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O Fiat Marea é um carrão ou uma bomba?

o fiat marea é mesmo uma bomba ou os donos que não sabem cuidar?

MAREA CARRÃO OU BOMBA? 

O Fiat Marea é um carro que desperta paixão e ódio e divide opiniões. Seus defensores dizem que os problemas mecânicos ocorrem porque os donos não sabem cuidar. Os detratores fazem todo tipo de piada, associando o sedã médio italiano a “bomba”, “Marea Fire”, “terrorismo” e todo tipo de brincadeira.

Este artigo aborda uma das polêmicas mais populares entre os apaixonados por carro desde fevereiro de 1998, mês de lançamento do modelo italiano no Brasil. E a pergunta que gera milhares de memes, desperta paixões e alimenta discussões acaloradas nos fóruns gearheads da internet é:

O MAREA É MESMO UMA BOMBA OU OS DONOS QUE NÃO SABEM CUIDAR?

Para responder a pergunta, o texto inicia com uma breve introdução contendo o relato da experiência pessoal deste autor com o modelo.

INTRODUÇÃO

Este autor de 34 anos – gearhead desde os 9 – teve o prazer de andar no controverso sedã italiano dias após seu lançamento, em março de 1998, aos 14 anos. Seus principais concorrentes diretos eram os respeitáveis VW Santana e Chevrolet Vectra.

O primeiro já sofria o peso da idade, mas a confiabilidade do cultuado motor AP o mantia competitivo. Entretanto, a marca da gravata dourada oferecia o modelo de origem Opel com altas doses de modernidade e tecnologia, em linha com o mercado europeu.

Assim, o Vectra de sua melhor geração liderava as vendas do segmento. O Fiat Marea chegou com a missão de tomar a ponta com um projeto mais moderno, empolgante e revolucionário, da forma como seu antecessor Tempra fez em 1992, angariando uma legião de fãs, a despeito dos problemas mecânicos crônicos e manutenção cara.

No caso do Chevrolet, seu produto tinha embarcada toda a tecnologia alemã de última geração. Com exceção do motor Família II – vulgo “motor do Monza” – defasado em relação ao Ecotec, o qual só deu as caras por aqui em 2012, no sucessor Cruze. Aí estava o grande trunfo do Marea e seu motor de cinco cilindros. Ouça no vídeo abaixo:

Do alto dos meus 14 anos, eu já havia andado em Gols, Santanas, Monzas, Vectras, Opalas e Omegas grande parte da minha vida. Já conhecia suas qualidades e defeitos de cor e salteado e estava bastante empolgado com a tecnologia alemã do Vectra B, lançado no início de 1996. Gostava muito do conforto, espaço interno e acabamento do Tempra, apesar de toda a crítica em relação à manutenção.

Confira a galeria com os demais modelos

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Tudo mudou quando eu andei em seu sucessor Marea em março de 1998, pouco após seu lançamento. Mantendo a qualidade de acabamento do Tempra, visual esportivo e tão moderno e bem equipado quanto o Vectra B, me agradou logo de cara.Um modelo jovem e descolado foi a impressão geral que ficou, para seus entusiastas e críticos.

o fiat marea é mesmo uma bomba ou os donos que não sabem cuidar?
Interior do Fiat Marea Turbo 1999, com quadro de instrumentos de fundo branco

Mas foi ao partir o motor que o grande diferencial apareceu: o motor parecia cantar, como os de suas irmãs Alfa Romeo. O giro subia rápido e a direção empolgava. Em comparação com o ronco chocho de Monza e da arrancada anêmica do líder de vendas, e da aspereza e falta de fôlego em altas rotação do defasado Santana, o Marea emocionava.

O bom resultado de vendas e a quantidade de fãs e admiradores pareceram naturais para a Fiat e os especialistas. Seus irmãos Tempra e Tipo viveram fenômenos semelhantes – o hatch chegou a liderar as vendas por um mês – mas sucumbiram devido à ocorrência de problemas mecânicos.

O mais famoso consistia no rompimento da mangueira do fluido da direção hidráulica dos modelos 1.6 do Tipo, o qual causava incêndios ao entrar em contato com o conjunto mecânico quente. A partir de então, as vendas despencaram e o modelo rapidamente deixou de ser vendido, com sua imagem (literalmente) queimada.

Em 2001, a Fiat trouxe a Betim a linha de motores Fire (Fully Integrated Robotized Engine). Em inglês, a palavra fire significa fogo, dando origem à brincadeira de que o motor 1.6 do Tipo foi o primeiro da linha Fire no Brasil.

Infelizmente, o Marea continuou o “histórico familiar” de problemas mecânicos, manutenção cara e complexa e incêndios. A partir daí se iniciaram os argumentos, piadas e brincadeiras no universo automotivo.

OS “MAREEIROS” – FÃS E GRANDES DEFENSORES

Como relatado na introdução do texto, a qual relata minha experiência pessoal, as qualidades do modelo se mostram tão evidentes que seus detratores a reconhecem. Em seu tempo, nenhum modelo da mesma faixa de preço – e boa parte dos exemplares das categorias superiores, mais caros e luxuosos – não entregavam o mesmo prazer ao dirigir.

Seus entusiastas reconhecem os percalços da manutenção de um propulsor bastante sofisticado, com tecnologia Alfa Romeo, assim como seus problemas de confiabilidade e complexidade da montagem. Por outro lado, o prazer de dirigir superior aos concorrentes diretos, conforto e estilo únicos na faixa de preço os fãs a se unir para conseguir peças e bons profissionais para manter suas “joias”.

Entre os fãs do Marea se encontra o jornalista Renato Bellote, o qual fez uma defesa consistente do modelo neste vídeo no seu canal do You Tube:

Os argumentos mais comuns (e decorados) dos “mareeiros” é “o carro só quebra porque os donos não sabem cuidar”, “os mecânicos são preguiçosos e não querem aprender a mexer em carro que não é Fusca e AP”, “o carro quebra porque os donos fazem muita gambiarra”, “os donos não sabem guiar do jeito certo”, “o dono tem que botar a mão no bolso para manter mesmo”, “não quer gastar, anda de Fusca”, dentre uma enorme coleção, são ouvidos em todos os grupos.

Para fazer justiça com o Marea, os argumentos são válidos. Eles também servem para os Peugeot, Citroën, Alfa Romeo, Maserati e FERRARI. De fato, qualquer modelo roda com qualidade nas mãos de um dono zeloso e que deseja colocar a mão no bolso para mantê-lo em ordem.

As Ferrari têm resistência mecânica similar à de Marea e Alfa Romeo, mas não se faz as mesmas críticas porque todos os proprietários gastam fortunas para mantê-las em perfeito estado.

Por outro lado, convenhamos que pouquíssimos motoristas estão dispostos a gastar suas manhãs e tardes dos fins de semana em lojas e desmanches atrás de peças, ou em oficinas fazendo ou combinando serviços e consertos, longe da família para cuidar de seus Marea.

Também são poucos os proprietários dispostos a fazer longas listas de “coisas para fazer” em seus Mareas, além de gastar parte significativa de seus ganhos com o automóvel, frequentemente fazendo dívidas com bancos, lojas de autopeças e mecânicos.

Ter e manter um Marea exige grande dedicação pessoal e financeira, eis o principal argumento dos críticos e fazedores de memes envolvendo fogo e explosões, os quais não podem ser negados pelos entusiastas.

A TURMA DO “MAREA É BOMBA” – OS CRÍTICOS E SEUS MEMES E PIADAS

Os memes de sátira ao modelo italiano brotam aos milhares pela internet, especialmente nos fóruns e comunidades gearheads. Pode-se ver no You Tube, redes sociais e fóruns enorme quantidade de vídeos mostrando motores five tech explodindo, pegando fogo, cuspindo bielas, perdendo rachas para outros veículos mais benquistos pela comunidade.

Vídeos mostrando exemplares em cima de guinchos, quebrados, sendo consertados por profissionais mostrando motores colapsados (fundidos), sempre comentando de forma jocosa sobre o modelo, aparecem em volume incomum. De fato, o Marea sofre muito bullying no meio gearhead.

Os defensores do sedã italiano afirmam que os problemas mecânicos, especialmente os relacionados ao motor, ocorrem porque os motoristas não sabem guiar. Mas a verdade é dura para eles:

Um carro muito gostoso de dirigir, cujo motor entrega uma elasticidade impressionante, ganha velocidade com notável facilidade e tem um ronco delicioso, que parece cantar, é um convite a andar “no gás”.

Quem é o gearhead que vai ter o autocontrole de dirigir um carro tão prazeroso da mesma forma que um motorista de Uber de 60 anos guia seu Corolla preto?

A Fiat fez o carro sob medida para dirigir esportivamente, sempre com giro no alto e roncando em alto e bom som. Andando dessa forma, é evidente que os problemas mecânicos vão acontecer! Junta-se ao quadro a mecânica complexa, com material caro e que exige profissionais especializados e competentes.

Como estes cobram caro, o motorista “pobre” leva em profissionais despreparados, levando a novos problemas mecânicos, geralmente causados por montagem e/ou balanceamento do motor executados incorretamente.

o fiat marea é mesmo uma bomba ou os donos que não sabem cuidar?
Você comprou um Marea para andar como um motorista Uber de 60 anos dirige seu Corolla preto?

Depõe contra o modelo a existência de outros modelos mais recentes, mais confiáveis e com melhor desempenho, com custos de manutenção mais baixos, mecânica mais simples e maior disponibilidade de peças e profissionais especializados.

A disseminação de peças de preparação mais modernas, como “comandos bravos” e chips de potência facilitaram a preparação de outros motores e veículos mais procurados, reduzindo a atratividade do modelo da Fiat para preparação e competições. Por outro lado, os modelos colecionáveis ganharam relevância – e valor de mercado – devido à forte redução de exemplares em bom estado.

Ouvidos os dois lados, pode-se chegar a uma conclusão muito clara.

RESOLVENDO A DISPUTA

O recado para os críticos do modelo é claro: se o seu amigo “mareeiro” afirma que o Marea só quebra tanto porque os donos não sabem dirigir da maneira correta nem fazem a manutenção preventiva, ele tem razão.

Qualquer automóvel bem conservado entrega prazer ao dirigir e boa durabilidade, e a falta de zelo da maioria dos proprietários é uma realidade. De fato, muitos donos não o dirigem com cuidado. Assim como há o despreparo dos maus profissionais ao repará-lo, e o altos preços cobrados pelos de boa reputação.

Por sua vez, os mesmos apezeiros, opaleiros e hondeiros haters do Marea os quais fazem ou compartilham conteúdos que praticam bullying de todas as formas contra ele também têm razão no que diz respeito à confiabilidade e existência de concorrentes mais robustos e resistentes ao motorista e mecânico incompetentes e/ou preguiçosos.

O Marea realmente é um modelo mais sensível e exige mais cuidados, e apenas donos muito zelosos e dedicados devem possuir um. Para os demais existem os motores Família I e II, AP, as linhas Honda e Toyota para preparar das formas mais criativas. E todo o restante das marcas e modelos antigos e novos.

Gosta do Marea? Ponha a mão na massa e cuide dele. Ignore os memes e brincadeiras. Se estiver bonito, mesmo os críticos vão elogiar e te dar os parabéns.

Acha que o Marea é bomba? Não compre um. Mas tenho certeza que você admira quem tem um bem conservado, gosta do ronco e da dirigibilidade e já elogiou algum na vida.

E a zoeira continua.

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