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Cuidados a se tomar com motores turbo

turbocompressor por dentro

Depois de muitos anos de acompanhamento da tecnologia dos motores turbo, o consumidor brasileiro começa a comprar veículos equipados com este propulsor em grande escala. Muita força nas arrancadas e retomadas, performance excepcional e elasticidade, aliadas a baixo consumo, surpreendem até os mais céticos. Os proprietários destes veículos se mostram plenamente satisfeitos com o ótimo desempenho aliado a grande economia, em sua maioria. Conhecem os benefícios e poucos voltariam a ter um aspirado.

Apesar de grande parte dos motoristas ainda se mostrarem presos aos antigos preconceitos contra os sobrealimentados, como “carro de boy”, “não preciso de tanta potência, não gosto de correr”, “motor turbo quebra muito”, dentre outras afirmações sem respaldo técnico, o avanço desta tecnologia se mostra irreversível.

Considerando que a nova legislação de emissões de poluentes entra em vigor este ano, e sem a aplicação de turbocompressores não há possibilidade de ela ser cumprida. Gostem ou não, motores aspirados cairão em desuso nos próximos anos, fenômeno em fase avançada na Europa. Somente os híbridos e elétricos podem desafiar os sobrealimentados em performance e consumo, mas o alto preço das baterias ainda restringe seu uso. O motor turbo é a bola da vez.

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Após esta breve introdução, vamos ao ponto central do post. Aqueles que já possuem um veículo com motor turbo ou pretendem comprar um precisam conhecer as peculiaridades e cuidados desta tecnologia que encanta, mas também tem suas exigências. A lista abaixo detalha as mais importantes:

1. Atenção com a troca de óleo: os motores sobrealimentados exigem que os intervalos de troca de óleo sejam rigorosamente respeitados, pois utilizam um lubrificante de menor viscosidade (“mais fino”), pois são projetados para trabalhar com maiores variações de rotação. Como o fluido também é utilizado pelo turbocompressor na maioria dos modelos, esta especificação se mostra necessária.

Esse tipo de fluido menos viscoso perde suas propriedades rapidamente e não admite demora em sua substituição, sob riscos de danos ao motor, ao turbocompressor e/ou desgaste prematuro de ambos. Em aspirados, a troca de óleo pode ser adiada por até 500 quilômetros sem grandes riscos. Porém, recomenda-se fortemente não adiar a troca de óleo no caso dos turbinados em hipótese alguma, pois este se mostra muito sensível a problemas de lubrificação.

2. Gasolina aditivada é uma necessidade: a maioria dos motoristas que utilizam gasolina aditivada em seus veículos o fazem por zelo, com o intuito de prolongar a vida útil do motor, mesmo sem ganhos de desempenho e consumo. Mas no caso dos sobrealimentados, ele se mostra item essencial, devido à grande sensibilidade deste propulsor ao combustível de má qualidade.

Isso se deve a uma tecnologia acessória ao turbocompressor: a injeção direta. Ela tem aplicação na maioria dos sobrealimentados devido aos benefícios em economia e ganho de performance, mas traz a desvantagem da exigência de combustível de maior octanagem para obter todo o seu potencial. Caso o motorista abasteça com combustível adulterado, a queda de desempenho com grande aumento de consumo será sentida imediatamente, mesmo pelo motorista mais desatento. O uso de combustível de má qualidade de forma sistemática pode causar sérios problemas mecânicos, mesmo com baixa quilometragem.

3. A manutenção deve ser feita rigorosamente dentro do prazo: claro que esta regra vale para qualquer veículo, mas os turbinados exigem ainda mais atenção. Devido à sua conhecida sensibilidade, qualquer componente desgastado ou avariado trará notável perda de performance, muito mais perceptível se comparado aos propulsores aspirados. Enquanto estes resistem por mais tempo rodando em condições adversas de manutenção, os primeiros podem apresentar defeitos ou até fundir em pouco tempo.

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Os itens abaixo tratam do aspecto financeiro dos motores turbo.

4. Uma simples troca de óleo pode sair por R$ 500 ou mais: motores sobrealimentados utilizam lubrificantes mais elaborados e, portanto, (bem) mais caros. Enquanto os prestadores de serviços automotivos cobram cerca de R$ 200 para a troca de óleo e filtros um veículo aspirado, ela pode dobrar ou até triplicar de preço nos motores turbo. Os filtros também precisam ter tecnologia mais avançada, pois precisam ser menos restritivos no fluxo de ar e fluidos, ao mesmo tempo em que filtram com maior eficiência.

5. Itens de desgaste também custam muito mais: lembrando que me refiro apenas aos do motor, como velas, cabos de vela, correias, tensores e retentores, os quais precisam ser substituídos com quilometragem determinada. Um jogo de velas pode custar de R$ 400 a R$ 1.200, ante R$ 100 a R$ 250 dos destinados a motores aspirados. Um kit de correias pode custar até R$ 3.000, ante R$ 500 de modelos “convencionais”. Limpeza de bicos e fluidos do radiador também apresentam sobrepreço.

Por outro lado, peças não relacionadas ao motor também podem custar mais de modo indireto, pois a melhoria da performance pode exigir suspensão mais estável, com componentes mais elaborados, e/ou freios de maior capacidade. Esses itens costumam ter maior preço de substituição, mesmo não mantendo relação direta com o motor.

Em suma, prepare o bolso para cuidar da manutenção do seu turbo. Mas o mais chocante consta no item abaixo:

6. Peças de reparo custam muito mais: os itens de desgaste se mostram mais caros e não há como fugir desta despesa. Por outro lado, as peças de reposição como juntas, aneís, mangueiras e outros periféricos possuem preços mais altos e despesas com a substituição desses componentes podem ser evitadas com a correta manutenção. Em caso de danos sérios ao motor, no qual seja necessária retífica de motor ou cabeçote, o reparo custará uma pequena fortuna, com valores na casa das dezenas de milhares de reais. Em importados de luxo, o valor do conserto custará o mesmo que um carro popular zero quilômetro.

Os componentes de motores turbo se mostram muito mais custosos devido à maior carga a qual estes são submetidos, exigindo a aplicação de materiais como titânio e ligas nobres. Sua construção também se mostra mais sofisticada, com folgas justíssimas entre as peças móveis, tornando sua fabricação mais custosa. A tecnologia avançada cobra mais de seus proprietários e exige mais rigor nos cuidados com o motor.

7. Para quem pretende comprar um veículo turbo usado: Neste tópico, faço um alerta aos que pretendem adquirir um veículo com motor turbo seminovo ou usado. Seja rigoroso na avaliação do motor. Pergunte ao atual proprietário sobre as manutenções, como ele fazia as trocas de óleo, se ele utilizava o lubrificante especificado pelo fabricante, qual combustível ele costuma utilizar, e pergunte até em que posto ele costuma abastecer. Verifique os itens de desgaste, como filtros, correias, velas, coxins e retentores.

Caso seja possível, peça para um mecânico especializado avaliar as juntas de vedação e verificar se não há vazamentos, em especial da turbina, antes de fechar negócio. Após a aquisição, recomenda-se trocar o óleo e filtros em qualquer caso. Para veículos com mais de 30 mil quilômetros, a troca de velas, cabos de vela, correias e limpeza de bicos deve ser feita imediatamente após a compra, com o intuito de preservar o motor.

ATENÇÃO:Para os propulsores com injeção direta, há um componente crítico: a bomba de alta pressão. Esta peça serve para aumentar a pressão do combustível antes de ser injetado diretamente na câmara e pode ser comprometida em caso de uso sistemático de combustível de má qualidade. Deve-se prestar atenção redobrada neste componente, pois seu custo de reparo gira em torno de R$ 2.000 com a mão-de-obra.

ATENÇÃO 2: Apesar de não ser um componente de motor, observa-se com frequência a utilização de câmbios de dupla embreagem em conjunto com motores turbinados. Este tipo de transmissão apresenta defeitos frequentemente, em geral devido à condução mais agressiva por parte do proprietário anterior. Seu custo de substituição é de cerca de R$ 1.500.

Exemplos de modelos populares que utilizam motores turbo são os Volkswagen Golf, Jetta e Passat, Ford EcoSport, Focus e Novo Fusion, Audi A1, A3, A3 Sedan, A4 e A5, Mercedes Classe A, CLA, GLA e C e BMW Série 1, 3 e 4, dentre muitos. Honda e Chevrolet lançarão veículos com motor sobrealimentado ainda esse ano.

Conclusão: os motores turbo exigem rigor na manutenção e uso de combustível de qualidade, e possuem maior custo de manutenção. Exigem maior cuidado, sob pena de o motorista gastar milhares de reais em reparos. Tomadas as devidas precauções, necessárias para qualquer veículo, os benefícios dos propulsores sobrealimentados se mostram evidentes: excelente desempenho, aliado a baixo consumo e menor emissão de poluentes. A tecnologia agrada a todos: os que gostam de andar rápido, os que querem economizar com combustível, os que querem conforto ao rodar e os que zelam pela consciência ambiental.

O turbo cresce a passos largos no presente e será o padrão na maioria dos veículos em um futuro próximo. Não podemos deter o avanço tecnológico, especialmente com os grandes benefícios que o turbo proporciona.

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