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Os carros alemães são os melhores do mundo? Análise mercadológica e conclusão

por que um carro conversível pesa mais que sua versão fechada

No artigo anterior, os aspectos técnicos sobre os automóveis made in Germany foram esmiuçados em detalhes. Indo em direção ao objetivo de responder a questão levantada pelo título, este artigo analisa a visão e opinião dos diferentes públicos de motoristas.

Após a introdução, análise técnica e mercadológica, finalmente chegamos à conclusão.

DIVERSIDADE DE PÚBLICOS

Os motoristas com poucos conhecimentos automotivos imaginam que as marcas de luxo alemãs vendem carros para o mesmo público, normalmente por conta do alto preço de compra, acreditando que os compradores “ricos são todos iguais”. Para os entusiastas e apaixonados pelas marcas premium, nada mais falso. O quadro abaixo retrata as principais – e enormes -diferenças entre elas:

marcas alemas premuim e suas pegada e personalidade

Obviamente, este quadro sintetiza as marcas em linhas gerais. Como todas atuam em todos os segmentos existentes e produzem centenas de modelos, versões e variantes, muitas exceções podem ser encontradas nos três casos. Gamas tão diversificadas exigem análises individualizadas por nicho de mercado.

Para citar três exemplos:

  1. A Mercedes-Benz possui uma longa tradição de modelos esportivos e muito dinâmicos e joviais, cultivada desde os temos do lendário 300 SL, mais conhecido como “asa-de-gaivota”.
  2. Por sua vez, a tradição de confiabilidade mecânica da BMW se mostra muito questionável nos modelos do início dos anos 2000, especialmente na parte eletrônica. Os modelos M também sofrem com defeitos mecânicos crônicos.
  3. A Audi cobra mais caro em alguns segmentos, como os de SUV´s compactos e médios como os Q3 e Q5 e nos cupês de quatro portas A5 e A7. Promoções, mudanças de geração, outlets e guerra de preços podem modificar este padrão.

Vale lembrar que a fama de confiabilidade pode variar conforme o ano/modelo dos veículos, pois a introdução de novas tecnologias têm afetado negativamente o índice de falhas de alguns modelos, como os BMW Série 5 E60 (2003-2010) e E90 (2010-2016), os quais sofreram de problemas nos dispositivos eletrônicos. Conforme descrito no item referente ao tema, há variações grandes do histórico de cada fabricante.

A CONTROVÉRSIA SOBRE A VOLKSWAGEN DO BRASIL

todas as gerações do Gol

Os críticos dos automóveis alemães sempre utilizam os modelos projetados e fabricados pela Volkswagen do Brasil como uma prova que refuta a condição concedida pelos entusiastas de carros made in Germany de melhores do mundo.

Há consenso geral na constatação feita pelos detratores de modelos germânicos sobre a diferença enorme de  qualidade e tecnologia entre os modelos Volkswagen de origem alemã e os nascidos em nossa Pátria Auriverde. Postas as condições de nosso mercado e exigências menores de nossos consumidores, os modelos de entrada locais e destinados a mercados emergentes não utilizam as tecnologias consagradas no Velho Continente, e sua introdução ainda se mostra incipiente e gradativa, como no caso do up! TSI.

Por óbvio, não é possível a comparação de modelos como Golf, Jetta e Passat – o estado-da-arte da marca, cobrando altos valores para aquisição e operação – e a família Gol/Voyage/Saveiro, ainda utilizando a tecnologia da década passada, com foco no custo/benefício e baixo custo de manutenção. A Volkswagen do Brasil segue esta estratégia dupla, conforme já relatado neste artigo.

VISÃO ENTUSIASTA X VISÃO COMUM

Os apaixonados por carros enxergam o automóvel de modo mais íntimo, detalhado, apreciam qualidades desprezadas pela massa dos condutores e detectam qualidades e defeitos ignorados pelos não-entusiastas, ao passo em que desdenham de características valorizadas pelo motorista comum.

Sua relação com os carros tem natureza se manifesta de maneira mais visceral, posto que o ato de dirigir consiste em enorme fonte de prazer para um car lover. Jocosamente, os petrolheads dizem que os modelos preferidos do grande público são perfeitos para motoristas de Uber e taxistas, como o popular sedã japonês Toyota Corolla.

Assim dito, um carro considerado bom para um motorista comum parece medíocre para o autoentusiasta; e outro tido como excelente para os conhecedores do assunto parece complicado e caro demais para aqueles que tratam o automóvel como meio de transporte. A figura abaixo mostra um exemplo descrevendo a diferença:

carros alemães são os melhores do mundo?

As discordâncias ocorrerão naturalmente e cada indivíduo terá suas preferências. Os amantes de modelos teutônicos certamente reconhecem a ampla preferência do consumidor brasileiro por modelos da Terra do Sol Nascente neste segmento acima retratado, com Toyota Corolla e Honda Civic. Ambos tomaram de assalto o mercado cativo da marca até os anos 90, no qual a disputa do VW Santana e Chevrolet Monza – este um projeto de origem Opel, portanto, alemão – dava o tom.

Via de regra, o público brasileiro privilegia projetos de mecânica simples, barata e fácil de manter, uma característica típica dos modelos japoneses e dos projetos da Volkswagen Brasil, tão criticados pelos entusiastas e detratores dos modelos de Wolfsburg. Concorrentes como Fiat, Chevrolet e Hyundai replicaram a fórmula consagrada pela VWB nos anos 80 e avançaram em seu mercado, reduzindo sua participação de 60% para 10% em 30 anos.

Em suma, a tecnologia de ponta dos modelos topo-de-linha recebe apreço pelos car lovers a desconfiança do motorista padrão. Este último favorece o consagrado e confiável, buscando um carro bom, bonito e barato. Ao ouvir explicações sobre as novas tecnologias, ele certamente fará uma série de questionamentos:

  • Custa muito caro?
  • Se quebrar, quanto eu gasto para arrumar?
  • Meu mecânico vai saber consertar esse carro?
  • Só conserta na concessionária?
  • Onde encontro peças de reposição?
  • Vou ter que ficar com meu carro parado esperando peças?
  • As revisões são muito caras?
  • Vou perder muito na revenda?
  • Vou conseguir vender esse caro rápido?

A lista é longa e muitas das respostas serão sim para os modelos made in Germany. Daí a preferência por modelos nacionais e de origem nipônica ou americana, mais simples e baratos. Os “importados” parecem algo muito distante da grande massa.

OS CARROS ALEMÃES SÃO MESMO OS MELHORES?

Devido ao enorme espectro de preferências e necessidades de cada motorista, não existe uma resposta fechada para a pergunta. Então, proceder-se-á a uma conclusão mais técnica.

No quesito inovação tecnológica, a resposta é sim. Os alemães se orgulham de manter a vanguarda do avanço tecnológico e oferecer os produtos mais atualizados do mercado, o que têm feito com sucesso desde a década de 70.

No aspecto refinamento mecânico, mais uma vitória alemã. Com seus motores turbocomprimidos, geralmente acoplados a transmissões de dupla embreagem ou com oito marchas ou mais, os conjuntos mecânicos mais refinados do planeta nasceram na pátria do Rio Reno.

Os propulsores equipados com o “caracol mágico” entregam desempenho excepcional e consumo contido ao mesmo tempo, cuja eficiência energética fica atrás apenas de conjuntos híbridos e elétricos. Área na qual todas elas buscam competitividade, com os BMW i3 e i7, assim como o Porsche 718 e Volkswagen e-Golf.

No emprego de materiais nobres na construção, nova vitória germânica. Aços de alta, super-alta e ultra-alta resistência são encontrados em abundância nos chassis e carrocerias desses modelos, assim como a fartura dos pontos de solda, cordões feitos em máquinas a laser, processos de produção sofisticados e controle dimensional dos componentes rigorosíssimo. Sem dúvida, existe modelos de outras nacionalidades entregando resultados similares, mas sem tanto refinamento.

O mesmo vale para os materiais de acabamento e sua qualidade de montagem, item no qual os alemães conquistam empate técnico com os ingleses da Rolls-Royce, Mini e Bentley. Todavia, as duas primeiras marcas pertencem ao Grupo BMW e a última, ao VW Group. Ou seja, mais um gol da Alemanha.

Os últimos pontos desta análise ficaram para o final por deporem contra os automóveis alemães: custos, confiabilidade e manutenção. Desde a corrida ao estado-da-arte em avanço tecnológico, os modelos bávaros e saxões têm visto sua confiabilidade cair nos rankings de consultorias como J.D. Power, ficando atrás dos modelos japoneses e alguns norte-americanos e até alguns voltados para mercados emergentes.

A velha fama de duráveis e confiáveis dos caros alemães está em xeque, após alguns modelos apresentarem falhas frequentes e dispendiosas ao consertar. Marcas como BMW e Audi venderam alguns modelos de manutenção problemática a partir do final dos anos 90, geralmente devido à aplicação intensiva de itens eletrônicos e os motores sobrealimentados. Outras marcas como Mercedes-Benz e Volkswagen foram menos afetada. Todavia, deve-se analisar o histórico de cada modelo.

O mesmo vale para os custos de aquisição e manutenção, os quais se encontram na rabeira da lista, ao lado dos modelos franceses e italianos. Apenas os mais entusiasmados se dispõem a pagar por toda essa parafernália tecnológica, tida como desnecessária para a grande maioria dos proprietários de automóvel.

FINALMENTE, A RESPOSTA

Os carros alemães realmente entregam a tecnologia mais avançada, a qual poderia induzir à conclusão simplória de que sejam os melhores do mundo. Boa parte dos entusiastas compartilham dessa visão, mas ela está longe de se mostrar um consenso e há grandes divergências, resultando em longas discussões.

Porém, como a palavra final que vale é a da maioria dos compradores, os quais colocam o dinheiro no caixa das empresas, se eles não valorizarem os diferenciais. Isso ocorre de fato na prática, o que nos leva à conclusão de que os carros alemães não são os melhores do mundo, dado que não existe possibilidade de atribui-lo a nenhuma nacionalidade ou fabricante, dada a diversidade de preferências.

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