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Os carros alemães são os melhores do mundo?

carros alemães são os melhores do mundo mercedes clk-gtr

os carros alemães são os melhores do mundo?

Em toda ocasião na qual o assunto gira em torno dos automóveis, a nacionalidade do fabricante funciona como argumento positivo ou negativo, a depender da imagem construída pela indústria de cada país. Citações de prós e contras de cada uma delas também são largamente usadas em debates e viram memes nos sites automotivos. Para o bem e para o mal, para exaltação de suas qualidades e escárnio de suas fraquezas.

De todas as origens, é impossível não se lembrar dos modelos alemães como sinônimo de tradição, qualidade, acabamento caprichado, luxo, requinte, alta performance, tecnologia de ponta, confiabilidade, durabilidade, segurança, construção esmerada, design atemporal e todo tipo de qualidade esperada de um automóvel, motocicleta, veículo pesado e até aeronaves.

A indústria automobilística alemã se tornou a maior referência do estado-da-arte em tecnologia automotiva. Mesmo seus detratores guardam grande respeito por ela. Isso realmente é verdade ou apenas exagero dos entusiastas das marcas premium germânicas?

Os carros alemães são os melhores do mundo? Verdade ou mito?

A resposta é:

DEPENDE DO ASPECTO A SE ANALISAR E DO PERFIL DO MOTORISTA.

Da mesma forma como os aficionados por modelos japoneses defendem a superioridade das marcas daquele país, como já se abordou detalhadamente neste artigo (um dos mais populares deste site), os entusiastas dos made in Germany afirmam o mesmo com mais eloquência. Obeserva-se um confronto entre duas receitas bem-sucedidas, mas com grandes divergências entre si.

A RELAÇÃO DE AMOR DO POVO ALEMÃO COM SEUS AUTOMÓVEIS

Os mais ardorosos defensores de seus automóveis são o próprio povo alemão. Os leitores que já tiveram a oportunidade de visitar a maior economia da Europa não deixaram de notar a paixão germânica pelos automóveis, tema já abordado por Educação Automotiva neste artigo. Extremamente detalhistas, não colocam o pé em uma loja sem dominar todos os dados técnicos, mecânicos, financeiros e de equipamentos dos modelos que desejam levar para sua garagem.

De todo modo, os consumidores alemães louvam e exaltam a tecnologia de todos os seus automotores como a mais avançada do mundo, afirmam que nenhuma outra nação entrega a mesma qualidade construtiva, dos materiais de acabamento, segurança veicular e mecânica super eficiente.

Ademais, os motoristas germânicos se consideram os mais zelosos na face da Terra. Realmente, os exemplares com mais de dez anos circulam em abundância nas ruas da Alemanha, das marcas locais mais populares no mundo inteiro. Por sua vez,  os trabalhadores do setor automotivo são aclamados como os mais dedicados e qualificados da indústria mundial e a maioria sente orgulho de seus empregadores e produtos.

Para a nação mais GearHead do mundo, carros japoneses são simplórios; coreanos são produtos baratos; americanos são pesados, beberrões e de baixa tecnologia; ingleses são luxuosos, mas não chegam aos pés da tecnologia alemã; franceses e italianos são bombas com design bonito; e carros chineses não podem ser chamados de carros.

Será que o fanatismo germânico pelos próprios automóveis, os quais proclamam como os melhores do mundo, é verdade? Vamos analisar ponto a ponto

TECNOLOGIA

os carros alemães são os melhores do mundo?
A eletrônica e tecnologia de infotenimento têm sido prioridade entre as marcas alemãs. O painel TFT do Novo Polo é uma amostra do poderio alemão neste aspecto.

De fato, os automóveis de origem alemã desenvolveram a mais avançada tecnologia de toda a indústria nos dias atuais. No passado, a indústria alemã prezava mais pela confiabilidade em detrimento da vanguarda de inovações, deixando-as ao encargo dos britânicos e franceses. A receita clássica, consagrada pelo legendário Fusca, consistia em mecânica simples, barata e confiável, sem firulas.

Todavia, este quadro mudou a partir do início da década de 80 com o renascimento da Audi, empresa do Grupo Volkswagen utilizada como laboratório de desenvolvimento de tecnologias. O sucesso estrondoso do icônico Audi Quattro nas pistas de rali fez os alemães tomarem gosto pelas soluções inovadoras.

Desde então, a indústria alemã viveu um crescendo na busca de refinamentos e sofisticação construtivos, mecânicos, de acabamento, processos de fabricação e novos materiais. A partir do início dos anos 2000, estes fabricantes tomaram a ponta e criaram um novo patamar no que concerne a novas tecnologias.

DESIGN

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Ferrari F430 X Audi R8. Design italiano X Design alemão.

Preferências de estilo constituem aspecto subjetivo. Neste item, os modelos alemães se situam em desvantagem em relação aos modelos franceses e, principalmente, italianos.

De design mais exuberante, os modelos dos países vizinhos granjearam a fama de desenhar os automóveis mais bonitos do mundo, da mesma forma com que conquistaram os títulos de capitais da moda e design. Mesmo modelos americanos, japoneses e até coreanos podem ser mais cativantes que concorrentes bávaros ou saxões.

O povo alemão contesta o título para si. A escola Bauhaus, de linhas minimalistas e limpas, dá o tom da filosofia do design alemão. Vide VW up! e Mercedes-Benz S500. Os profissionais destas empresas afirmam que as linhas do automóvel devem ser atemporais, e argumentam que modelos de fabricantes como Citroën e Alfa Romeo ficam “datados” com mais rapidez, denotando sua idade e época de fabricação com muita clareza.

Segundo os desenhistas da escola alemã, modelos da Mercedes-Benz, BMW, Porsche ou até da Volkswagen “envelhecem” melhor em relação aos italianos, franceses e norte-americanos, citando o emblemático Porsche 911 como referência de design atemporal. A comparação entre o Citroën DS – de desenho rebuscado e extravagante – e Mercedes-Benz 300SE  – sóbrio e clássico – também se mostra um case muito citado, com vistas à promover o estilo teutônico, apesar da divisão de opiniões.

No meio automotivo, existe uma máxima que afirma que as preferências de design se assemelham às musicais, consistindo em percepção pessoal e subjetiva. Os responsáveis pelos departamentos de estilo das empresas germânicas criaram esta filosofia de design nos anos 1930 e a seguem fielmente até os dias de hoje.

Todavia, as escolas italiana e francesa detém a preferência da maioria, em detrimento da filosofia Bauhaus, alemã.

MECÂNICA

Dos anos 30 ao início dos anos 2000

diferenças entre gearheads e motoristas comuns
Para um petrolhead, o besouro da esquerda chama mais a atenção que seu irmão que acabou de sair da loja

A indústria alemã sempre se posicionou na vanguarda da tecnologia de motores, transmissões desde os anos 30, especialmente nos modelos de massa, voltados à produção em larga escala. A tradição de confiabilidade, robustez e simplicidade dos modelos alemães começou a ser cultivada a partir desta década.

O primeiro modelo a vir à mente dos brasileiros é, sempre foi, e sempre será o VW Fusca e toda a sua família equipada com o famoso motor boxer a ar. Esta obra da engenharia germânica tem sido empregada em todo tipo de aplicação como propulsão de bombas hidráulicas, máquinas de moer caldo de cana, motorização de bugues e esportivos de fibra de vidro, além de equipar boa parte da gama Volkswagen até 2005.

A linha de motores EA 827, popularmente conhecida como AP (Alta Performance), deu seguimento à tradição de mecânica simples, barata, robusta e confiável amealhada à engenharia alemã.

Far-se-á menção honrosa aos propulsores Chevrolet Família I e II, utilizados na linha da empresa até os dias de hoje. Conhecidos popularmente por “motor do Monza”, têm origem Opel, o braço alemão da General Motors. Em suma, as unidades motrizes mais populares no Brasil atualmente nasceram pelas mãos da engenharia alemã.

Na atualidade

sistema de revisão variável BMW

A partir da busca pela tecnologia mais avançada, a partir do final dos anos 90 e início dos 2000, os alemães reviram suas prioridades. Em detrimento da robustez mecânica e baixo custo de manutenção, a performance e eficiência energética passaram a dar o tom com a aplicação intensiva de materiais mais leves, turbocompressores, injeção direta, cabeçotes multiválvulas e todo tipo de solução de engenharia avançada.

Os resultados empolgam: motores de 1 litro comuns entregam 128 cavalos de potência, aceleram da imobilidade até 100 km/h em 7 segundos, mantendo o consumo na faixa de 13 a 18 km/l. Os modelos com foco em economia, também equipados com turbocompressores e movidos a diesel ultrapassam facilmente a barreira dos 30 km/l em rodovias, apesar da aceleração de 0 a 100 km/h levar “sofríveis” 13 segundos.

As transmissões manuais e automáticas com conversor de torque têm sido substituídas por caixas de dupla embreagem, mais leves, simples e muito mais rápidas nas trocas de marcha. Em complemento aos motores turbinados, entregam a incrível dirigibilidade dos modelos alemães atuais tão louvada pelos Gearheads. 

Todavia, a caixas de dupla embreagem padecem de baixa confiabilidade em comparação às automáticas tradicionais, tendo aplicação restrita a modelos esportivos na atualidade. Felizmente, outra boa solução veio a calhar: as transmissões de múltiplas marchas, de até 10 velocidades.  Entenda como elas funcionam neste artigo.

Traduzindo em miúdos. A engenharia alemã sempre consistiu em uma das principais referências em motores e mecânica. Porém, passou por uma revolução nos últimos vinte anos, ao abandonar a simplicidade e foco em robustez pela tecnologia avançada com alta performance e eficiência energética.

Continua na parte de análise e conclusão ==>

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