Os 10 mandamentos do motor turbo
Os motores turbinados apareceram pela primeira vez na década de 1930, em modelos de corrida. Ele se diferencia pelo seu componente em forma de caracol, que “empurra a mistura ar/combustível” para dentro da câmara de combustão.
Por outro lado, sua manutenção demanda cuidados especiais em relação aos propulsores de aspiração natural. Conheça os dez mandamentos que o dono de carros com motor turbinado devem seguir para garantir a melhor performance, economia e durabilidade:
Os motores turbinados dominaram o mercado de veículos zero quilômetro devido à sua alta eficiência, conferindo alto desempenho em conjunto com menor consumo de combustível. Sua maior complexidade técnica demanda maior cuidado com sua manutenção, visto que a manutenção de seu bom funcionamento depende da integridade de seus consumíveis e componentes de desgaste.
Vale enfatizar que o óleo lubrificante do motor também banha a turbina – e em muitos casos a correia dentada e outros componentes – e a integridade deste fluido é muito importante para obter a durabilidade de todo o conjunto.
Outra característica dos propulsores mais modernos, equipados com turbinas de geometria variável, consiste no regime de trabalho variável, operando com mistura ar/combustível mais enxuta, trazendo economia de combustível. Entretanto, esta característica torna o sistema de alimentação mais sensível a combustível de má qualidade, ocasionando problemas de todos os tipos em caso de uso prolongado.
Descritas estas características, vamos aos 10 mandamentos do motor turbo:
1 – USARÁS SOMENTE COMBUSTÍVEL DE BOA QUALIDADE
Vamos começar pelo conselho mais óbvio. O motor turbocomprimido apresenta sensibilidade muito maior ao combustível ruim, no que diz respeito a desempenho, consumo e durabilidade, dada à característica descrita no parágrafo anterior.
O combustível limpo, de alta octanagem, com aditivos com função detergente e com menor teor de etanol entrega o melhor dos mundos para os proprietários de automóveis turbinados. Os sistemas de injeção detectam rapidamente o combustível e costumam aumentar ou reduzir a potência e torque do conjunto de acordo a qualidade do combustível.
Alguns fabricantes, mais notadamente a BMW, possuem sistemas de revisão por quilometragem variável, de acordo com a condição de fluidos e componentes. De todas as variáveis que interferem na integridade do óleo, a qualidade do combustível é a mais importante, sem dúvida.
As características químicas do combustível interferem na integridade do óleo lubrificante, sistema de ignição, bomba e bicos de combustível, eletrônica e gerenciamento de erros no sistema de gerenciamento eletrônico. Utilizar combustível de baixa qualidade prejudica todos os consumíveis e componentes do motor, reduzindo performance, economia e durabilidade.
Sem dúvida, abastecer o veículo com combustível de boa a qualidade é o mandamento mais importante do motor turbo.
2 – SEMPRE USARÁS O ÓLEO ESPECIFICADO PELO FABRICANTE

Da mesma maneira que os motores sobrealimentados sofrem mais com o combustível adulterado, o fato de o óleo que lubrifica o motor ser o mesmo que mantém a turbina girando a mais de 100 mil rotações por minuto (rpm).
Dada a altíssima rotação da turbina, o componente mais sensível de todos, esta variante demanda lubrificantes de baixa viscosidade, os quais se mostram mais sensíveis à deterioração por temperatura, calor, qualidade do combustível, contaminantes internos e externos e respeito ao prazo de substituição.
Confira esse artigo sobre especificação de óleo lubrificante
A maioria dos motores sobrealimentados utiliza especificações como 0W20, 0W30 ou até 0W15, o que significa que se ajusta a componentes com folgas muito apertadas, assumindo a viscosidade de trabalho com mais rapidez. O ponto de atenção para essas especificações de lubrificante fica na obrigatoriedade de mantê-lo sempre íntegro e com a mesma especificação de fábrica.
Por economia ou indisponibilidade do lubrificante original, muitos motoristas utilizam lubrificantes diferentes dos recomendados pelo fabricante, expondo o motor a redução de performance, aumento de consumo, quebra de componentes e redução da vida útil do motor. A economia de dezenas de reais em óleo lubrificante pode causar prejuízos de milhares de reais em manutenção corretiva.
Manter a especificação de óleo lubrificante recomendado pelo fabricante é fundamental para a longevidade do motor turbo.
3 – NUNCA ATRASARÁS A TROCA DE ÓLEO

Conforme descrito no mandamento anterior, propulsores sobrealimentados utilizam o mesmo lubrificante para o motor e a turbina, apesar da grande diferença de funcionamento. Ao passo que o primeiro raramente trabalha acima das 6 mil rotações por minuto (rpm), a última trabalha acima de 100 mil rpm.
Esta variante mecânica utiliza óleo de menor viscosidade – em linguagem popular, óleo “mais fino”. Por este motivo, suas propriedades precisam estar sempre na melhor condição, visto que a deterioração dos lubrificantes pode causar danos às partes móveis do motor, das quais a turbina é a mais sensível.
Atrasar a troca de óleo pode ser catastrófico para o motor turbo, sendo a turbina o componente mais sensível à perda de viscosidade e contaminação por impurezas devida à alta rotação de trabalho.
Assim, o atraso na troca de óleo e filtros pode causar danos ao motor e gerar contas de manutenção bastante elevadas.
4 – MANTERÁS OS FILTROS SEMPRE LIMPOS
Assim como manter o óleo com as características preservadas, o mesmo vale para os elementos filtrantes. O ar, o combustível e os lubrificantes podem conter muitas impurezas, os quais prejudicam a qualidade da combustão, a integridade dos componentes e a durabilidade do conjunto mecânico.
O filtro de combustível deve ser trocado a cada troca de óleo, em soma ao cuidado de utilizar somente combustível de qualidade superior, com o objetivo de evitar a carbonização do motor.
O filtro de óleo deve ser trocado a cada troca do fluido lubrificante, com vistas a evitar sua degradação e o acúmulo de impurezas, preservando as propriedades químicas e, por consequência, a lubrificação das partes móveis do motor.
O filtro de ar deve ser conferido a cada troca de óleo e não pode estar obstruído, visto que as impurezas vindas do ambiente contaminam o óleo lubrificante e podem gerar carbonização. Se o veículo circula por estradas de terra com frequência, manter o filtro de ar se é ainda mais importante.
Trocar os elementos filtrantes junto com o lubrificante se mostra fundamental para a manutenção da saúde do motor turbo. Apesar de seu baixo preço de substituição, muitos motoristas negligenciam sua substituição. Mantê-los em ordem é fundamental para manter o sistema de lubrificação limpo.
5 – MANTERÁS SEU MOTOR DESCARBONIZADO

Motores turbocomprimidos operam majoritariamente com mistura ar/combustível pobre – mais ar e menos combustível – para obter o alto desempenho, em conjunto com economia de combustível. Essa combinação é a marca registrada desta categoria de unidades de potência.
A combustão sob pressão e com a injeção de menos combustível, entretanto, torna o motor sensível às impurezas contidas neste, favorecendo a carbonização na câmara de combustão, caso abastecido com combustível de má qualidade.
A perda de desempenho e aumento de consumo ocorre rapidamente após a deterioração de componentes como velas e lubrificantes, assim como a carbonização contamina o óleo do motor e turbina.
Pro isso, é importante manter a câmara de combustão descarbonizada, em conjunto com as trocas de óleo, filtros e combustível adequado. Consulte o manual do proprietário e o SAC do fabricante para fazer a manutenção corretamente.
6 – ACELERARÁS SOMENTE O NECESSÁRIO
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Os fabricantes calibram os pedais de acelerador de motores turbo para atuar em duas fases, a seguir:
1 – Fase estequiométrica: a “pontinha do acelerador”. Neste regime de trabalho, os turbocompressores trabalham com pouca pressão e em regimes de economia de combustível, com mistura ar/combustível pobre – pouco combustível e muito ar – e o mais próxima possível do regime de troque máximo. Esta fase é chamada de fase estequiométrica ou fase pobre.
O motorista que deseja economizar combustível deve permanecer na fase estequiométrica, evitando o excesso de aceleração e rotações, visando obter a melhor economia de combustível, manutenção e durabilidade.
2 – Fase de alta performance: ou ” fase rica”. Após o motorista apertar o acelerador após a metade do curso, o sistema de injeção injeta maior quantidade de combustível, com o objetivo de entregar a performance de potência máxima. Neste regime, o motor trabalha com a “turbina cheia”, com pressão máxima, e altera o gerenciamento eletrônico para extrair toda a sua capacidade.
Nesta fase, o consumo de combustível aumenta fortemente. Por exemplo, um modelo com média de consumo de 10 km/l pode ver o consumo subir para algo em torno de 6 a 7 km/l (quilômetros por litro).
7 – NÃO ABUSARÁS DAS ALTAS ROTAÇÕES

O principal trunfo dos motores equipados com o “caracol mágico” consiste na entrega de grande quantidade de torque em rotações abaixo das 2 mil rotações por minuto (rpm). Acima dos 4 mil rpm, este começa a declinar, elevando fortemente o consumo de combustível.
Isso significa que o regime de funcionamento ideal se encontra em rotações mais baixas, entre 1500 e 2500 rpm. Manter regimes de giro acima da faixa de torque máximo resulta em alto consumo sem ganho de desempenho, conforme descrito neste artigo aqui.
Diferente de outros tipos de motores, como o VTEC da Honda, manter altas rotações não favorece o motor turboalimentado, mesmo em regimes de performance máxima. O motorista deve sempre manter as rotações dentro do regime de torque máximo.
8 – FICARÁS ATENTO AOS COMPONENTES DE IGNIÇÃO

Velas, cabos de ignição e bobinas precisam estar sempre em plena capacidade de funcionamento em qualquer veículo. Nos veículos equipados com motores turbo, este cuidado se mostra ainda mais importante, vista a maior sensibilidade do propulsor a falhas de funcionamento. Componentes de ignição disfuncionais e falhas de ignição prejudicam o motor sobrealimentado com mais intensidade do que em outras variantes.
O mesmo cuidado vale para a ECU de gerenciamento de motor e câmbio – o famoso scan – o qual deve ter seus erros e falhas sempre limpos durante as manutenções preventivas. Manter o gerenciamento eletrônico em ordem é fundamental, pois se mostra a principal fonte de diagnóstico de problemas nas unidades de potência.
Manter velas, bobinas ou cabos de vela em bom estado de conservação, fazer a limpeza de erros de injeção como misfire da ECU de seu veículo e os demais componentes eletrônicos são fundamentais para manter as características originais de performance.
9 – NÃO ACELERARÁS NA FASE FRIA

Devido à altíssima rotação do turbocompressor, o motorista precisa aguardar a entrada completa do lubrificante do motor na fase quente, antes de dirigir em regime de performance máxima. Após a partida no motor, aguardar de trinta segundos a dois minutos em marcha lenta se mostra boa prática para preservar a durabilidade do motor.
Antes de dirigir o veículo turboalimentado a plena carga, recomenda-se observar o termômetro do painel e aguardar a temperatura de trabalho chegar à fase quente, entre 89ºC e 97ºC. Parte considerável das falhas de motor ocorrem devido ao motorista demandar o motor na fase fria, na qual o óleo lubrificante e a água do motor não atingiram a temperatura ideal.
Na fase fria, o motor consome mais combustível para chegar à temperatura de trabalho, emitindo maior quantidade de poluentes. Além do maior desgaste das partes móveis do motor, acelerar o veículo na fase fria agrava as emissões de gases e consumo de combustível.
Para preservar a durabilidade do motor, reduzir consumo de combustível e emissão de poluentes, o condutor deve rodar com suavidade enquanto o motor estiver frio e aguardar a temperatura ideal para aproveitar a potência de seu motor turbo.
10 – EVITARÁS O SOBREAQUECIMENTO A QUALQUER CUSTO

A maior sensibilidade a descuidos na manutenção e uso do veículo está descrita em todos os itens anteriores. Para finalizar o artigo, vamos falar sobre os condutores que buscam emoções fortes geradas pelo “caracol mágico”.
O sobreaquecimento é o pior inimigo de qualquer motor e caixas de transmissão. E como em todos os mandamentos anteriores, o motor turbo sofre mais com o superaquecimento que os demais, devido à sua complexidade.
O condutor deve ficar atento à condução nas quais acontecem acelerações e frenagens rápidas, com grande variação na pressão da turbina e regime de funcionamento, podendo causar superaquecimento e desgaste de componentes. Os fabricantes compreendem a gravidade do problema, e muitos utilizam gerenciamento eletrônico para proteger o conjunto, reduzindo sua potência ou solicitando ida à oficina.
A condução em regimes de demanda total de potência e torque gera muita variação em pressão do turbo, injeção de combustível, circulação de água e óleo no motor, com muitos picos de demanda de todos os componentes. Esse tipo de exigência favorece o superaquecimento do motor, o expondo a falhas de todo tipo.
O motorista deve mater atenção dobrada ao superaquecimento do motor turbinado. Em caso de superaquecimento ou restrição de potência, o condutor deve desligá-lo imediatamente para evitar danos ao conjunto mecânico.
CONCLUSÃO
Os 10 mandamentos do motor turbo se aplicam a todos os veículos. Porém, a maior sensibilidade a descuidos na manutenção deste tipo de mecânica é desconhecida de muitos proprietários, especialmente na frequência de manutenção, troca de óleo e, principalmente, qualidade do combustível.
Motores 2.0 turbo de quatro cilindros entregam o mesmo desempenho de outros de seis cilindros, sem grande aumento de consumo em comparação com suas variantes aspiradas, obtendo eficiência energética muito superior. Para a mágica acontecer, são necessárias soluções tecnológicas para extrair o máximo do combustível.
E para manter a eficiência e durabilidade do seu modelo equipado com o “caracol mágico”, o proprietário precisa seguir os 10 mandamentos de manutenção do motor turbo.




Excelente post!
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