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Se a venda de carros movidos a diesel no Brasil fosse permitida, seria bom para o consumidor?

motor diesel em carros brasileiros

Poucos motoristas conhecem a existência de uma lei de 1976, a qual proíbe a produção de carros movidos a diesel para venda no Brasil. À época, o mundo viva a crise do petróleo e a escassez do óleo preocupava todos os governos. Os preços sofreram fortes altas em pouquíssimo tempo e afetou a economia global para sempre.

O objetivo principal da medida consistia em estimular o uso do etanol, considerada a solução para reduzir a dependência da matriz energética brasileira do petróleo e a exposição aos preços internacionais.

O PROGRAMA PRÓ-ÁLCOOL

Restringir o uso combustível fóssil para uso exclusivo de veículos pesados, como  vans, caminhões e ônibus, os principais modais de transporte de carga e passageiros do Brasil, tinha como objetivo a priorização do refino do petróleo para mover estes veículos.

Para os automóveis, motocicletas e comerciais leves estava reservado o etanol. Como o intuito de desenvolver a indústria e tecnologia nacionais, o programa Pró-Álcool pretendia substituir o uso da gasolina pelo combustível vegetal.

O MERCADO EUROPEU

Por outro lado, os carros movidos a diesel sempre foram populares na Europa, devido à maior autonomia em relação à gasolina, 30% maior, em média. Por exemplo, um mesmo modelo que faz 10 km/l com gasolina roda 13 km/l em sua versão movida a óleo.

Outro ponto de grande influência reside nos preços de combustíveis praticados naquele continente costumam figurar entre os maiores do mundo. Outra característica marcante consiste no alto torque, tornando a condução em ambientes urbanos extremamente agradável e econômica.

A desvantagem fica para a rodagem em estradas, bastante limitada pela menor potência em relação aos motores de ciclo Otto.

DIESELGATE E A ASCENSÃO DOS ELÉTRICOS

Em 2015, estourou nos Estados Unidos o escândalo conhecido como Dieselgate. As autoridades ambientais daquele país descobriram uma fraude na calibração dos motores a diesel da Volkswagen, a qual consistia em detectar as condições de teste de emissões e ativar o software de operação do motor de modo a obter a aprovação.

Em uso normal, o mapa de calibração padrão retorna e o desempenho do veículo se restabelece – e as emissões aumentam acima do limite. Após o escândalo, todos os fabricantes foram investigados e a prática foi descoberta em diversos outros fabricantes.

Este artigo aborda em detalhes como ocorreram as fraudes no Dieselgate.

Após o escândalo, o uso de motores a diesel foi pesadamente questionado sobre seu impacto ambiental. Ao final da discussão, os principais mercados consumidores – os europeus – concluíram que este tipo de motor deveria ser abandonado gradualmente e substituído por modelos híbridos e elétricos.

Para a realidade do Velho Continente, a gradual substituição se mostra possível em um prazo de trinta anos. Entretanto, mercados emergentes como o Brasil clamam a disseminação desses propulsores em seus países, clamando os benefícios técnicos e financeiros.

EUA, AUSTRÁLIA E ORIENTE MÉDIO

Nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Oriente Médio o óleo combustível é pouco utilizado, devido ao baixo preço da gasolina e desempenho menos empolgante. A preferência destes mercados dos motores aspirados e de mecânica menos sofisticada – ou complicada – em relação aos consumidores europeus.

Assim, o diesel se restringe a veículos de força como caminhões e ônibus na aplicação para o transporte de carga. A presença maciça de ferrovias reduz a dependência do modal rodoviário, reduzindo a demanda deste combustível para veículos automotores. Em países de inverno rigoroso, a maior parte da produção é consumida pelos equipamentos de calefação e usinas termelétricas.

ETANOL E BIODIESEL, PRODUTOS TIPICAMENTE BRASILEIROS

Somos o único país com uma política de incentivo de uso de etanol para propulsão de automóveis, e que consegue tornar este combustível financeiramente interessante. Em países com altos preços da gasolina, o diesel se mostra vantajoso, devido à maior autonomia (roda mais quilômetros por litro).

Em terras tupiniquins, ele enfrentará um forte concorrente: o álcool. Apesar de ter menor alcance, possui preço inferior e possui menor impacto ambiental. No que tange aos custos, não é possível fazer uma previsão, pois sua eficiência depende muito da tecnologia agregada no propulsor.

A qualidade de nosso óleo também tem grande influência. Assim, somente após longos testes realizados pelos departamentos de engenharia das montadoras comprovaria sua competitividade. As políticas tributárias dúbias também trazem insegurança aos consumidores.

O BIODIESEL

Felizmente, uma nova tecnologia está em desenvolvimento: o biodiesel. A variante vegetal do derivado de petróleo avança rapidamente e apresenta ótimo desempenho no uso comercial. Porém, sua aceitação ainda gera controvérsias.

Por sua vez, o produto derivado de óleos vegetais também causa dúvidas sobre sua qualidade e rendimento energético em uma possível mistura com o diesel tradicional. A exemplo do que ocorre na mistura de etanol da gasolina, o consumidor teme menor rendimento do biodiesel misturado ao derivado de petróleo.

COMO O CONSUMIDOR BRASILEIRO VÊ OS MOTORES A DIESEL?

Infelizmente, pela falta de conhecimento e informação dos motoristas brasileiros, pesquisas de mercado mostram que os veículos a diesel ainda enfrentam preconceito por parte de grande parcela de consumidores.

Esta motorização carrega o estigma de mover veículos lentos, fumacentos, ineficientes, barulhentos e inimigos do meio ambiente. A explicação mais plausível reside em sua utilização exclusivamente por veículos pesados, dentre os quais pode-se verificar tais problemas nos modelos mais antigos.

Os fabricantes necessitariam de forte investimento em marketing e divulgação de seus produtos tradicionais em mercados europeus, os quais contradizem o senso comum e se mostram econômicos, eficientes, ágeis e até mais ecológicos que suas versões a gasolina. Uma quebra de paradigma se mostra essencial para a aceitação pelo público tupiniquim.

QUAL A VANTAGEM PARA O CONSUMIDOR?

Grandes incentivos para que o brasileiro compre veículos a diesel consiste no desempenho urbano empolgante, especialmente nas arrancadas, excelente autonomia e menor despesa com combustível em relação à gasolina.

Por possuir componentes mais robustos, possui maior durabilidade. Com a evolução dos isolamentos acústicos, o nível de ruído interno se mostra muito próximo aos veículos de ciclo Otto. Por outro lado, seu preço de aquisição costuma ser significativamente maior que sua versão “flex” e as peças, partes se mostram mais caras.

Detalhadas todas as características dos motores diesel e gasolina/álcool, fica a pergunta: ter um carro a diesel compensa para qual perfil de uso?

  • Para quem pretende ficar com o veículo por bastante tempo, a resposta é sim, devido à sua grande durabilidade e economia de combustível.
  • Para aqueles que têm orçamento curto e/ou roda majoritariamente em centros urbanos, a resposta também é positiva, pelo menor custo geral de rodagem, grande autonomia e boa dirigibilidade em baixas velocidades.
  • Pessoas que carregam muita carga e passageiros também se beneficiarão do óleo combustível, pois possuem maior torque e não sofrem grandes alterações de consumo e desempenho com o veículo cheio.
  • Os motoristas que buscam desempenho superior e/ou rodam muito em estradas não serão bem servidos por um veículo a diesel, devido à menor potência e desempenho global inferior aos carros movidos a álcool/gasolina.

CONCLUSÃO

Em um mercado com tanta vulnerabilidade à variação dos preços de combustíveis e energia, conceder uma opção a mais para o consumidor seria muito bem vindo. O crescimento da indústria de biodiesel reduz a dependência do petróleo, principal receio dos legisladores dos anos 1970.

Com o crescimento dos SUV´s, dos quais muitos modelos já oferecem versões com propulsor a diesel e costumam vender mais que os similares de ciclo Otto, automóveis com esta motorização seriam aceitas com facilidade, posto que proporciona economia financeira.

Assim, conclui-se que se chega é que os veículos a diesel possuem um grande mercado potencial e atenderia uma vasta gama do público automotivo. Torçamos para que sejam liberados.

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