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Fim da produção do GM Classic e a mudança das preferências do consumidor

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Seis velhos conhecidos do motorista brasileiro, os quais saíram de linha desde o início de 2014

O dia 1º de janeiro de 2014 marcou o início de um ciclo de grandes mudanças no mercado automotivo brasileiro. A lei que impõe a obrigatoriedade de todos os veículos possuírem airbag duplo e freios antitravamento (ABS) causou o fim da produção de muitos modelos com várias décadas de mercado, como o Fiat Uno Mille, o VW Gol G4 (com plataforma de 1994) e a saudosa Kombi, também da empresa alemã.

 

Esse fenômeno mercadológico divide os consumidores: alguns ficam saudosos de modelos os quais foram donos no passado, enquanto outros comemoram o fim de linha de veículos feios e ultrapassados. E você, acha isso bom ou ruim?

Modelos como Fiat Mille e Palio, Chevrolet Celta e VW Gol foram os primeiros carros comprados por muitos jovens que fizeram 18 anos (me incluo neste grupo, minha estreia nas ruas foi com um Mille Fire 2002). O Chevrolet Classic foi o modelo de entrada de muitas famílias no mundo dos zero quilômetro. A VW Kombi foi o veículo pelo qual muitos trabalhadores ganharam (e ainda ganham) o pão de cada dia.

A grande maioria dos motoristas com mais de 30 anos relembra bons momentos a bordo de um desses modelos. Eis a razão de tanto saudosismo por parte de muitos.

A partir de 2012, com a concessão de grandes volumes de crédito pelos bancos públicos, começou-se a observar uma ligeira queda nas vendas de modelos como Fiat Mille e Chevrolet Classic, em detrimento de seus irmãos de marca mais modernos. A explicação reside na pequena diferença nos valores das parcelas entre os modelos, favorecendo os mais recentes, mais equipados, bonitos e potentes.

Concomitantemente, os efeitos de uma grave crise econômica se manifestaram com mais intensidade, reduzindo as vendas de veículos novos a patamares de 2006. Entretanto, as quedas afetaram menos os veículos de projetos mais modernos em relação aos velhos conhecidos do brasileiro, com décadas de mercado.

Devido ao alto índice de inadimplência, os consumidores de menor poder aquisitivo deixaram de adquirir veículos novos, migrando para o mercado de usados ou adiando as trocas. Muitos venderam seus carros para sanar problemas financeiros. Portanto, apenas os consumidores mais abastados continuaram alimentando as vendas.

Com este dado em mãos, as montadoras impuseram forte aumento de preços, com vistas a proteger suas margens. Muitos modelos de categoria superior, como Toyota Corolla, Jeep Renegade e Honda HR-V tiveram forte aumento nos emplacamentos, mesmo em meio ao caos automotivo.

Modelos de entrada como GM Classic, VW Gol, Renault Clio e Fiat Palio Fire tiveram reduções drásticas nas vendas, ao mesmo tempo em que compactos de última geração como GM Onix, Ford Ka e Hyundai HB20 ganharam as primeiras posições, historicamente disputada entre os veteranos.

Há poucos anos, modelos de entrada sem ar condicionado, conjunto elétrico e direção hidráulica eram o grosso das vendas da categoria. Seus irmãos mais modernos possuem todos estes itens, junto com os obrigatórios ABS e airbag duplo. Como os bancos estão mais criteriosos na concessão de financiamentos, exigindo entradas maiores que 30% do valor do automóvel, apenas consumidores mais exigentes estão levando um zero quilômetro para casa, rejeitando modelos obsoletos.

Considerando o cenário atual, modelos sem equipamentos deixarão de existir, subindo o nível do mercado como um todo, acompanhando o aumento de preços. Para muitos motoristas que desejam automóveis modernos e equipados, de preferência iguais aos comercializados em países desenvolvidos, a morte dos velhinhos é digna de comemoração.

A troca do VW Gol G4 pelo up!, dos Fiat Uno Mille e Palio Fire pelo Mobi, do Renault Clio pelo Kwid e dos Chevrolet Classic e Celta por Prisma e Onix é motivo de alívio para os fãs de carros modernos. E não vão parar de reclamar em uníssono sobre a defasagem entre nossos modelos com seus irmãos europeus, americanos e japoneses, com razão. O mercado deve andar para a frente para eles.

Independentemente de sua posição em relação à permanência ou descontinuação dos veteranos, a mudança de comportamento do consumidor se mostra inquestionável, independente de ocorrer por questões financeiras ou aumento nas exigências. A única certeza reside no fato de que, após a crise, o mercado nunca mais será o mesmo. E os projetos dos anos 80 e 90 ficarão restritos ao mercado de antigos e clássicos.

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