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Dicionário GearHead – Parte 2

dicionário gearhead parte 2

LASANHA    RESTO DE RICO    CHORA BOY

APZEIRO      PIKACHU      VILEIRAGEM        COMANDO BRAVO      KIT PADARIA

                    SOCCER MOM            JDM              OEM          MACONHA    

BIG BLOCK           PONY CAR            KEI CAR          CARRO DE IMAGEM        FANBOY

Na primeira parte do Dicionário GearHead, o significado de alguns termos, jargões e gírias utilizadas com frequência entre os car lovers. Nesta segunda parte, dar-se-á sequência ao acervo de expressões mais populares:

RESTO DE RICO

dicionário gearhead resto de rico
Pelo preço de um Toyota Corolla novo, este esportivo italiano pode ser seu

Carros de luxo vendidos pelo preço de imóveis quando novos, acessíveis apenas a clientes muito abastados. Costumam sofrer forte desvalorização logo nos primeiros anos, por causa da extrema voracidade desse público por novidades. Ao adquirir outro modelo zero quilômetro, não se importam de passar para frente o anterior por menos da metade do valor original.

Já depreciados pelo tempo de uso, obsolescência e prováveis defeitos mecânicos, são revendidos para proprietários de classe média por uma fração do valor original. Como seu design demora a envelhecer, os compradores do veículo de segunda mão se comprazem em rodar em “carro de patrão”, os quais estes não querem mais.

Aí a origem da expressão “resto de rico”: carro que o primeiro dono – rico – não o quer mais e o segundo dono fica feliz em possuir um modelo premium mais antigo. 

USO SOVIÉTICO

dicionário gearhead uso soviético

Neste caso, o vocábulo deve ser levado ao pé da letra. Estes carros foram submetidos ao uso mais severo possível, à maneira dos russos. A legislação daquele país obriga todos os veículos a rodar com uma câmera a bordo. Soma-se a isso a enorme imprudência dos condutores de lá, gerando toneladas de vídeos dos acidentes mais bizarros que se possa imaginar.

Assim como no Brasil, o estado de conservação das vias russas se mostra em situação deplorável, assim como os motoristas de lá submetem seus veículos às condições de uso mais severas que podem conseguir. O mesmo vale para a manutenção, mínima ou inexistente. Por lá, o clima polar castiga ainda mais os valentes automóveis, consistindo na principal diferença entre o uso “tupiniquim” e “soviético”.

Ou seja, na Rússia, os carros visitam a oficina apenas quando deixam de funcionar, segundo constam nos registros e relatos da internet, feitos por locais e estrangeiros. Nada muito diferente do que ocorre no Brasil.

A origem da expressão “uso soviético” deriva do máximo grau de severidade das condições de uso impostas pela falta de manutenção e imprudência dos condutores, o  sofrível estado de conservação das vias e o clima rigoroso. Só os fortes sobrevivem ao uso soviético.

CASAMENTO

dicionário gearhead casar com o carro
Modelos de má aceitação pelo mercado e/ou de cores exóticas serão herdados pelos seus filhos e netos

Modelos rejeitados pelo mercado, cuja revenda se mostra extremamente trabalhosa e demorada. De modo jocoso, os car guys dizem que o comprador desses modelos de baixíssima liquidez irão “casar com o carro”, devido à enorme dificuldade de encontrar um novo dono, levando a uma relação com o carro “tão longa quanto contrair o matrimônio”.

Enfim, a origem do termo “casar com o carro” advém da enorme dificuldade de revendê-lo, obrigando o proprietário a manter uma longa relação com o “mico”. Tão duradoura quanto um casamento. Provavelmente, o automóvel passará de pai para filho e de filho para neto, como reza a antiga piada.

Outra afirma que vender um modelo renegado consiste em tarefa tão difícil quanto arrumar namorado para aquela tia na casa dos 50 anos, conferindo outra alcunha: tia velha.

Sinônimos: mico, tia velha.

XUNING

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Tuning de gosto duvidoso – ou do mais puro mau gosto. O sujeito quer personalizar seu veículo, diferenciá-lo dos demais – todos iguais, segundo ele – e deixar seu estilo pessoal.

Porém, entretanto, todavia, o tal “estilo pessoal” torna o projeto de gosto duvidoso, no melhor dos casos. Frequentemente, o resultado estético das modificações se mostra tão ruim a ponto de fazer os observadores preferirem o modelo original, sem detalhes.

Assim, “xuning” é um tuning que deu errado, cujo resultado estético piorou a aparência do carro em relação ao original de fábrica.   

Esta página do Facebook mostra uma boa amostra do “xuning” praticado no Brasil.

MANOLAGEM

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Rebaixar até ficar “socado no chão” e colocar as famosas rodas Orbitais são a essência do estilo

Um dos estilos mais populares de “xuning”, o “carro de manolo” foi disseminado pelos “chora boys”. Em resumo, sua essência consiste em privilegiar uma estética extravagante, rebaixando a suspensão o mais próximo do chão que for possível. A piada clássica afirma que as formigas precisam se abaixar quando eles passam.

Para completar a receita básica, acrescenta-se as maiores rodas que couberem na caixa original, e caso precise de mais espaço para alojá-las, não há cerimônia em cortar a lataria do carro para dar espaço para que caibam. Aqueles com orçamento mais folgado trocarão os para-lamas originais por peças de fibra, mais bojudas, uma solução mais elegante.

As rodas orbitais realmente são bonitas…originais de fábrica no VW Gol GTI. Inexplicavelmente, os manolos criaram uma obsessão por este modelo, equipando todo tipo de modelos com as clássicas orbitais, desde Fiat Palio e GM Celta a Chevrolet Camaro; há registros de  um Porsche 911 com as rodas do Gol GTI quadrado!

A “manolagem” aparenta não dar a mínima para performance, pois rodam a 30 km/h em avenidas com limite de 60 km/h, a fim de não raspar o assoalho do carro em qualquer buraco ou costela-de-vaca. Em ruas locais, abarrotadas de buracos e lombadas, raramente ultrapassam os 10 km/h e perdem rachas contra velocípedes e carrinhos de bebê, porque afirmam que “rebaixar é arte, raspar faz parte” e que ” a Volkswagen fabrica, a gente melhora”.

O pessoal dos track days, cujo foco consiste no máximo desempenho possível, trata com grande desdém este tipo de modificação, por deixar o modelo mais lento em relação ao original de fábrica.

Mesmo quando o motor recebe boa preparação, a suspensão com dois centímetros de altura do solo e rodas e pneus superdimensionados prejudicam a estabilidade e pioram a performance. Para obter a melhor performance, o correto seria manter o vão livre entre sete a dez centímetros para pista e manter e não rebaixar mais do que três centímetros para rodar na rua, a exemplo do acerto de kits esportivos de suspensão de marcas oficiais como TRD (Toyota), Mugen (Honda), Mopar (Fiat Chrysler), STi (Subaru) ou Rally Art (Mitsubishi).

Enfim, este tipo de “xuning” visa apenas a estética, de gosto muito questionável, entregando péssima dirigibilidade em todos os aspectos. Para compreender o termo com mais detalhes, vide o léxico CHORA BOY na parte 1 do Dicionário GearHead.

Sinônimo: vileiragem.

BIMMER

sistema de revisão variável BMW

Apelido carinhoso dado para os carros da BMW. No Brasil, referir-se à empresa apenas pelas duas primeiras letras da sigla é comum. Quem nunca disse que curte uma “bê ême” (pronúncia das letras BM, as duas primeiras da sigla BMW) no meio de uma conversa?

Os alemães fazem o mesmo. Ao se pronunciar rapidamente as duas primeiras letras do nome da marca em alemão, tal como fazemos aqui, fica “bí má”. Na grafia da língua teutônica, escreve-se “Bimmer”. 

Na lingua inglesa, pronuncia-se “bee em”, gerando sonoridade bastante próxima da língua alemã. Assim, convencionou-se o apelido carinhoso “Bimmer” para a BMW. A sigla significa Bayerische Motor Werk (Oficina Bávara de Motores, do alemão). Bimmer para os íntimos.

A “tribo” de entusiastas dos modelos bávaros atendem pelo apelido “Bimmer Bros” (em tradução livre, “manos da BMW”), se mostram muito fanáticos pela marca e se alastraram pelo mundo todo – infelizmente, os famigerados fanboys existem em grande número entre eles.

SOCCER MOM

dicionário gearhead soccer mom

Um termo importado dos EUA. Utilizado para descrever mulheres que utilizam seus veículos para buscar seus filhos nas escolinhas de futebol (ou qualquer outro esporte), muito populares naquele país. Estendido para os automóveis, costumam descrever as preferências automotivas das soccer moms da terra do Tio Sam, as quais recaem em minivans enormes – tais como Chrysler Pacifica – e SUV´s de todos os tipos e tamanhos.

Grosso modo, o equivalente brasileiro para este termo seria “carro de mãe”, usado para os modelos locais como Ford EcoSport, Hyundai iX35 e as antigas Chevrolet Meriva e Zafira, para citar alguns exemplos.

PIKACHU

dicionário gearhead pikachu
Civic VTi, o mais emblemático Pikachu.

Modelos esportivos da Honda, fabricados nos anos 80 e 90. Compactos e com design arredondado como o Civic VTi, recebem este apelido pela comparação óbvia com a feição redonda e “fofinha” do protagonista do desenho Pokémon e a origem japonesa de ambos.

Os hondeiros mais entusiastas comparam a agilidade do carro com o personagem, assim como a personalidade “invocada”. Do ponto de vista dos haters, a analogia também procede, mas do aspecto negativo: eles alegam que o desenho dos Hondas antigos são “pouco másculos” e seus motores “sem torque” sobem ladeiras como modelos 1.0, tão frágeis quanto o Pikachu.

GIRADOR

motor Honda VTEC GIRADOR

Termo aplicado para descrever motores cujo pico de funcionamento é atingido apenas em altas rotações. Normalmente, recebem preparações para aumento de potência e entregam alto desempenho apenas em altos regimes de funcionamento. O motor da imagem, um 2.0 do Honda Civic Si, rende 192 cv a estratosféricos 7.800 giros, marca da linha de esportivos da Honda ante 140 cv a 6.300 rpm do 1.8 da versão regular.

A grande desvantagem reside no desempenho apagado em baixos regimes de funcionamento, similares aos modelos convencionais em modelos de série, e bastante problemáticos em motores preparados para pista. No que concerne ao torque, o 2.0 do Civic Si entrega 19 kgf.m, algo semelhante aos concorrentes aspirados convencionais, não “giradores”.

Assim, o significado do motor “girador” reside no fato de entregar seu máximo rendimento em regime de giros altos, em detrimento do funcionamento em baixa rotação.

CARACOL MÁGICO

dicionário gearhead caracol mágico turbo

Apelido carinhoso para o famoso turbo, o grande responsável por fazer um motor de baixo deslocamento volumétrico – conhecida popularmente como “cilindrada” – como uma unidade de 1 litro, obter o rendimento de unidades de 2 litros, como demonstrado na figura abaixo:dicionário gearhear potencia torque ap 2.0 ecoboost 1.0

Dispositivo mais popular para aumentar a potência de uma unidade motriz, o turbocompressor tem o formato de um caracol e faz a mágica de fazer um propulsor 1.0 entregar potência e torque similares ao de outro com o dobro do volume, mas de aspiração natural.

Faltou algum termo importante? Curta Educação Automotiva no Facebook e deixe nos comentários a palavra a ser acrescida em nosso dicionário.

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