Ir para conteúdo
Anúncios

Como funciona o sistema de revisão variável da BMW

sistema de revisão variável BMW

A BMW inseriu em seus modelos da Série 3 uma inovação bastante inteligente do ponto e vista de engenharia: o sistema de revisão variável.

Ele promete estender a distância entre manutenção para até 12 mil quilômetros para os motoristas mais cuidadosos. Entretanto, há casos nos quais o “feliz proprietário” é chamado à oficina antes dos 3 mil quilômetros rodados, causando indignação e a sensação de terem sido ludibriados pela marca.

Seu funcionamento se baseia no modo de condução do motorista, qualidade dos fluidos como óleo lubrificante e combustível, velocidade média, rotação média do motor e detecção da predominância de ciclo urbano ou rodoviário. Estes são apenas alguns parâmetros aferidos pela telemetria de última geração do modelo para calcular a distância percorrida pelo automóvel até o momento de levá-lo à oficina.

Conheça com maior profundidade os demais indicadores medidos pelo moderno – e controverso – sistema de revisão variável estreado pela BMW Série 3, a qual está causando a ira de alguns proprietários.

sistema de revisão variável BMW

Na indústria de máquinas e equipamentos, o conceito de manutenção preventiva se encontra em processo de substituição por outro mais moderno: a manutenção preditiva. Clique aqui para aprender mais sobre ele. A indústria automobilística também aderiu a ele e a revisão variável da BMW consiste em sua primeira versão prática.

Sua promessa consiste em reduzir o prazo de parada do veículo para manutenção e redução do número de falhas e defeitos. Em tese, o proprietário frequentará menos a oficina e correrá menor risco de ficar na rua. No mundo real, a última condição tem se confirmado e, com a primeira, o resultado tem sido o exato oposto. Mais vezes na oficina, menos quebras no meio da rua.

HORAS DE FUNCIONAMENTO E DATA DA ÚLTIMA REVISÃO

Existe uma discussão entre os profissionais da área de manutenção e durabilidade: medir o prazo de chamada à oficina para manutenção por distância ou horas de funcionamento. Leia aqui sua visão sobre o tema.

Sabe-se que os fluidos lubrificantes e carburantes possuem prazo de validade e devem ser trocados em prazos máximos, independentemente da distância percorrida e do número de horas em funcionamento.

Então entra a primeira inovação do sistema de revisão variável: os computadores do veículo são equipados com horímetros e calendários, os quais contam o número de horas de funcionamento e a data da última manutenção, respectivamente. Ao final, estes dois dispositivos “convocam” os veículos a fazer uma visita à oficina com baixa quilometragem, como nos três exemplos abaixo:

1 – TRÂNSITO PESADO

Um veículo que circula a maior parte do tempo no trânsito pesado das grandes cidades funciona durante muitas horas a uma velocidade média baixíssima, como 12 km/h. Uma vez extrapolado o limite de horas de funcionamento em marcha lenta – mais prejudicial ao motor – ocorre a chamada para revisão com quilometragens tão baixas como 2500 quilômetros.

2 – CARRO DE GARAGEM

Outro exemplar que roda apenas dois dias por semana, por distâncias muito curtas em vias locais, cujo limite de velocidade é de 30 km/h, também está submetido a uso severo. Como circula em velocidades médias e rotação média muito baixas, antes de o motor atingir sua temperatura ideal de trabalho, ele sofre desgaste mais acentuado. O corolário consiste em chamadas para manutenção em distâncias como 1500 a 2000 quilômetros.

Será que comprar um carro de garagem é bom negócio? Descubra neste link.

3 – FORA-DE-ESTRADA

Unidades as quais percorrem estradas de terra com frequência também visitam a oficina mais cedo. Não apenas devido às baixas velocidade e rotação médias, mas devido à contaminação dos fluidos lubrificante e filtros pela poeira e sujeira do ambiente, também aferidas pela telemetria. Esta terceira condição de uso “soviético” também influencia negativamente o prazo das manutenções do seu sedã bávaro.

INFLUÊNCIA DO MODO DE DIRIGIR DO PROPRIETÁRIO

Evidentemente, o modo de guiar de cada motorista influi na rotação média do motor, determinante para o cálculo do número de ciclos. Após estudar este importante fator comportamental, a BMW implantou para os modelos da Série 3 um sistema de prazo de manutenção variável, baseado no modo de dirigir do motorista.

Conforme mencionado anteriormente, o sistema se baseia em fatores como rotação média, velocidade média, temperatura média de funcionamento, viscosidade do óleo, tipo e qualidade do combustível utilizado, ocorrência de acelerações bruscas, dentre outros. Como o modelo possui telemetria bastante completa, é possível implantar tal sistema com eficácia.

Apesar de tecnicamente corretos, os critérios têm causado insatisfação em muitos clientes, devido à sua rigidez. Uma rápida busca no Google comprova isso.

Os três casos abaixo retratam como aquela importante peça entre o banco dianteiro esquerdo e o volante indica se a luz-espia em formato de chave de boca acenderá mais cedo:

1 – TRACK DAYS

BMW´s são carros extremamente prazerosos de dirigir, o que os leva a ser uma das melhores pedidas para track days. Da mesma forma como rodar a velocidades e rotações muito baixas antecipam as manutenções, rodar no limite da performance do veículo se mostra em regime ainda mais severo.

Pilotando no limite, a velocidades médias superiores a 140 km/h e rotações médias como 5.200 rpm, este exemplar frequentará a oficina a cada 2 mil ou 3 mil quilômetros.

2 – PÉ DE CHUMBO X PÉ DE PENA

Em seguida, aborda-se um caso de uso normal. Um motorista acostumado a arrancar e frear bruscamente certamente visitará a concessionária antes de seu colega adepto do smooth ride – em português “o colega que ‘anda de boa'”. O condutor que guia de modo mais agressivo será “intimado” a parar seu exemplar de 2 a 3 mil quilômetros antes de seu colega mais zen.

Naturalmente, acelerações, frenagens e mudanças de direção mais bruscas provocam desgaste mais rápido dos componentes, e o sistema de revisão variável detecta estes parâmetros.

Este artigo descreve como os motoristas mais inteligentes economizam no combustível e prolongam o prazo de ida à oficina. Leia aqui.

3 – O ESTRADEIRO

Para finalizar os cases sobre a influência do condutor, tratar-se-á do motorista que trafega a maior parte de sua quilometragem em rodovias com limites de velocidade entre 80 km/h e 120 km/h, sempre os respeitando. Provavelmente, este se tornará o único perfil que conseguirá atingir o prazo prometido de revisões a cada 12 mil quilômetros rodados.

A principal condição para atingir a meta reside em abastecer o automóvel com combustível e lubrificantes de boa qualidade. A velocidade média elevada e rotações médias e constantes favorecem o funcionamento ideal do motor e alongamento do tempo entre as manutenções.

CUIDADOS COM O COMBUSTÍVEL E MANUTENÇÃO

Após toda a explanação sobre mecânica, a parte química do motor também tem sua contribuição para a durabilidade do motor. Neste aspecto, o senso comum já conhece a maior parte dos cuidados – apesar de muitos proprietários não segui-los por preguiça, descuido ou falta de disposição de gastar para fazê-los.

A qualidade do combustível, o respeito à especificação e aos prazos para a troca de óleo, filtros e demais componentes mecânicos também se mostram fundamentais:

COMBUSTÍVEL

O tipo e qualidade do combustível pode ser determinante para a extensão da vida útil do motor. O uso sistemático de gasolina com solventes e/ou álcool com quantidade de água superior à determinada pela ANP pode fazer a durabilidade cair para menos da metade em propulsores bicombustíveis aspirados. O fato de não ocorrer queda perceptível de performance não significa que o combustível de baixa qualidade não os prejudica.

O caso dos motores mais avançados, equipados com turbocompressor e injeção direta de combustível, pode ser ainda mais catastrófico ao serem alimentados com combustível adulterado. Devido à sua grande sensibilidade, essas unidades podem apresentar problemas graves ao receber apenas dois ou três abastecimentos com o produto de baixa qualidade.

Um indício de que seu importado sobrealimentado não deve retornar àquele posto consiste na perda significativa de desempenho, conjuntamente ao forte aumento em seu consumo.

ÓLEO LUBRIFICANTE E FILTROS

O óleo lubrificante se mostra tão importante quanto o combustível na manutenção da saúde e longevidade dos motores. Utilizar sempre a especificação de fábrica, adequada a cada quilometragem, representa um mandamento para garantir a durabilidade.

Evitar o adiamento das trocas também constitui obrigação do proprietário para obter a durabilidade prometida pelo fabricante. Aquele atraso de mil quilômetros a cada a troca pode reduzir a vida útil do motor em longo prazo.

Alguns usarão a desculpa de que venderão o veículo antes desta ocorrência e não precisam ser tão rigorosos com os prazos, mas há uma importante exceção: a dos modelos turbinados e/ou que utilizam lubrificantes de baixa viscosidade, como 5W20.

Um dos fatores que proporcionam a performance superior destas unidades motrizes consiste no menor atrito entre suas partes móveis, obtidos pelo óleo de menor viscosidade. Por sua vez, o preço deste benefício reside no maior respeito aos prazo de troca de óleo devido à sua deterioração mais rápida.

Em suma, se seu motor turbo pede a substituição do lubrificante e filtros a cada 5.000 km, jamais se deve postergar a troca por 500 ou 1000 quilômetros além do prazo, pois os danos podem ocorrer rapidamente. Especialmente para os condutores que apreciam a direção esportiva, no limite do motor. O resultado pode ser o colapso (fundir o motor).

Uma economia que pode sair caro reside no esquecimento ou economia na troca de filtros de ar, óleo e combustível. Sua função consiste em reter as impurezas dos fluidos admitidos no motor, os quais podem ficar impregnados na câmara de combustão, causar falhas e defeitos e reduzir sua vida útil.

COMPONENTES MECÂNICOS DO MOTOR

Manter todos os componentes mecânicos e itens de desgaste com a manutenção em dia se mostram fundamentais para assegurar a durabilidade de fábrica.

Manter velas e cabos de vela em ordem garantem a queima ideal de combustível, preservam a performance e consumo originais e evitam as famigeradas detonações (“batidas de pino”), misfires (falhas na combustão) e backfires (estouros causados pela combustão incompleta).

Problemas na queima de combustível causados por falhas nesses componentes causam carbonização da câmara de combustão e acúmulo de impurezas em todo o motor, reduzindo sua vida útil.

Trocar todas as correias no prazo especificado pelo fabricante também se mostra mandatório para a preservação da saúde do motor. Correias sem as características  mecânicas originais podem gerar folgas nas partes móveis no motor, especialmente o cabeçote, gerando perda de compressão na câmara de combustão.

RESULTADO MÉDIO PARA O MOTORISTA COMUM

Em tese, a marca promete a dilatação da quilometragem de manutenção para até 12 mil quilômetros. Na prática ela acaba ocorrendo a cada 5 mil ou 6 mil quilômetros, devido ao uso individualizado de cada unidade. Em casos nos quais o condutor gosta de andar rápido e/ou solicitar muita performance do veículo, a chamada pode ocorrer em até 3 mil quilômetros.

Os poucos proprietários que conseguiram postergar a manutenção para o prazo de 12 mil quilômetros relatam dirigir a quase totalidade da quilometragem em rodovias, velocidade média de 90 km/h a 100 km/h, com gasolina premium no tanque. Uma conjunção de fatores positivos muito improvável.

Na prática, pouquíssimos motoristas conseguem obter um prazo tão dilatado como 12 mil quilômetros entre as revisões, geralmente aqueles que percorrem grandes distâncias em rodovias em boas condições de conservação.

Por outro lado, os motoristas que expõem seu veículo a condições de uso severo – os quais desconhecem o fato na maioria das vezes – devem revisar seu veículo em prazos curtíssimos. Neste grupo se encontram a maior parte dos críticos do sistema, os quais não reconhecem seu papel em preservar a integridade mecânica do automóvel.

Para o proprietário médio, permanece a média de levar seu modelo à oficina a cada 5 mil ou 6 mil quilômetros. Este resultado confirma a decisão dos departamentos de engenharia de chamar seus exemplares para troca de óleo e elementos filtrantes neste prazo, mesmo sem um sistema de telemetria sofisticado com o que equipa as BMW Série 3.

Todavia, a maioria dos donos afirma que não há grandes diferenças na frequência de revisões entre estes modelos e os demais, não enxergando o real valor do sistema.

  AFINAL, O SISTEMA É BOM?

Em linhas gerais, o sistema de manutenção variável implantado pela BMW consiste no início da manutenção preditiva em automóveis, o qual visa a reduzir a quantidade de quebras e aumento da confiabilidade dos veículos, assim como a dispensa de troca de itens ainda em boas condições, reduzindo – em tese – os custos de manutenção.

A polêmica gerada em torno do sistema se deve a falta de treinamento de alguns concessionários, os quais afirmavam que o prazo de manutenção era a cada 12 mil quilômetros, desconhecendo o funcionamento do sistema, ou afirmando que este poderia ser de ATÉ 12 mil quilômetros, gerando falsas expectativas nos clientes.

Bastaria prestar melhores esclarecimentos aos compradores para dirimir tais dúvidas, como se faz atualmente em toda a rede concessionária.

No futuro, o prazo flexível de troca de óleo, filtros e demais itens de desgaste se tornará o padrão da indústria, conforme mais modelos recebam os computadores telemétricos. A transição da política de manutenção preventiva para a manutenção preditiva veio para ficar e se mostra um avanço sem caminho de volta.

 

Anúncios

5 comentários em “Como funciona o sistema de revisão variável da BMW Deixe um comentário

    • Olá Rafael.

      Estes números significam que você está seguindo as recomendações da fábrica e faz um uso normal do carro, pois estão muito próximos do intervalo entre revisões de 12 mil quilômetros prometido pelo fabricante.

      Obrigado pelo comentário

      Curtir

  1. Bom dia
    Tenho uma X1 2017-2018.
    Utilização mista – estrada e cidade. Minha esposa tem uma direção mais tranquila na estrada (média de 100 km por hora). Eventualmente quando a dirijo, mantenho velocidades mais altas (120-140 km / h).
    Agendei a primeira revisão que ocorrerá com 8200 km e 7 meses de uso.
    Em comparação ao tradicional (a cada 6 meses ou 10 mil km), pouca coisa mudou.

    Curtir

    • Bom dia Jorge.

      A proposta do sistema de revisão variável é preservar a integridade mecânica dos carros expostos a condições de uso severo.

      Para uso normal, os prazos são parecidos com os demais fabricantes.

      Obrigado pelo contato

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d blogueiros gostam disto: