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Radares: por que a atual política de fiscalização é estúpida e ineficaz – Parte 3

por que a atual política de fiscalização de velocidade é estúpida e ineficaz - propostas

Na série de artigos sobre o fracasso do poder público em melhorar as condições de tráfego em nossas ruas e estrada, reduzir o número e mortos e feridos, assim como educar o motorista brasileiro em uma cultura de segurança, a primeira parte trouxe um breve relato sobre o atual quadro e o segundo artigo traz uma breve análise sobre causas e resultados.

Na terceira parte, propor-se-á uma nova forma de fiscalização por radares realmente eficiente, a qual efetivamente coíbe o excesso e a falta de velocidade – daqui em diante trataremos o termo como velocidades incompatíveis – reduzindo praticamente a zero o número de infrações e com resultados comprovados em todo lugar no qual foi implantado, como Japão e Alemanha.

Confira o método de fiscalização por radares considerado o terror dos rachadores (e do governo) e a libertação dos cumpridores da lei:

FISCALIZAÇÃO POR VELOCIDADE MÉDIA

No que concerne aos radares de velocidade, tema central deste conjunto de matérias, todos sabem da ineficácia do atual método de fiscalização por radares, baseado em aferições locais. O método de fiscalização por velocidade média se mostra muito mais moderno e eficaz.

O óbvio corolário do atual método, obsoleto e ineficaz, é evidente: o infrator trafega acima do limite na maior parte do tempo e reduz a velocidade apenas no momento da fiscalização. Após o radar, volta a acelerar.

Além de inútil do ponto de vista de fazer os condutores respeitarem a lei, ele traz grandes perigos, posto que os mais imprudentes freiam bruscamente e fazem manobras temerárias para burlar a fiscalização.

O método de velocidade média traz grande inovação ao atacar a raiz do problema: como a fiscalização ocorre por longos trechos, o condutor fica obrigado a respeitar o limite de forma permanente, pois sua velocidade se mantém monitorada durante todo o trajeto na via.

O esquema abaixo mostra seu funcionamento básico:

por que a atual política de fiscalização de velocidade é estúpida e ineficaz - propostas
Fonte: Jornal O Tempo e CET

Assim, pode-se perceber que os equipamentos registram a passagem de TODOS os veículos em circulação, em todos os checkpoints. Eis a razão para que os limites de velocidade sejam respeitados por toda a via.

COMO FUNCIONA

Você aprendeu no ensino fundamental que a fórmula para o cálculo da velocidade é: Velocidade é igual ao espaço dividido pelo tempo. Se preferir V = S/t.

A forma de fiscalização funciona da maneira mais simples possível:

1 – O veículo passa no primeiro checkpoint e o computador do sistema de monitoramento da via registra sua placa e horário de registro.

2 – Ao longo da via, existem outros equipamentos idênticos, os quais registram sua passagem diversas vezes, espaçados igualmente entre si. Em vias urbanas como avenidas, a distância costuma ser de aproximadamente 500 metros. Em estradas, ela varia entre 1 a 2 quilômetros, em função do limite de velocidade.

Podem ser instalados um mínimo de dois radares até dezenas deles, cobrindo distâncias entre um e quinhentos quilômetros. O trecho deve ser grande o suficiente para aferir um valor confiável.

3 – Conforme são efetuados os registros, os tempos são calculados e as velocidades médias calculadas. Apesar de variar conforme as leis, os critérios de autuação obedecem alguns padrões comuns.

4 – Veículos podem ser multados instantaneamente tanto por excesso como por insuficiência de velocidade, sem necessidade de completar as demais tomadas. Por exemplo, motoristas os quais circulam 30% acima ou abaixo do limite recebem multas instantâneas.

Em uma via de limite de 100 km/h, condutores rodando abaixo de 70 km/h ou acima de 130 km/h recebem multas instantâneas, independente da velocidade média, considerada a margem de erro de aferição dos equipamentos.

5 – Para as tomadas entre checkpoints, distantes entre 500 metros a dois quilômetros entre si, a tolerância sofre redução para 10%, a fim de evitar distorções como o aumento da velocidade ao ultrapassar outro veículo, ou uma freada brusca devido a alguma ocorrência no trânsito. A margem de erro continua a ser considerada.

Caso haja congestionamento ou acidente, o condutor não precisa se preocupar com multas por insuficiência de velocidade, pois uma das novidades trazidas pelo sistema consiste justamente no melhor controle do fluxo de veículos, anulando a possibilidade deste tipo de inconsistência.

O tópico será explicado em maiores detalhes mais adiante.

6 – Ao final de todo o trecho, o sistema calcula a velocidade média do percurso, calculando o valor final e fazendo nova fiscalização, com tolerância ainda menor, fixada entre 3% e 5%, mais a margem de erro no caso de tráfego acima do limite.

As autuações também ocorrem para a insuficiência de velocidade. Neste caso, as tolerâncias se mostram mais flexíveis variam conforme a faixa de rolagem, variando entre 20% na faixa da esquerda e 50% nas da direita, com 30% nas intermediárias. No exemplo anterior, em uma via com limite de 100 km/h, circular com velocidade média inferior a 80 km/h na raia de ultrapassagem, 70 km/h nas de circulação e 50 km/h nas de saída resulta em multa.

Todas as entradas e saídas da avenida ou rodovia possuem checkpoints, com o objetivo de iniciar e finalizar a fiscalização.

7 – Uma nova função, externa à de fiscalização de velocidade, consiste no uso dos radares para monitoramento do fluxo de veículos, detecção de acidentes, embasando ações de tomada de ações para melhorar o tráfego e a criação de avenidas e estradas inteligentes.

Inovações como faixas variáveis entre os dois sentidos conforme o volume de tráfego, a fim de desafogar o trânsito e facilitar o socorro e desobstrução da via em caso de acidentes também serão viabilizadas com a fiscalização de todos os veículos, por todo o trecho.

  ENTÃO POR QUE NÃO IMPLANTAM?

Porque eles priorizam a arrecadação com multas, relegando a segurança viária a um plano secundário. Como a fiscalização por velocidade média impede o motorista de desrespeitar os limites de velocidade devido à sua maior eficiência, sua quase totalidade respeitaria a lei, posto que a autuação se mostra líquida e certa.

No modelo atual, o motorista descompromissado com a segurança no trânsito, seu próximo e com a legislação freia ao se aproximar do equipamento de fiscalização, passa por ele dentro do limite permitido e depois volta a acelerar. Assim, ele desrespeita a lei onde sabe que não há controle, forjando seu cumprimento ao passar nos radares.

Como burlar a fiscalização por velocidade média se mostra muito difícil, pois todos os veículos são aferidos, o “apressadinho” ou “velocista” abandonará o hábito de trafegar acima do limite, pois sabe que a punição é garantida.

Naturalmente, ele passará a dirigir dentro da lei, causando queda acentuada no número de autuações. Com menos multas geradas, a arrecadação – tão importante para os governos – desabará a um décimo do valor coletado pelo sistema atual, como ocorreu nos outros países após a implantação.

Por isso, a fiscalização por velocidade média não interessa às autoridades, as quais preterem a segurança viária em face da arrecadação.

O sistema de andar acima do limite e frear nos radares se mostra muito lucrativo aos cofres públicos, por isso é mantido e defendido pelos “especialistas” chapa-branca.

O sistema de fiscalização por velocidade média seria o pesadelo dos “pilotos de rua” que freiam ao passar nos radares para acelerar logo em seguida, e dos políticos e burocratas incompetentes, os quais dependem de levantar verbas com multas para manter as contas públicas em ordem.

Esta simbiose mórbida castiga os motoristas cumpridores da lei e mata dezenas de milhares de inocentes todos os anos.

QUESTÕES SOBRE “PRIVACIDADE”

Outro argumento utilizado pelos críticos do sistema reside no controle total da circulação das pessoas pelas ruas, avenidas e estradas. Eles alegam “invasão de privacidade” e que a prática “fere o direito de ir e vir” e/ou “é inconstitucional”, dentre outras falácias.

Sem dúvida, a tecnologia ajudaria a combater crimes e auxiliar nas investigações de todo tipo, visto que tem capacidade de rastrear todo o deslocamento dos participantes do trânsito. As possibilidade se mostram infindáveis e muito além da imaginação.

EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO

Quem já esteve em países desenvolvidos, como Alemanha, Japão, França, EUA ou até mesmo Chile e Argentina, percebe o abismo cultural entre os condutores de lá e os brasileiros. Atitudes simples como parar na faixa para os pedestres atravessarem ou dar a preferência a quem vem da direita em cruzamentos consistem em práticas naturais por lá.

Frequentemente, não há placas fixando o limite de velocidade; tampouco fiscalização por radares. Mesmo assim, os condutores aprendem na autoescola as velocidades recomendadas e não as desrespeitam sem um motivo justo, como  uma emergência médica.

O resultado surpreende os brasileiros acostumados ao “jeitinho” e à “Lei de Gerson”: sem nenhum meio de reprimir o excesso de velocidade, os motoristas os respeitam voluntariamente. O respeito ao próximo consiste em sua principal justificativa, não o temor às leis como ocorre por aqui.

Em geral, o brasileiro aplaude estes comportamentos, mas não os pratica pois “se os outros não respeitam, por que serei eu o único a respeitar”. Este padrão de educação no trânsito levará décadas para se tornar regra por aqui. Enquanto o momento não chega, nos resignamos a elogiar a conduta de estrangeiros.

CONCLUSÃO

Este artigo se mostrou bastante descritivo sobre a existência e funcionamento de métodos de fiscalização realmente efetivos no controle de velocidade e aprimoramento no fluxo e segurança de nossos motoristas e pedestres.

Os motivos para a não-implantação por parte das autoridades se mostra clara, assim como a urgência em seu vigor devido à persistência do motorista tupiniquim em respeitar a lei apenas quando fiscalizado. Infelizmente, a repressão por meio de multas ainda se mostra necessária para a manutenção da ordem no trânsito.

Se tiver algo a acrescentar ou perguntar, deixe seu comentário.

 

 

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2 comentários em “Radares: por que a atual política de fiscalização é estúpida e ineficaz – Parte 3 Deixe um comentário

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