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Muito além do turbo: outras modificações para melhorar o desempenho do motor do seu carro

preparação completa de motor
preparação completa de motor
Este motor recebeu preparação profunda, com troca de muitos componentes mecânicos

No artigo anterior, falou-se sobre o chip de potência. Esta preparação rápida e descomplicada costuma ser feita por motoristas que desejam leves incrementos de performance. Para os que buscam desempenho verdadeiramente esportivo, a troca de partes móveis do motor se mostra mandatória.

Quando se menciona preparações com vista a grandes aumentos de potência do motor, a instalação de um turbocompressor surge como primeira opção na mente da maioria das pessoas. Entretanto, um bom projeto deve ir muito além do simples uso do “caracol mágico”.

Conheça outros componentes fundamentais para um bom projeto de preparação:

Filtros esportivos: geralmente de formato cônico, uma das modificações mais elementares, feita em conjunto com a recalibração da injeção eletrônica – o chip de potência. O ganho ocorre devido à menor resistência para passagem do ar na admissão do motor. Tem a vantagem de ser totalmente reversível, bastando a recolocação da peça original. Porém, entrega pequeno ganho de potência, raramente superior a cinco cavalos.

Escapamento esportivo: segue o mesmo princípio dos filtros esportivos, desta vez do lado do escape. Tubos de exaustão esportivos diminuem a resistência para a saída dos gases de escape, resultando em sensível aumento de potência. A redução da resistência nos fluxos de admissão e escape do propulsor costuma ser utilizado em versões esportivas de fábrica, trazendo incrementos de até 15% no rendimento.

Troca dos componentes do sistema de injeção: assim como os filtros e escapamento esportivos melhoram o fluxo dos gases, a substituição de bicos injetores e bombas de combustível incrementam o fluxo e pulverização do líquido na câmara de combustão, melhorando o fluxo da mistura ar/combustível como um todo.

A aplicação da injeção direta se mostra comum na atualidade. Esta modificação se mostra obrigatória no caso da instalação de uma turbina, em conjunto com intercooler.

Comandos de válvula esportivos: conhecidos popularmente como “comando bravo” e “comando 272” ou “comando 288”. Tem a função de aumentar a duração das fases de admissão e escape, fundamentais para o aumento de desempenho.

Os números 272 e 288 representam o número de graus da fase de admissão, de um total de 720 graus de um ciclo dos motores quatro tempos. Incrementar a fase de admissão de cerca de 190 a 230 graus das configurações de fábrica para 272 ou 288 graus aumenta a injeção de mistura ar/combustível na câmara, trazendo expressivos incrementos de potência.

Pistões e bielas de ligas nobres: sua instalação se mostra obrigatória em motores turbo. Infelizmente, preparadores e proprietários se omitem em instalá-los devido a seu alto custo e complexidade do serviço, o qual exige a troca da maioria das partes móveis.

A sobrealimentação aumenta drasticamente a carga sobre os componentes, os quais não foram dimensionados para cargas até três vezes maiores e giros mais elevados. A não substituição resulta em menores aumentos de potência e panes e falhas frequentes em situações de pleno uso, como arrancadas ou track days.

Pistões e bielas de ligas nobres são mais leves que os originais, reduzindo a inércia dos componentes e oferecendo menor resistência para seu funcionamento. Por exigir menos energia para seu movimento, com a mesma quantidade de combustível, há ganho de força pela redução do momento de inércia.

Virabrequim de alta resistência: segue o mesmo princípio das bielas, pistões e componentes do cabeçote feitos de materiais mais leves e resistentes, trazendo ganho de rendimento devido à menor resistência ao giro das partes móveis.

O virabrequim possui um formato alongado e recebe maiores solicitações de forças em relação aos outros componentes. Por levar o fluxo de potência para a saída do motor e entrada da transmissão, uma peça mais rígida reduz as perdas mecânicas, resultando em maior potência e resistência.

Por se mostrar a maior e mais pesada peça, costuma ter alto custo.

Rolamentos, anéis e bronzinas de baixo atrito: atuam em complemento aos componentes móveis de baixo peso e momento de inércia. Seu foco está na redução das perdas por atrito. São componentes fixos em contato com as partes móveis do motor, permitindo que estas deslizem mais livremente, com menor ruído e aquecimento.

Peças móveis e fixas de liga leve exigem óleo de menor viscosidade com o objetivo de reduzir ainda mais o atrito. Como possuem menores folgas entre si, a lubrificação necessita de uma camada mais fina de lubrificante.

Leia também: Descobrindo o melhor óleo lubrificante para seu motor

O conjunto destas alterações resulta em ganhos de até 30% nos números de potência e torque.

Intercooler: o irmão gêmeo do turbo. Sua função consiste em resfriar o ar que será admitido pelo motor. Como aprendemos nas aulas de física, os gases possuem maior densidade ao ser resfriados. O uso do intercooler aumenta o volume de mistura ar/combustível a ser admitido – a quantidade de combustível é ajustada pela centralina automaticamente – resultando em incremento de potência e torque.

Aumento do limite de giros: Uma das formas mais comuns de ganho de potência ao aplicar modificações mecânicas. Componentes mecânicos de maior resistência e menor peso permitem rotações maiores, como se usava largamente em monopostos de Fórmula 1 nos anos 2000, os quais ultrapassavam 20 mil rpm.

Modelos de série possuem cortes em torno de 6 mil rpm, limitados pelos componentes do cabeçote, os quais “flutuam válvula” acima dessa rotação. A instalação de comandos esportivos permitem giros mais elevados sem falhas, permitindo o ganho de rendimento por esse meio.

Aumento do corte de giros em conjunto com “comandos bravos” são marcas registradas das versões esportivas Si e Type R, da Honda, e nas séries Quadrifoglio da Alfa Romeo, cujo corte de giros sobem de cerca de 6500 rpm nas versões regulares para mais de 8500 rpm nas esportivas. Modelos da Ferrari chegam a 9.250 giros em alguns modelos, como na La Ferrari.

CONCLUSÃO

Observe que este artigo trata apenas de modificações mecânicas aplicadas no motor. Alterações nos demais sistemas do automóvel, como transmissão, suspensão, chassis, carroceria, aerodinâmica e todos os demais. Enfim, o aumento da potência do motor exige modificações profundas em todo o veículo, planejadas por especialistas.

Motores com tecnologias distintas, como o motor Wankel ou dois tempos, por exemplo, possuem a possibilidade de receber modificações diferentes. Blocos de competição podem utilizar soluções sofisticadas como cabeçotes com acionamento elétrico ou pneumático, não disponíveis para modelos de rua até o momento.

Mecânicos  despreparados e/ou proprietários desinformados realizam modificações insuficientes, levando a resultados fracos, como dirigibilidade problemática e quebras muito frequentes. A mais comum consiste na instalação do turbocompressor sem a instalação de componentes capazes de suportar a carga extra aplicada no motor, reduzindo o ganho de rendimento e prejudicando a confiabilidade.

A criatividade dos preparadores parece ser infinita, mas poucos conseguem executar as alterações de modo eficiente e confiável. Todo apaixonado por carros deve conhecê-las, mesmo sem a intenção de aplicá-las em seu veículo. Conhecimento obrigatório para a cultura automotiva.

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