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5 curiosidades sobre os carros zero quilômetro

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Grande parte dos brasileiros sonham com a aquisição do carro zero quilômetro, mas desconhecem alguns aspectos interessantes sobre aquele possante que acabou de sair da linha de montagem para ser entregue sem placa para o feliz proprietário.

O brasileiro tem forte ligação emocional com o “cheiro de novo” do automóvel zero quilômetro, e aí vem a primeira curiosidade…

1 – O brasileiro adora o aroma de carro zero quilômetro, mas os europeus têm uma visão completamente diferente, talvez bizarra para os tupiniquins. O odor se origina dos plásticos, tecidos e borrachas recém-fabricados. Ou seja, de polímeros e compostos químicos, dos quais muitos se mostram nocivos à saúde e até com suspeita da presença de alguns cancerígenos.

Posto isso, há um grande choque cultural entre os brasileiros e europeus: enquanto nós tomamos todas as medidas para que o cheiro de novo perdure o máximo possível, os habitantes do velho continente deixam os vidros abertos durante a noite, se possível, para que os produtos cancerígenos se dissipem mais rápido. Um antagonismo curioso, para dizer o mínimo.

2 – Um veículo tem o hodômetro marcando zero quilômetro a partir do momento no qual ele recebe o último selo de qualidade na pára-brisa e deixa a linha de montagem. Dali, ele segue para o pátio, onde aguarda sua venda para o concessionário. Porém, as fábricas de automóveis se situam em grandes áreas, verdadeiras cidades.

Os automóveis recém-fabricados vão rodando até o lugar no qual esperarão ser despachados para as lojas, aproximadamente de dois a cinco quilômetros do final da linha de montagem. Ao ser faturados, devem percorrer o caminho reverso para embarcar no caminhão-cegonheira para ser preparado para entrega ao comprador. Para isso, percorre mais dois a cinco quilômetros.

Já na revenda, ocorre a preparação. Lavagem, polimento, instalação de acessórios e check-list fazem o veículo percorrer mais alguns quilômetros. Agora que você sabe por onde seu carro zero andou desde “nascer”, pode compreender o porquê recebemos nosso possante marcando 8, 12 ou 15 quilômetros no hodômetro, na maioria dos casos.

3 – Um carro só pode ser considerado zero quilômetro com hodômetro marcando até 100 quilômetros para efeitos de seguro e revenda.

4 – Desde a saída da linha de montagem até a entrega ao seu proprietário, o veículo pode ficar de 15 dias a até um ano e meio parado no pátio. À exceção dos modelos muito caros e luxuosos, eles ficam no tempo, tomando, sol, chuva, vento, calor, frio, tudo.

O tempo no qual o automóvel aguarda o seu comprador depende de algumas variáveis:

  • Situação de mercado: com mercado aquecido, os estoques giram mais rápido e o modelo raramente fica mais de um mês. O oposto ocorre em épocas de baixo volume de vendas, com média de dois a três meses para vender.
  • Modelo do carro: modelos “queridinhos” dos clientes, em cores neutras (prata, branco, preto, cinza) e em versões intermediárias vendem mais rápido em comparação com modelos rejeitados, em cores exóticas e versões muito básicas ou muito completas, que podem demorar vários meses para ter um destinatário.
  • Local de entrega: por óbvio, cidades mais distantes demandam mais tempo de transporte, e a logística mais complexa tende a aumentar o prazo que ficam em estoque.
  • Em modelos de exportação, tal característica se ressalta, posto que é necessário carregar um navio com milhares de unidades, as quais levam meses para ser produzidas. Enquanto os primeiros aguardam meses no pátio esperando a fabricação de seus “irmãos”, o processo de embarque, desembarque e desembaraço nas alfândegas pode fazer os automóveis demorarem mais de um ano até chegarem ao consumidor final.
  • As montadoras condicionam a venda de um lote de veículos fáceis de comercializar com um modelo renegado – o famoso “mico’. Para o concessionário que o recebe, a revenda dos modelos procurados compensa a perda desta unidade, geralmente um modelo de cor viva e/ou com histórico de problemas mecânicos e/ou de versões pouco procuradas. Enquanto os favoritos dos clientes chegam à loja já com dono, os renegados demoram meses para desovar. Neste post, estão alguns motivos pelos quais alguns carros viram “micos”.

5 – As vendas de carros novos têm caído no mundo inteiro. Mesmo em mercados com tradição de rejeição de veículos de segunda mão, como Estados Unidos e Europa, há uma menor frequência de troca e maior prazo de permanência com a mesma unidade. Os especialistas de mercado atribuem o fenômeno à crise econômica de 2009 e melhoria notável na qualidade, durabilidade e confiabilidade dos carros, os quais permanecem em boas condições por mais tempo.

O mesmo fenômeno se observa por aqui nos dias de hoje, levando à forte queda de um estranho costume de alguns abastados motoristas brasileiros: trocar o carro todo ano. Esse hábito bizarro ocorria devido à baixíssima qualidade e taxa de falhas dos veículos nacionais até os anos 90. Para evitar despesas e trabalho com manutenção e conservação do veículo, tais donos os vendiam e compravam outro, zero quilômetro.

À época, era possível fazê-lo desembolsando pequenas diferenças, pois a desvalorização se mostrava muito menor devido às condições econômicas de hiperinflação e demanda reprimida.

Nos dias atuais, a única justificativa para trocar anualmente o veículo consiste na vontade de ter um carro zero, pois a qualidade e durabilidade melhoraram muito e pode-se permanecer muitos anos com um veículo sem nenhuma falha, bastando respeitar o plano de manutenção. A questão da desvalorização torna a troca muito custosa, pois a depreciação pode chegar a 30%, tornando a prática insensata mesmo para quem tem boa condição financeira. Algo que mesmos os ricos evitam em tempos bicudos.

Relembre o cenário econômico dos anos 80 e 90 neste post.

Veículos zero-quilômetro possuem muitas peculiaridades, algumas legais e outras nem tanto. Pagar taxa de emplacamento e IPVA cheio não trazem boas lembranças, e mesmo assim há aqueles que fazem questão de ser os primeiros donos. Se esqueci de algo relevante, deixe sua sugestão nos comentários.

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