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Tração dianteira e tração traseira: no que se diferenciam entre si e da tração integral

diferença tração dianteira traseira integral dodge challenger

tração dianteira e traseira

Todo condutor compreende que o veículo se movimenta pela força do motor transmitida para as rodas, mas a maioria não se atenta para qual eixo ela vai. Os mais informados são os donos de SUV´s, utilitários e automóveis fora-de-estrada, cientes do potencial da tração nas quatro rodas de vencer obstáculos e terrenos acidentados, mesmo que não utilize.

Os demais raramente sabem dizer se seu possante tem tração dianteira ou traseira. Você sabe qual o eixo de tração do seu carro? Sabia que isso traz grandes diferenças na dirigibilidade? Conhece a história da escolha dos eixos de tração ao longo do tempo? E que algumas marcas têm por tradição um determinado tipo? Aprenda tudo isso neste post.

HISTÓRICO

Os primeiros automóveis da indústria (conheça neste post) tinham o motor montado na traseira, sendo este o eixo de tração pela proximidade entre eles. Na década de 1900 e 1910, com o avanço dos motores e seu ganho de massa, convencionou-se montá-los na parte dianteira, surgindo os primeiros protótipos de tração nas rodas da frente.

Devido à baixa performance, com média de 10 a 20 cavalos de potência, e às estradas predominantemente não pavimentadas, os modelos de tração dianteira atolavam com frequência e se mostravam consideravelmente mais lentos em acelerações e retomadas.

Então, criou-se o paradigma de que a tração traseira era a melhor opção por “empurrar” o veículo ao invés de “puxar”, o qual perdurou até os anos 30. O Citroën Traction Avant (Citroën Tração Dianteira, em tradução livre) provou que era possível sua utilização, sendo pioneiro em seu uso.

Mesmo assim, o paradigma perdurou por décadas. Até os dias de hoje, os entusiastas da tração traseira contam grande número. Ela predominou na indústria até meados dos anos 70, época dos choques do petróleo, na qual a redução de peso e consumo viraram prioridade. Devido a uma característica da tração dianteira, descrita em seu tópico, esta se tornou a regra a partir de então.

Modelos projetados até a década de 70 possuem tração traseira em sua totalidade, inclusive compactos como Chevette. Por ter o motor montado na popa do veículo, os VW Fusca e Kombi, Renault Dauphine e Gordini e DKW também eram impulsionados pelas rodas posteriores. Muitos fãs de automóveis antigos adoram esta característica de seus Opalas, Dodges e Galaxies.

Somente modelos com tração traseira permitem manobras como burnout e “dar zerinhos” e inspiraram um novo tipo de competição, o drifting. Conheça melhor esta modalidade neste post.

Nos anos 80, um modelo inovou e quebrou os paradigmas. O Audi Quattro, um veículo criado para as pistas de rally, foi o primeiro automóvel de passeio com uma versão de rua com tração integral, algo curioso na época. O paradigma pregava que tração nas quatro rodas se aplicava apenas em jipes e utilitários fora-de-estrada, sem aplicação no asfalto.

audi quattro, o pioneiro da tração nas quatro rodas
Audi Quattro, o pioneiro da tração integral

A despeito disso, os resultados obtidos foram bastante satisfatórios e outros modelos com a solução apareceram rapidamente. Desde o então “popular” Subaru Impreza até superesportivos como o lendário Porsche 959. Ambas as empresas vendem modelos com tração integral regularmente desde então.

Nos dias de hoje, a grande maioria dos modelos possuem tração dianteira. Algumas marcas como BMW e Dodge mantêm toda sua linha com tração traseira por tradição, para a alegria dos entusiastas. Muscle cars norte-americanos como Chevrolet Camaro e Ford Mustang também se apegam à old school.

Outras, como Audi, Subaru e Porsche, oferecem versões com tração integral em automóveis por acreditar em melhor dirigibilidade e segurança. Em SUV´s e picapes, a quase totalidade possui este tipo de tração.


CARACTERÍSTICAS DE CADA TIPO

Abaixo, será feita uma breve descrição das principais features de cada tipo de tração, bem como suas vantagens, desvantagens de cada um e diferenças entre eles.

TRAÇÃO DIANTEIRA

tração dianteira esquema

O veículo com tração dianteira é impulsionado pelas rodas da frente. Sua principal característica de condução consiste em ser subesterçante, com dirigibilidade mais neutra. Isso significa ter a frente mais presa no solo, com pouca tendência de escorregar a traseira. Os engenheiros consideram este tipo mais seguro, pois a recuperação do controle da direção exige menos habilidade do condutor, se mostrando mais fácil de controlar em situações críticas.

Hoje em dia, 80% dos automóveis novos possuem tração dianteira.

Vantagens

  • Dirigibilidade mais neutra
  • Maior segurança
  • Não precisa de eixo cardã para transmitir a força para as rodas traseiras
  • Menor peso do conjunto mecânico
  • Maior espaço no banco traseiro, pois o túnel central não precisa ser tão alto

Desvantagens

  • Maior desgaste dos pneus dianteiros, pois o mesmo eixo traciona e esterça
  • Pouco desgaste dos pneus traseiros, pois apenas arrastam o veículo
  • Necessidade de fazer rodízio de pneus para compensar o desgaste entre os eixos
  • Não permite fazer manobras como burnout, drift e “zerinhos”
  • Distribuição de peso tende a ficar concentrada na parte dianteira do veículo, a deixando “pregada no chão” e a traseira muito leve.

TRAÇÃO TRASEIRA

TRAÇÃO TRASEIRA ESQUEMA

O tipo de tração preferido dos apaixonados por carros é conhecido pela propulsão feita pelo eixo traseiro, “empurrando” o automóvel. Em oposição à traction avant, ele tende a gerar sobresterço e fazer o carro “rabear”, caracterizando uma condução divertida e com grande possibilidade de criatividade do motorista.

Os engenheiros projetistas adoram o desafio de testar um modelo impulsionado pelas rodas traseiras, pois ampliam a criatividade dos demais sistemas como motor, suspensão e acerto de chassis, resultando em um veículo mais prazeroso de dirigir.

Por outro lado, também exige mais perícia do “piloto”. A tendência a “rabear” ou”sair de traseira”pode gerar derrapagens e maior dificuldade em recuperar o controle. Grande parte dos acidentes mais graves aconteceram por imprudência ou imperícia na condução de um modelo com tração na popa.

Em estradas de terra, podemos observar modelos simples como o VW Fusca, de tração traseira, vencer subidas com lama e cascalho com maior desenvoltura que carros luxuosos com tração dianteira.

Predominante no passado, a tração traseira caiu em desuso em modelos de massa, mas em  marcas de luxo, esportivos e modelos de performance, ela ainda faz bastante sucesso. A partir dos anos 80, divide espaço com a tração integral nos modelos de performance.

Vantagens

  • Prazer ao dirigir
  • Permite fazer manobras em condução esportiva
  • Desgaste uniforme entre os pneus de cada eixo, pois o dianteiro esterça e o traseiro traciona
  • Dispensa o rodízio de pneus
  • Melhor distribuição de peso, devido ao eixo cardã e à possibilidade de montagem do câmbio na traseira

Desvantagens

  • Devido à necessidade do eixo cardã para transmitir a potência para o eixo traseiro, o conjunto mecânico possui maior peso
  • A passagem do componente exige um túnel central mais alto, prejudicando o espaço para os passageiros
  • Exige maior perícia do condutor, pois se mostra mais difícil de controlar em manobras de emergência
  • Em veículos com motor central ou traseiro, tende a ser sobresterçante (“rabear”)

TRAÇÃO NAS QUATRO RODAS E TRAÇÃO INTEGRAL

tracao_4rodas

Originalmente concebida para veículos off-road,  utilitários e veículos militares, a tração nas quatro rodas tinha como objetivo vencer terrenos acidentados e atingir lugares inacessíveis por terra. Inicialmente projetado para os campos de batalha na II Guerra Mundial, seu uso civil se disseminou para o trabalho no campo.

Dos jipes, derivaram todos os equipamentos agrícolas com rodas, como tratores e pulverizadores. Ter um 4×4 se tornou um hobby para os amantes da natureza, os quais amam chegar em lugares inóspitos para automóveis convencionais. A indústria do turismo também os utiliza em larga escala, dada a sua capacidade de vencer qualquer terreno.

Conforme descrito no histórico, automóveis começaram a utilizar a tração integral a partir dos anos 80 devido à sua dirigibilidade muito neutra e excelente estabilidade em curvas. Perder o controle de um veículo de tração nas quatro rodas se mostra algo extremamente difícil, somados os controles eletrônicos que redistribuem torque e potência para as rodas de melhor aderência.

Leia também: Por que o ABS e os controles de tração, frenagem, e estabilidade são tão importantes

Em modelos esportivos como Porsche Carrera 4S e Nissan GT-R, o sistema se mostra tão eficiente que aproxima o desempenho de um motorista comum de um piloto experiente, dada a facilidade de os modelos fazerem curvas como se estivessem em um trilho e extrema complacência com erros do condutor. Os mais puristas torcem o nariz, por equiparar os “pilotos”.


Existem duas variações neste tipo de tração:

Tração nas quatro rodas, ou 4×4 ou 4WD (Four Wheel Drive): permite ligar e desligar a tração total, e possui reduzida, modo especial para terrenos mais irregulares. Ao se olhar no console central, pode-se observar duas alavancas: a de troca de marchas e a de tração, com os modos 4×2 (tração apenas traseira), 4×4 normal e 4×4 reduzida. O acionamento e desligamento ocorre em um componente chamado caixa de transferência, responsável por gerenciar a tração nas rodas.

Utilizada apenas em modelos fora-de-estrada puros. Muitos SUV´s urbanos não possuem este tipo.

Tração integral, ou AWD (All Wheel Drive): o objetivo deste tipo consiste apenas na condução neutra e segura, com foco apenas na melhoria de dirigibilidade. A tração nas quatro rodas funciona de modo permanente e não é possível acionar o modo 4×2. Possui maior capacidade off-road em comparação a modelos de tração dianteira ou traseira, mas sempre inferior a um 4×4 puro.

Este sistema é utilizado em boa parte dos modelos da Audi, Porsche, Subaru, Volvo e Mitsubishi.

Vantagens

  • Condução muito segura
  • Excelente estabilidade
  • Muito tolerante a erros de condução
  • Não é necessário fazer rodízio de pneus
  • Superior em terrenos irregulares e lamacentos
  • Boa distribuição de peso

Desvantagens

  • Conjunto muito pesado, pois possui cardã e caixa de transferência
  • Alto consumo, devido aos maiores peso e perdas mecânicas
  • Aceleração e velocidade máximas inferiores aos modelos 4×2
  • Não permite fazer manobras como “zerinhos” e cavalos de pau
  • Manutenção cara e difícil
  • Menor prazer ao dirigir

Muitos apaixonados por carros, os quais cresceram jogando Gran Turismo e Forza Motorsport como eu, agora compreendem a diferença de dirigibilidade entre os modelos FF (motor e tração dianteiros), FR (motor dianteiro e tração traseira), MR (motor central e tração traseira), RR (motor e tração traseiros, como no Fusca), AWD (tração integral) e 4WD (tração nas quatro rodas).

Os demais motoristas agora sabem como o tipo de tração afeta sua segurança e manutenção e possuem mais uma informação para tomada de decisão de compra.

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7 comentários em “Tração dianteira e tração traseira: no que se diferenciam entre si e da tração integral Deixe um comentário

  1. Excelente artigo! Tirou todas as minha antigas dúvidas.
    A propósito, também cresci jogando Forza e outros jogos de corrida. Alias, sou um apaixonado pelo gênero.

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