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Entenda a fraude dos testes de emissões dos carros da Volkswagen

motor a diesel TDI

TDI

Muito se fala sobre a fraude nos testes de emissões dos veículos da Volkswagen equipados com os motores EA 189, de 2 litros de deslocamento movidos a dieses. Esta unidade equipa os modelos Jetta, Passat, Tiguan, Golf, Audi A3, dentre outros. No Brasil, o único modelo equipado com este bloco é a picape Amarok. Quando ocorre algo assim, a grande maioria profere críticas sem entender o mecanismo de trapaça nos testes. O foco deste post reside em explicá-lo em detalhes.

Primeiramente, a fraude em questão consiste na implantação de uma programação na central de comando da injeção eletrônica, com o intuito de burlar os testes de emissões de poluentes necessários para homologação. Eles consistem em ciclos de rodagem padronizados, em percursos, velocidades, rotações e marchas predefinidas. O software detectava o funcionamento em tais condições, e alterava o mapeamento da injeção a fim de reduzir os níveis de emissões dos gases NOx (óxidos nitrosos) para dentro do limite permitodo para esse poluente. Como uma chave de duas fases, uma “normal” e a outra “teste”, conhecida como switch pelos engenheiros de calibração.

A fraude consiste no fato de o veículo voltar à calibração original em condições normais de rodagem, aumentando a emissão dos óxidos nitrosos de 10 a 40 vezes, nível muito superior ao permitido. Os óxidos nitrosos são os mais presentes na queima do diesel, depois do gás carbônico, e consistem no principal desafio de aprovar um veículo a óleo combustível em homologação. Os engenheiros optaram por esse artifício pois o desempenho do veículo na condição de teste se mostrava bastante inferior ao normal, ou seja, o veículo ficava muito “chocho”. Por isso, eles fizeram a tal “chave”, a qual detectava condições de pressão, temperatura, rotação do motor, esterçamento, aceleração e frenagem, via telemetria, fazendo a mudança de regime automaticamente.

Ela foi detectada dos Estados Unidos, país com legislação ambiental rígida, e abrange 500 mil unidades. Ao redor do mundo, mais de 11 milhões de veículos são equipados com a motorização EA 189, de 2 litros, movido a diesel. Por lá, muitos consumidores possuem forte consciência ambiental e valorizam veículos econômicos e de baixa emissão de poluentes. A Volkswagen, pela sua origem alemã, cosntuma ser reconhecida pelos motores eficientes. Assim, atraíram milhares de americanos preocupados com a ecologia, os quais ficaram profundamente decepcionados ao saber que adquiriram um veículo o qual prejudica o meio ambiente ao invés de preservar. Conforme relatos de publicações especializadas e sites de notícias e atualidades como Consumer Reports, Car and Driver, New York Times e Business Insider, muitos já colocaram seus veículos à venda e não pretendem adquirir outros da marca.

Então fica a grande questão: é possível resolver o problema e fazer os veículos atenderem a legislação sem artimanhas? A resposta é sim. Para isso, é necessário um trabalho no hardware (componentes físicos) dos motores, a fim de melhorar a eficiência e, principalmente, trocar o catalisador por um modelo mais eficiente, além de um trabalho mais efetivo de calibração do software de injeção eletrônica. Porém, isso tem consequências. Os componentes de motor e o catalisador, principalmente, se mostram muito mais caros que os atuais, causando elevação no preço final dos automóveis. Outra desvantagem seria a perda de performance, a qual colocaria os modelos em desvantagem em relação aos concorrentes.

E a solução mais efetiva seria o desenvolvimento de um novo motor, mais moderno, o qual atendesse a legislação sem comprometer o desempenho. Ao custo de algumas dezenas de milhões de euros. As ações da Volkswagen já caíram 20% desde a semana passada. A empresa convocará em breve os veículos para recall, a fim de sanar o problema.

Esta fraude terá impacto na indústria automobilística com um todo, pois abre precedentes para investigar os procedimentos de todos os fabricantes. Provavelmente, muitas outras serão descobertas. De escândalos como esse, os benefícios aparecerão somente no médio e ongo prazo, com a mudança na cultura das empresas e dos consumidores, resultando em veículos mais ecológicos e seguros.

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