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Câmbio curto e câmbio longo: entenda a influência no desempenho do carro

engrenagens

Mecânica automotiva se trata de assunto árido e de pouco interesse para a maioria dos motoristas. Porém, se explicado de maneira prática pode ser bem simples. Especialmente ao se falar de câmbio, uma caixinha cheia de peças e engrenagens, mas com enorme influência na performance veicular. Posto isso, o assunto deste post é a diferença entre câmbio curto e câmbio longo.


Leia também: Se o seu carro tem câmbio automático, este cuidado é importantíssimo. Evite um prejuízo enorme! e Os câmbios automáticos e manuais são todos iguais?


A distinção entre as duas variantes se dá nas dimensões das rodas dentadas que compõem a transmissão. Uma engrenagem é composta de duas rodas, uma menor (pinhão) e outra maior (coroa). A divisão entre o tamanho da coroa pelo pinhão corresponde à relação de marchas. Exemplo: Uma coroa de 15 centímetros de diâmetro está acoplada a um pinhão de 5 centímetros. A relação será de 3 para 1. (3:1). resultado de 15 dividido por 5.

As marchas mais baixas possuem relações maiores, ou mais multiplicadas. As marchas mais altas possuem quocientes bem próximos de um, ou até menores, também ditas desmultiplicadas. Abaixo, um exemplo de relações de marchas do câmbio MQ200 utilizado no Polo 1.6, da Volkswagen:

  1. 3,455:1
  2. 1,954:1
  3. 1,281:1
  4. 0,927:1
  5. 0,740:1

                                         Ré: 3,182:1 – Diferencial: 4,188:1

O número à esquerda do sinal de divisão consiste na dimensão da engrenagem que compõe a relação de marcha. O “1” que vem depois do número se trata do pinhão, o qual está na saída do motor, sendo sua dimensão sempre constante, resultando no quociente de relação de marchas.

As marchas de mais torque, a primeira e a segunda, sempre serão mais curtas, pois seu objetivo é desenvolver força e tirar o peso do veículo do repouso. A quarta e quinta marcha têm como objetivo desenvolver velocidade e economizar combustível, especialmente em percursos rodoviários, mantendo a rotação baixa. Se tratam das relações longas.

Agora a explicação central: assim como existem marchas mais curtas e mais longas, existem câmbios curtos e câmbios longos. Eles são chamados assim de acordo com o conjunto de todas as relações de marcha. Na tabela abaixo, são comparadas as relações de marchas de dois carros: o Polo 1.6 e o Voyage 1.0, ambos da Volkswagen. O primeiro está equipado com um câmbio longo e o segundo, com um curto.

Voyage 1.0 (curto): 1ª: 4,167:1 / 2ª:2,300:1 / 3ª: 1,433:1 / 4ª: 0,975:1 / 5ª: 0,776:1 / Diferencial: 4,929:1

Polo 1.6 (longo): 1ª: 3,455:1 / 2ª: 1,954:1 / 3ª: 1,281:1 / 4ª: 0,827:1 / 5ª: 0,740:1 / Diferencial: 4,188:1

Observando os números, percebe-se claramente que as relações do Voyage são mais multiplicadas que as do Polo, mostrando claramente a diferença entre o câmbio curto e longo. Eles foram projetados assim com um objetivo muito claro, de acordo com as vantagens e desvantagens de cada tipo.

O câmbio curto pode ser reconhecido pela velocidade na qual se troca de marcha. Aquele carro que passamos da primeira para a segunda a 15 km/h, de segunda para a terceira a 30 km/h e de quarta para a quinta a 55 km/h pode ser considerado curto. Esta variante tem a vantagem de favorecer a aceleração e agilidade, especialmente para veículos carregados e pesados. As arrancadas são mais vigorosas e o veículo carrega cargas com mais desenvoltura. As desvantagens são o consumo mais elevado, as trocas constantes de marcha, menor velocidade máxima e altas rotações em ciclos rodoviários. Normalmente são aplicadas em veículos pesados e em automóveis menos potentes, como o Voyage 1.0 do exemplo, com o objetivo de aproveitar melhor a potência e torque do motor.

O câmbio longo costuma ser aplicado em veículos mais potentes e voltados a desenvolver altas velocidades. Costuma ser aplicada em veículos com maior número de marchas (seis ou mais). Se reconhece pelas trocas a velocidades maiores, como de segunda para terceira a 50 km/h e de quinta para sexta a 100 km/h. Em sua maioria, podem rodar em alta velocidade com baixas rotações, como 120 km/h a 2.200 rpm. Seus trunfos são a economia de combustível e elasticidade nas trocas de marcha, e suas fraquezas são as acelerações mais fracas e queda no desempenho em subidas e com veículo carregado. O Polo 1.6 do exemplo se enquadra nesta categoria, pois o peso é próximo ao do Voyage, mas seu motor tem 30% a mais de potência.

Algumas marcas fazem escalonamento misto, deixando as primeiras marchas mais curtas e as últimas bastante longas, a fim de obter o melhor dos dois tipos: boas arrancadas em percursos urbanos e rotações baixas e economia na estrada. Essa escolha é generalizada nas transmissões de seis ou mais velocidades.

Em síntese: o câmbio curto se mostra ideal para veículos de baixa potência ou voltados a transportar muita carga e passageiros, enquanto o câmbio longo cai bem para aqueles mais potentes, voltados à economia e a rodagem em estradas. Tecnicamente complexo, mas com implicações práticas muito claras.

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30 Comments »

    • Veículos de carga utilizam câmbio curto para ter desempenho adequado quando carregados. Como a Kombi não desenvolve muita velocidade (máxima em torno de 135 km/h), o câmbio longo se restringe aos modelos leves.

      Uma boa fonte de informação sobre a Kombi é o site fuscaderivadoseoutrascoisasantigas.wordpress.com

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  1. amigo comprei um gol g5 1.0 2009/2010 ele ja tava com 130 mil rodado, bom esse carro é muito lento na saída e em subidas ja fiz peaticamente tudo para q ele tem um pouco mais de potencia porem tudo n foi o bastante gastei 2500 ja e o carro ainda t bem mais lento e pesado q os outros do msm modelo e ano q ele ae só me falta trocar o cambio o vc acha será q pode ser o cambio?
    suspeito do cambio pq se estico as marchas ele da até 140km/h de 3 marcha a cerca de 6200 rpm

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  2. Bom dia
    Eu tenho um polo 1.6 07/08 , vejo em alguns site falar que este modelo d carro chega a fazer 17 km/l
    O meu nunca passou d 13 km/l mesmo depois d uma revisão na concessionaria

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    • Bom dia Fabiel.

      Certifique-se de que os sites dos quais você busca os dados de consumo são brasileiros.

      Os dados que você informa, de 13 km/l são coerentes com o modelos brasileiro, que roda com gasolina com 22% a 28% de mistura de álcool. Seu carro está consumindo dentro do padrão.

      O consumo de 17 km/l que você viu deve ser de sites portugueses, argentinos ou de outro mercado que usa gasolina sem mistura e de melhor qualidade. O Polo europeu faz essa média.

      Outras hipóteses podem fazer o Polo brasileiro rodar 17 km/l com nosso combustível, mas apenas em condições muito especiais de laboratório. Na prática, é improvável replicar está média.

      Resumindo: veja se o sites são brasileiros ou estrangeiros, pois a média de consumo com gasolina pura é maior

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  3. Boa noite tenho um voyage quadrado GL 1.8 e o cambio quebrou e coloquei um cambio de uma saveiro, e notei q ficou com giro do motor muito auto de 5 marcha, existe diferença nesses tipo de cambio? Ou e só diferencial?

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      • Olá Pedro. Aproveitando essa situação. Tenho um Polo 1.6 ano 05/06, ele tem um problema que me incomoda, que é a relação curta. Principalmente em viagens, que costumo andar a 100 e 120, o Giro dele fica na casa dos 3.000 RPM, isso pelo que eu pouco entendo, contribuí para o consumo ficar mais elevado. Você comentou sobre trocar o diferencial, nesse meu caso ajuda? Trocar por um diferencial dos polos mais novos, como 2012 que pelo que li, já tem uma relação maior. E se essa alternativa for possível, qual o procedimento? Apenas eu compro o Diferencial e peço para trocar? Isso pode desencadear algum outro problema? Atualmente meu polo faz 7~8 na cidade, e uma média boa até na estrada, por volta de 14. Mas mesmo assim acho muito beberrão. Abasteço apenas na gasolina. Obrigado!

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      • Bom dia Caio.

        Realmente uma das maiores queixas dessa versão do Polo é o câmbio curto. Tanto que ele, o Gol e o Fox ganharam relações alongadas em linhas a partir de 2009 ou 2010.

        Como o seu caso é uma aplicação para uso normal, talvez a troca da caixa inteira saia mais em conta do que abri-la e trocar o diferencial. Aí vale uma consulta ao mecânico para ver como é melhor fazer.

        No ponto de vista consumo, posso dizer que não vale a pena. A melhora é pequena. Você vai levar alguns anos para recuperar o dinheiro gasto na troca do câmbio com gasolina, a não ser que rode bastante.

        A troca fica por conta do prazer de dirigir.

        Obrigado pelo contato

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    • Olá Johne.

      A diferença entre as relações curtas e longas acontece nas acelerações, retomadas, consumo e rotação em última marcha ao rodar em estradas. A partir da linha 2010, a linha Polo e Fox recebeu relações mais longas, a fim de melhorar o consumo e resolver uma antiga queixa dos proprietários, que consistia no alto giro ao rodar em estradas, próximos dos 4 mil rpm. A contrapartida ficou por conta das acelerações um pouco mais lentas.

      Obrigado pelo comentário.

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  4. Boa tarde amigo , tenho uma Saveiro Cross e recentemente tive que trocar o câmbio pois o mesmo havia quebrado , não me atentei e coloquei um câmbio com diferencial 68/15 vi que as marchas ficaram mais curtas principalmente 3° e 4° , se eu trocar o diferencial pelo original da caixa antiga que é 67/16 , ele volta a ter relações de marchas como era antes?

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  5. Olá Diego.

    Não conheço todas as relações das caixas MQ200, mas sem dúvida a caixa antiga tem relações mais longas e haverá alteração na performance.

    As relações são: 68/15 = 4,54:1 (curto) X 67/16 = 4,19:1 (longo).

    Obrigado pelo contato

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  6. Tenho vontade de trocar o meu cambio. É um polo 2004 e acho o consumo muito alto. 7 na cidade e 11 na estrada. O câmbio longo ajudaria nesse consumo? É um carro sedã mas só uso ele pra família que só é 4 pessoas… Parabéns pelo o post.

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