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O que temos a aprender com os alemães sobre segurança veicular

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carros alemaes

A conscientização da população como um todo sobre a importância de comprar automóveis mais seguros surgiu nos anos 80 nos EUA e na Europa. Na década seguinte, o assunto ganhou relevância e os resultados apresentados se mostraram substanciais.

Na Alemanha, o número de mortes no trânsito diminuiu 76% entre 1980 e 2012, de 15.050 para 3.600. A vigência de legislação rígida influiu muito nesse resultado. A partir de 1997, todos os carros novos passaram a vir equipados, no mínimo, com airbag duplo, fato o qual teve grande participação nessa melhora.

CULTURA DE SEGURANÇA VEICULAR

Outro grande responsável pela queda consistiu no investimento em educação automotiva para todos os cidadãos. Em terras germânicas, carros mal avaliados pelo órgão homologador (EuroNCAP) raramente vendem bem, pois os consumidores preferem pagar a mais pelos equipamentos de proteção.

Mais uma característica positiva do mercado germânico consiste na exigência absoluta de tais dispositivos. Pode-se encontrar nas lojas automóveis sem vidros e travas elétricos, rádio ou rodas de liga leve, mas nunca sem controles de tração e estabilidade e múltiplos airbags.

Os alemães atingiram um nível de educação automotiva exemplar, e todos os indivíduos possuem conhecimentos básicos sobre automóveis, desde as crianças até os idosos, homens e mulheres e de todos os graus de escolaridade.

No Brasil, o assunto era conhecido apenas pelos entusiastas e envolvidos na cadeia automotiva. O assunto ganhou destaque em 2014, quando o airbag duplo e os freios ABS se tornaram obrigatórios em todos os veículos novos. Para a maioria da população, o assunto ainda é desconhecido.

Nas autoescolas daqui, nada se ensina sobre segurança veicular, seus benefícios e a importância de escolher veículos com maior grau de proteção. 

Muitos motoristas habilitados há décadas e com baixo interesse pelo tema sabem pouco ou nada sobre ele. As emissoras de rádio e TV não abordam o assunto com a devida ênfase, publicando poucas matérias sobre ele, afastando-o da pauta na maior parte do tempo.

Em suma: a segurança veicular ainda ganhou a necessária disseminação entre o cidadão comum, como ocorre nos países desenvolvidos.

A falta de iniciativa dos órgãos estatais, das empresas do setor e dos cidadãos em geral têm atrasado o progresso nesta área de conhecimento e agravando a violência no trânsito.

O processo de habilitação frouxo também agrava o problema, pois os condutores deixam a autoescola sem conhecimento algum do assunto.

De modo geral, o consumidor brasileiro adquire seus carros de maneira excessivamente emocional, priorizando estética, equipamentos de conforto e entretenimento, em detrimento dos equipamentos de segurança.

Tendem a valorizar a parte financeira, optando por veículos novos e mal avaliados nos crash tests ao invés de modelos usados equipados com mais airbags e controles eletrônicos.

Ao buscarem modelos mais caros e sofisticados, preferem centrais multimídia e sensores de ré a controles de estabilidade e múltiplas bolsas de ar. A aparência externa recebe mais atenção em relação à qualidade construtiva, presença de equipamentos de segurança e rigidez estrutural.

Pessoas com filhos raramente perguntam se o veículo possui sistema Isofix para cadeirinhas ou cintos com pré-tensionador. Eventualmente adquirem carros seguros, na maioria dos casos sem consciência desta qualidade.

O QUE PODEMOS APRENDER COM OS ALEMÃES SOBRE A COMPRA DE CARROS SEGUROS?

REGRA DE OURO

1 – Se o veículo não obteve boas notas nos crash tests, deve ser descartado logo no início. Nenhuma outra qualidade é mais importante que a segurança.

2 – Nenhuma compra de carros novos ou usados pode ser feita sem consultar seu desempenho nos crash tests feitos pelas instituições oficiais como LatinNCAP, IIHS, NHTSA ou EuroNCAP. De forma complementar, pode-se estudar testes independentes, feitos por revistas como Quatro Rodas ou Consumer Reports. Para saber como avaliar a nota dos testes de impacto, leia esta matéria.

3 – SÓ COMPRAR CARROS COM NOTA DE QUATRO OU CINCO ESTRELAS. Os demais devem ser descartados.

4 – Na compra de um usado, priorizar modelos equipados com dispositivos de segurança ativa e passiva, tais como airbags múltiplos, ABS e controles de tração e estabilidade; mesmo que a opção seja por um veículo mais antigo.

5 – No caso dos novos, o sistema antitravamento de freios e o airbag duplo são obrigatórios por lei. Assim, o consumidor deve dar um passo à frente e exigir quatro ou mais bolsas e controles de tração, estabilidade e distribuição de frenagem.

6 – Não basta o veículo ter os dispositivos descritos acima. Para que a proteção seja maximizada, é necessário que a estrutura do veículo seja rígida e absorva os impactos adequadamente. Um exemplo: o JAC J3 possui airbags, e os controles eletrônicos, mas obteve apenas uma estrela no teste da LatinNCAP. A causa consistiu na baixa rigidez estrutural.

7 – Se você tem filhos pequenos, faça questão do sistema Isofix de fixação de cadeirinhas de bebê e criança. Antes de assinar o contrato, faça um teste de montagem do assento. Além de facilitar a instalação, aumenta fortemente a segurança de seu(s) filhos(s).

8 – Pergunte ao vendedor sobre a presença de equipamentos de proteção como pré-tensionadores de cintos de segurança, portas com fechaduras anti-emperramento, dispositivos que cortam o combustível em caso de acidentes, pedais que desarmam em impactos frontais, centrais que acionam os bombeiros automaticamente, dentre outros. Apesar de menos relevantes, alguns podem ser úteis.

Os consultores recebem treinamentos sobre o assunto e dominam o assunto, se encontrando aptos a orientar o cliente.

ESTATÍSTICAS DE MORTOS E FERIDOS NO TRÂNSITO

Para chamar a atenção da importância da segurança veicular, no mesmo período em que os alemães reduziram sua mortalidade no trânsito em 76%, faleceram 125% mais brasileiros pelo mesmo motivo, de 19.924 óbitos em 1980 para 44.812 em 2012, conforme mostra o gráfico abaixo.

 mortes no trãnsito brasil

Neste período, a morte de motoristas subiu 73% no período, a de motociclistas foi dez vezes maior e a de ciclistas triplicou. A principal melhora reside no fato de a morte de pedestres ter sido reduzida pela metade.

COMO OS ALEMÃES REDUZIRAM AS MORTES NO TRÂNSITO

Medidas comportamentais de educação dos condutores são essenciais, mas instruir os consumidores na aquisição dos veículos se mostra fundamental. Órgãos internacionais estimam que se toda a frota mundial de veículos seguisse os padrões de segurança veicular de 2013, as mortes no trânsito seriam reduzidas em 37%, levando em conta somente esse fator.

Educação automotiva consiste em ação essencial e urgente para revertermos esse quadro, como ocorreu em terras germânicas desde meados dos anos 80 com estrondoso sucesso. Independente das medidas das autoridades, o motorista deve buscar seu auto-aprimoramento.

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