Maio amarelo, crash test do Onix e o consumidor brasileiro

crash test lateral onix nota zero

Chevrolet Onix, modelo mais vendido no mercado brasileiro, tira nota zero no crash test lateral

O movimento Maio Amarelo, patrocinado por diversas entidades públicas e privadas, visa a reduzir o número de mortes e acidentes no trânsito. O ponto principal consiste em atitudes que os motoristas devem praticar ou evitar ao dirigir, como usar o telefone móvel, respeitar os limites de velocidade, atravessar na faixa, dentre outras ações óbvias, importantes, mas negligenciadas por muitos participantes do trânsito.

Entretanto, o movimento falha em evidenciar na conscientização do fator mais importante, o qual vai muito além das medidas paliativas sugeridas. Para reduzir drasticamente as mortes no trânsito, a principal medida é:

CONSCIENTIZAR O COMPRADOR DE AUTOMÓVEIS NOVOS E USADOS A ADQUIRIR APENAS VEÍCULOS COM BOAS NOTAS NOS CRASH TESTS DA LATIN NCAP

Orientar os motoristas a evitar acidentes se mostra muito importante, por óbvio. Reforçar as ações de segurança ativa evitam acidentes antes de sua ocorrência, mas a proteção oferecida pelo veículo após a ocorrência do impacto – segurança passiva – contribuirá para a redução das mortes no trânsito de forma muito mais expressiva.

Aprenda mais sobre os equipamentos de segurança ativa e passiva no post:

A diferença entre segurança veicular ativa e passiva

Os órgãos de homologação e certificação de veículos têm exigido mais equipamentos de segurança ao longo do tempo, mesmo que tardiamente. Freios ABS e airbags duplos são obrigatórios por lei em veículos europeus desde 1997, e passaram a sê-lo apenas em 2014 no Brasil. A partir de meados dos anos 2000, muitos veículos têm trazido bolsas infláveis de série em toda a linha, especialmente modelos high-end de marcas premium.

Infelizmente, o consumidor brasileiro não possui a busca por equipamentos de segurança. Em 2000, a Renault passou a oferecer airbags duplos em toda a linha, incluindo o modelo de entrada Clio, desde a versão de entrada. A marca usou a preocupação com a segurança no trânsito como diferencial de marketing, sem sucesso. Dois anos depois, as bolsas infláveis foram retiradas da maioria das versões do Clio e Scènic após pesquisas de mercado.

O consumidor não apenas não valorizava os airbags como alguns o rejeitavam abertamente, pois afirmavam que o equipamento encarecia o reparo em caso de colisão e inflava a franquia e prêmio do seguro. Mais uma vez, o bolso falou mais alto que a segurança. Os mesmos estudos mostravam a proteção aos ocupantes nas últimas posições entre as prioridades dos compradores, algo que se repete até os dias de hoje.

As homologações de testes de impacto pela instituição Latin NCAP, com sede no Uruguai, passaram a ser realizadas apenas em 2012 para certificar novos modelos. Instituições norte-americanas como o NHTSA e IIHS e europeias como o Euro NCAP operam desde meados dos anos 90 e os resultados são acompanhados de perto pelos consumidores. Diversos modelos foram retirados do mercado e/ou modificados devido a maus resultados nas provas. As vendas costumam ser impactadas diretamente, causando temor nos fabricantes.

A baixa quantidade de equipamentos de série na maior parte dos automóveis leva ao esquecimento dos equipamentos de segurança pelos consumidores brasileiros. Quando você adquiriu seu último modelos, novo ou usado, pesquisou se era equipado com ABS, controles de tração e estabilidade, sistema Isofix ou zonas de deformação programável? Você sabe quantos airbags ele possui? E se ele for comercializado globalmente, quantas bolsas equipam o modelo americano e/ou alemão? Qual a nota que ele obteve no crash test

Ao comprar um modelo zero quilômetro, preferiria adquirir um pacote de opcionais com rodas de liga leve e central multimídia ou outro com controles de tração e estabilidade e sistema Isofix? Busca modelos com mais airbags ou maior facilidade de revenda? Prefere um belo design ou mais estrelas nos testes de impacto do LatinNCAP? E os demais motoristas, quais preferências você acha que eles têm?

Acesse maioamarelo.com e confira a campanha.

maio amarelo falta segurança veicular

Ações de melhoria da segurança no trânsito possuem grande importância. Entretanto, sua eficácia se mostra bastante limitada sem a mudança cultural do motorista brasileiro pela valorização dos itens de segurança ativa e passiva, em prioridade aos itens de conforto e entretenimento.

Faltam instruções para instalar cadeirinhas de bebês e crianças, os benefícios de assistências eletrônicas de controle dinâmico, a importância da consulta das notas nos testes de impacto, uso do cinto de segurança para todos os ocupantes em veículos com airbags e muitas outras medidas importantíssimas para a melhoria do movimento.

O Movimento Maio Amarelo se mostra uma boa iniciativa, mas precisa ampliar bastante a quantidade e qualidade das ações. A página Educação Automotiva se põe à disposição para o aprimoramento do conteúdo.

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