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A ascensão do câmbio automático

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Até vinte anos atrás, o câmbio automático era considerado um equipamento de luxo, típico de carros premium alemães, americanos e japoneses. Apesar de alguns modelos nacionais como VW Santanta e os Chevrolet Monza, Opala, Vectra e Omega o ofertares, os consumidores apresentavam sérias ressalvas com relação a essas caixas, pois ofereciam desempenho bastante inferior, com consumo alto, baixa confiabilidade e manutenção caríssima. Naqueles tempos, o brasileiro torcia o nariz para os automáticos, definitivamente.

A evolução da tecnologia, no final dos anos 90, trouxe alguma aceitação entre os consumidores mais ricos, junto com alguns lançamentos de caixas mais modernas (para a época), como a Automatic-4 pela Chevrolet, o Tiptronic da Volkswagen e as caixas japonesas da Aisin, que equiparam diversos modelos, com ótima confiabilidade. Neste período, os automáticos viraram o jogo.

Junto com a melhoria técnica, o preço também ficou mais acessível. Da exclusividade dos modelos de luxo, passou a ser popular entre sedãs e SUV´s médios em pouco tempo. Hoje, um veículo dessa categoria tem quase obrigação de ser equipado com tal transmissão, e a caixa tradicional virou “mico”. Entre os modelos de entrada, a opção com pedal de embreagem ainda predomina na preferência do consumidor, mas a grande maioria dos modelos oferece a opção automática. Por cerca de R$ 40 mil, é possível adquirir um carro automático ou automatizado zero quilômetro.

No mercado de seminovos e usados, sua procura se mostra cada vez maior, especialmente nas grandes cidades. Com a piora nas condições de tráfego, os motoristas querem conforto, independente do valor que podem gastar na compra. Muitos condutores urbanos preferem um modelo mais antigo, automático, completo e com motor potente ao invés de um popular “pé-de-boi” novinho em folha. Definitivamente, o câmbio automático passou de patinho feio a objeto do desejo. Em modelos mais caros, a versão com embreagem não é mais oferecida, com exceção dos esportivos. Mesmo nesses, as versões automáticas ou automatizadas têm dominado as vendas.

Superadas as dificuldades técnicas, as vantagens são evidentes para a maioria dos motoristas. Na tecnologia atual, as diferenças de desempenho e consumo são ínfimas, imperceptíveis para o motorista comum. A robustez se igualou à de um câmbio manual, exigindo apenas a troca do óleo a cada 100 mil quilômetros. A grande vantagem reside no fato de esta transmissão dispensar a troca do kit de embreagem, pois seu funcionamento é diferente. Rodando em condições normais, não é necessária nenhum tipo de manutenção e quebras de caixas automáticas se mostras raras nos dias de hoje.

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Borboletas no volante de um veículo equipado com câmbio automático

Quando o assunto é desempenho, algumas versões superam o tradicional câmbio de embreagem e alavanca, como é o caso dos de dupla embreagem, que se mostram mais rápidos e ainda obtém melhores médias de consumo. O ganho de conforto se mostra indiscutível, especialmente no trânsito pesado das grandes cidades. O pé esquerdo fica completamente inerte e as mãos ficam no volante o tempo todo. Sair em subidas consiste em tarefa simples e a troca de marchas fica por conta do próprio carro. Mas se o motorista quiser assumir as trocas, boa parte deles as permite com o auxílio de borboletas no volante, um dispositivo nascido nas pistas de Fórmula 1 e disponível para muitos veículos, inclusive compactos.

Historicamente, os motoristas europeus sempre foram resistentes à adoção da transmissão automática, por questões culturais. Por serem um povo muito ligado à máquina e ao prazer de dirigir, achavam que tais caixas tornariam a arte de guiar monótona e sem graça. Porém, a evolução da tecnologia os fez mudar de ideia, especialmente após a popularização das versões de dupla embreagem, como o DSG da Volkswagen e do Poweshift da Ford. Nos dias de hoje, os veículos com embreagem se tornaram minoria.

Em terras tupiniquins, a grande restrição sempre foi (e ainda é) o preço de aquisição e custo de manutenção. A maior parte dos motoristas brasileiros deseja ter um automático, mas não tem poder aquisitivo para comprar um novo, ou tem receio de ter que arcar com manutenção cara, o que nem sempre é verdade. Questões culturais de resistência à mudança ou simples desconhecimento da tecnologia também reduzem sua penetração em nosso mercado.

Por outro lado, seu alcance cresce a cada ano. Na faixa acima dos R$ 50 mil, eles são a preferência do consumidor há quase dez anos, e na faixa abaixo, eles crescem rapidamente. Com o desenvolvimento técnico, sua popularização e consequente aumento da oferta no mercado de novos e usados, o mesmo fenômeno observado nos EUA há 40 anos e na Europa há 20 ocorrerá aqui, mesmo que tardiamente. Os automáticos dominarão o Brasil.

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