? São os horários de nascer e pôr-do-sol. Neles, há grande variação de luminosidade, o que resulta em cansaço visual, principalmente para portadores de miopia e astigmatismo, e variação rápida de incidência da claridade, causando desconforto e aumento da sensação de estresse. Redobre a atenção nesses horários críticos.

CONCLUSÃO

Muitos motoristas se queixam de que o ato de dirigir se mostra muito desgastante, mas desconhecem atitudes simples para torná-lo mais confortável. Conhecer o próprio corpo e seus limites, assim como a correta utilização das regulagens de assentos, volante e demais acessórios de seu veículo ajudam a melhorar a sua relação com o mundo automotivo. Isso não nos foi ensinado na autoescola, mas agora está acessível a todos.

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